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Trabalho
Editoria local Salvador, Ba, 30/04/2010 - 10h43 min - por MARCELO CERQUIERA
Nessa última quinta-feira eu fui convidado para fazer uma palestra na Faculdade da Cidade para os alunos do curso de Direito, Jornalismo e Psicologia. Me convidaram para falar sobre uma Bahia sem intolerâncias e sem discriminações, ou melhor, uma Bahia dos nossos sonhos, por assim dizer. Após minha fala diversos alunos de forma inteligente e articulada fizeram perguntas, inclusive uma aluna lésbica se apresentou como tal e fez referência à união afetiva qual ela vivia com uma outra mulher, aplaudimos por saber como é difícil assumir essas bandeiras nos ambientes coletivos. Hoje quando se comemora o Dia do Trabalhador, uma fala de um aluno que trabalha com processo seletivo me veio à lembrança. Pretendo com isso ilustrar como é ser homossexual e buscar trabalho junto às iniciativas privadas. Ele contou que foi convidado para fazer uma seleção em uma cidade do interior da Bahia. Segundo ele havia alguns participantes que eram homossexuais e se desenvolveram de forma considerável durante a sua avaliação. Ele relatou que fez a indicação dos homossexuais pela qualificação dos mesmos, mas para sua surpresa eles não foram absorvidos pela empresa. A justificativa da empresa era de que eles não se encaixavam no perfil desejado para ser um funcionário daquele empreendimento. Isso é muito comum e acontece impunimente em todo o Brasil, mas até quando?. Esse tipo de problemática é muito comum aos homossexuais, especialmente aqueles que têm essa marca impressa em seus corpos. Empresas rejeitam esses profissionais por homofobia e preconceito. Colocam psicólogos adestrados para barrar essas pessoas de participarem do mercado de trabalho. Esses profissionais acabam contrariando as normas do Conselho de Psicologia que orienta os seus profissionais de que homossexualidade não é doença e a pessoa homossexual é tão igual em aptidões físicas e intelectuais tal qual os heterossexuais, a única distinção é a pulsão do desejo. Se por um lado existe esse impedimento para a participação no mercado de trabalho, por outro existe a exploração com base na homofobia daqueles que contratam acreditando fazer um favor ao homossexual, coitado, discriminado e carregado de uma carga enorme de homofobia interna e baixa estima. Homossexuais podem fazer horas extras, porque não têm filhos, esposas, esposos no ponto de vista desses empregadores. Eles podem ser alvos de assedio moral cotidiano por parte de colegas que insistem em perguntar por sua namorada ou namorado. Ou quando é que ele ou ela vai casar, ter filhos, constituir família. Como se o homossexual não tivesse uma família afetiva, um companheiro zeloso e carinhoso em casa. Hoje 1 de maio dia do trabalhador é importante lembrar que os homossexuais devem ter seus direitos trabalhistas respeitados e as Centrais, tanto a CUT ou CGT devem abrir frentes de defesa desses trabalhadores que sofrem cotidianamente as intolerâncias praticadas por empresas e colegas inescrupulosos que insistem em desqualificar essas pessoas por base na sua orientação sexual. Nesse 1 de maio é preciso lembrar de Antonio Ferreira, um destacado gerente do Banco Bradesco que foi demitido por seu superior pelo único motivo de ele ser homossexual. Ferreira luta contra esse gigante econômico, luta desigual para ele, mesmo que pese ter assessoria de excelente advogado, mas nada em relação ao batalhão do gigante. Nesse dia de comemoração os trabalhadores homossexuais não têm muito que comemorar porque muitos não conseguem entrar no competitivo mercado de trabalho e os que estão sofrem cotidianamente as desgraças do assedio moral no ambiente de trabalho. É preciso denunciar e cobrar das Centrais Sindicais respeito aos trabalhadores homossexuais.
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