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Pesquisa indica um LGBT assassinado na Bahia a cada três dias
Dados do GGB mostra situação preocupante

Salvador, Bahia, sexta-feira 20 de janeiro de 2012 – Editorial

Seis homossexuais foram assassinados na Bahia nestes vinte primeiros dias deste ano: 3 gays, 2 lésbicas e 1 travesti. Há seis anos consecutivos a Bahia é campeã nacional de crimes homofóbicos. Matam-se mais gays na Bahia do que em S.Paulo, que tem população  três vezes maior. Desde que Jaques Wagner assumiu o governo,  o número de assassinatos de LGBT – lésbicas, gays, bissexuais e travestis – duplicou: de 11 homicídios, passou a 23 mortes por ano. De um  “homocídio” por mês passou nesse início de 2012 para um LGBT assassinado a cada 3 dias!

Segundo o Prof. Luiz Mott, “A violência letal antihomossexual atingiu na Bahia seu limite máximo de insuportabilidade: ou o Governo realiza ações radicais de controle da homofobia, ou o Grupo Gay da Bahia vai iniciar ação internacional junto a OEA denunciando o Estado de improbidade administrativa e prevaricação governamental pois a comunidade homossexual – que representa 10% de nossa população – está em pânico e não suporta mais o clima de insegurança. Wagner e a primeira dama são reconhecidamente amigos históricos dos gays, mas a política governamental para esse segmento não está funcionando!”

Segundo o coordenador do GGB Cristiano Santos, o descaso governamental se manifesta também pela falta de receptividade do atual Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Almiro Sena, que por pressão dos evangélicos homofóbicos do PRB, partido que controla a secretaria, desmarcou diversas audiências agendadas para tratar desta situação dramática que pesa contra a comunidade LGBT. “A Bahia encontra-se mais atrasada que outros estados, como Alagoas e Sergipe, por exemplo, onde há anos funcionam eficientes Centros de Referência contra homofobia e  onde já foram  instaladas a Coordenadoria LGBT, enquanto aqui o Programa Bahia sem Homofobia, proposto na Conferencia LGBT de 2008,  continua letra morta.”

Das  seis mortes registradas  na Bahia neste início de janeiro, 4 foram em Salvador (um pai de santo no subúrbio, duas lésbicas na Barros Reis e uma travesti assassinada pelo próprio irmão no dia da festa do Bomfim); em Barreiras um gay funcionário da prefeitura foi apedrejado nesta segunda feira e jogado no rio, cujo corpo ainda não foi encontrado e em Barreiras, um jovem de 19 anos foi morto a tiros ontem em frente a sua residência. Todos esses assassinatos divulgados na internet.

“A impunidade dos crimes homofóbicos é o maior incentivo ao aumento desta criminalidade, diz o prof. Mott. Em dezembro último o Governo Federal convocou os Secretários de Segurança Pública para um pacto contra a homofobia – porque o Secretário da Bahia não esteve presente? Quantos dos 141 assassinos de homossexuais registrados no Estado nos últimos cinco anos do atual governo foram efetivamente processados e punidos? Nem 10%!”.

Marcelo Cerqueira, presidente do GGB sugere como ações imediatas para enfrentar essa epidemia de ódio antihomossexual:  implementação das ações propostas no Programa Bahia sem Homofobia, a divulgação imediata de uma campanha de impacto na TV e em Outdoors em Salvador e principais cidades onde foram cometidos crimes homofóbicos, com o próprio Governador em cadeia estadual denunciando a crueldade desses crimes e estimulando a população a maior respeito aos homossexuais. E que seus Secretários de Justiça e Segurança Pública marquem audiência imediata para discutir com o Grupo Gay da Bahia e o Forum Baiano LGBT soluções para essa calamidade pública. Para que Bahia rime com cidadania e não como homofobia!

 


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