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É homofobia dizer que Parada Gay perdeu o seu foco!

Uma resposta animada a Walcyr Carrasco, que pergunta se a Parada Gay perdeu o foco em matéria publicada na revista Época, deste mês. Tome-lhe!

Gay lindo ostentando alegoria de anjo negro na 10 Parada Gay da Bahi em 11 de setembro de 2011.

Por Marcelo Cerqueira, GGB – Salvador, Bahia, domingo 17 de outubro de 2011

É homofobia afirmar que a Parada Gay, evento de visibilidade massiva dos LGBT mudou o foco e não seria a mesma de vinte anos passados. O que faz com que, inclusive LGBT pensem dessa forma seria para mim uma expressão da homofobia internalizada, reflexo da negação de si mesmo através de seus desejos reproduzidos no outro. Se a Parada mudou, eu diária que sim, e mais ainda eu espero que um dia acabe, que as coisas se tornem tão natural que agente não precise botar a bunda na rua como última expressão para chamar atenção para os nossos direitos.

Mas o qeu tanto mudou e gera essa saudade toda? O que choca tanto os intelectuais e alguns LGBT classe média, que vivem nas grades de seus condomínios de luxo guardados e com muita proteção? Eu diária que como diz Mott, o Brasil é gay e tem medo disso, precisa pipocar Parada em tudo quanto é lugar para lembrar que ser LGBT não é estranho e os politicos começar a ver os LGBT em números e títulos de eleitor, porque votamos! Pior que muito LGBT alienado vota errado, infelizmente.

Parada Gay é uma festa gay que entrou no gosto popular, mudou porque os heteros invadiram as paradas e viram que nosso estilo de vida é bom e “como é gostoso o meu francês” tem música diversão, alegria, festa, trios e pegação. Agente sofre, mas agente goza! Os heteros aparecem em bandos para ver os gays fantasiados, os gays bombados e isso também é política de visibilidade do corpo e da afirmação. Política do corpo. Os gays se fantasiam como uma forma de expressão é fato. As transexuais vão com os peitos de fora porque aquele peito, o corpo são obras de arte beneditinamente esculpidos com muito suor e lagrimas, tem de mostrar como política de afirmação de sua identidade e as Paradas são vitrines de exposição de lutas e vitórias. Porque isso choca e a mulher nua no Carnaval não.

Eu estou de saco cheio dessa história. Quando dizem que é carnaval, não tem nada a ver com a nossa luta, perdeu o foco, e fico nervoso quando heterossexual fala isso, hetero que nunca foi discriminado que sempre pode mostrar o que quis no Carnaval ou onde quer que seja, sem que isso seja um atentado, ao contrario. A Parada é uma demonstração de elementos culturais da cultural LGBT brasileira, não há nada de mais belo que promover as expressões culturais saudáveis de um grupo social.

Nós do GGB acreditamos que a Parada é um aspecto cultural e cultura é invenção do homem, são hábitos aprimorados em parceria com a natureza. Acreditamos que Parada é Bacante e nesse sentido tem sim cumprido o papel que se predispõe. Ah! Meu bem, nada como a foto de capa dos jornais com a multidão. Existem coisas na vida que não tem preço, essa é uma delas. E quer saber o outro lado bom? É agente passar nas ruas e ouvir os homens acusado uns aos outros de terem ido a Parada, uns defendendo e outros acusando, eu adoro isso. " Tá vendo esse ai, todo tirado a macho, estava na Parada Gay ontém", isso é tudo, essa descontrução do masculino através dessas brincadeiras. É igual a brincadeira de passar a mão na bunda do outro e depois perguntar " tem pente ai?".

O nosso desafio é recriar, reinventar, reviver a Parada no mesmo sentido de sua criação, mas com o mote, e o "Mott” de ser um evento turístico para a Bahia, que agente possa receber centenas de milhares de visitantes para vir desfilar na Parada Gay e curtir as belezas e encantos da Bahia da magia, dos feitiços e da fé. Agente não quer fazer Parada de mega fone, agente quer trios elétricos, e ostentar que é uma festa gay para a cidade. Ela colabora para a cultura da amizade, do amor da paz e da busca pela felicidade, além de ser algo extremamente criativo, as pessoas se vestem com a sua alegria e expressam isso em suas fantasias.

Qual é o problema de associar Parada com Carnaval? O pior é que não é Carnaval, o mundo pára para o Carnaval passar e a cidade ainda não pára para a Parada passar por apenas um dia. Respondendo a Walcyr Carrasco que pergunta sem eu artigo na Época se a Parada Gay mudou o foco? Eu digo que não, nunca mudou o que houve foi que os heteros aprovaram a festa e caíram pra dentro em bandos, assim, como eles são muitos, acaba sufocando a presença dos gays. Mas são bem vindos, homens e mulheres de todas as idades sintonizem-se nas Paradas e sejam muito bem vindos, isso é diversidade.

Alguns gays que falam que a Parada perdeu o foco, no geral não faz nada pela causa, ou vivem no anonimato, não participa da Parada, vê apenas pela televisão, porque acredita que nunca foi discriminado, mesmo morando em uma família com tantos irmãos, mas todas saíram de casa e ele é quem cuida da mãe idosa e ela não pode saber que ele é gay, senão a anciã tem um troço e antecipa a sua chegada ao céu. Cada um faz suas escolhas de vida, eu optei pela bandeira que o vento me ajuda a carregar, um gay como este optou pela cruz Se por um lado esse tipo de gay não gosta de Parada a juventude gay a-do-ra  e comparece em massa, isso é maravilhoso é a continuidade da preservação da cultura gay.

Meu amigo André Cupolo fala pra mim que existem dois tipos de heteros. Aqueles que falam mal dos gays pela frente, são sinceros e os que dizem ser amigos e por trás metem o pau. Claro que existem exceções, meu amigo é meio radical, mas eu nem tanto. Mas esses heteros que ficam saindo por ai dizendo para Deus é o mundo que a Parada Gay perdeu o foco, eu acho bom não ir mesmo. É melhor ficar em casa assistido Faustão, tomando refrigerante e empanturrando-se de macarrão ao lado da família que não é mais aquela e que ninguém se suporta mais, mas que convivem por falta de opção. No fundo, bem lá no fundo como diz um amigo meu, eles tem muita inveja da nossa liberdade, da nossa cultura, na nossa alegria, mesmo que pese as tristezas o estilo de vida de LGBT assumidos e conscientes de seu papel na sociedade é muito bom, é boníssimo. E isso é motivo de raiva, rancor e ódio por parte de muitos.

PS - A Parada tem um propósito, lógico. Eu acredito que ele não se perdeu. Paradas como de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia são eventos políticos das três principais capitais Brasileiras, todos nós levamos muito a sério a sua realização. O que não podemos é controlar a multidão que vem as Paradas com seus cestos de alegrias para a nossa festa. Todos nós realizamos um intenso debate com a cidade divulgando informações de combate ao preconceito, somos generosos porque inclusimos todas as questões de gênero nesse debate.

O GGB sempre cria temas polêmicos para debater com a cidade e isso agente faz com muita competência. O tema da 10 Parada Gay  Ser gay não é estranho. Estranha é a homofobia foi divulgado e debatido com toda a Bahia, sem dúvida. Agente sacou através dos meios de comunicação e ele entrou em todas as casas e todos ficaram sabendo o que é homofobia e que se deve sempre respeitar a orientação sexual do outro.

 

 


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