O GGB    ::    SEJA MAIS UM FILIADO    ::    FAÇA SUA DOAÇÃO    ::    ggb@ggb.org.br
 

Home
Saúde
Movimento GLBT
Grupos GLT
Editorial
Legislação
Direitos Humanos
Orientações
Caderno Cultural
Educação
Agenda 2004
Notícias
Artigos-Opinião
Acontece
Nossas publicações
Turismo
Sociedade
Destaques
Marcelo Cerqueira
Sites
Projetos
Roteiros e serviços

 

  


Festa da diversidade
Parada Gay de Camaçari atrai não apenas o público GLS, mas crianças e idosos que disseram `não´ ao preconceito
Daniel Freitas, Jornal Correio da Bahia, 25 de julho de 2005.

Uma multidão de pessoas na 4 Parada Gay de Camaçari.

 

Atores transformistas, `drags queens´, travestis e casais `gays´ deram o brilho especial à festa, com direito a muitas fantasias

Com o tema Orgulho, prevenção e combate à homofobia, a IV Parada Gay de Camaçari movimentou a cidade na tarde de ontem, atraindo não apenas o público GLS, mas também idosos e crianças. O desfile saiu da Avenida Radial A e circulou pela Praça de Abrantes, arrastando centenas de pessoas que celebravam a diversidade sexual e diziam não ao preconceito e à violência contra os homossexuais. Na comissão de frente, estava uma enorme bandeira com as cores do arco-íris, seguida por dois trios elétricos que animavam a multidão. Atores transformistas, drags queens, travestis e casais gays deram o brilho especial à festa, com direito a muitas fantasias.

Na parada, os namorados Fábio Ribeiro, 21 anos, e Cláudio Piancó, 27, juntos há três meses, puderam permanecer abraçados e se beijar em plena praça lotada de gente, algo que, nos dias normais, só é possível em locais direcionados ao público gay. "Aqui, podemos viver um clima de liberdade e aceitação. É preciso aceitar a diferença e entender que o diferente também é normal", declarou Fábio, que é vice-presidente do Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual (Glich) de Feira de Santana. Foi a primeira parada em que o casal esteve junto, ainda sem esquecer o episódio recente em que Cláudio foi chamado de "sem-vergonha" por um amigo que o viu ao lado de Fábio na Tv, na ocasião da inauguração de uma boate.

União civil - Situações como essa mostram que o preconceito ainda existe. Lutar contra ele foi um dos objetivos da parada e quem foi assisti-la sabia disso, como a estudante Cleonice Sousa dos Santos, 34 anos, que levou sua filha Sheila, 11, para conferir o desfile. "Venho porque acho bonito e não tenho nada contra quem é gay, pois acredito que cada um é feliz ao seu modo. Também sou a favor da união civil entre eles. Quem sou eu para dizer que não? Tenho muitos amigos que são homossexuais e são pessoas ótimas, melhores do que muitos heterossexuais por aí". Ao lado, sua vizinha Silvana Menezes Santos, com a filha Tainá, 4 anos, disse que adora as fantasias e as brincadeiras dos gays durante o desfile, o qual assiste desde o ano passado.

Por todo o circuito da parada, inclusive na praça de Abrantes, as barracas e os postes estavam decoradas com fitas coloridas, lembrando o arco-íris. O desfile foi promovido pelo Grupo Gay de Camaçari (GGC) e pelo Grupo Anti-Aids da cidade. No sábado à noite e durante todo o dia de ontem, já estavam sendo distribuídos folhetos informativos e folders alusivos à luta contra a homofobia e em defesa dos direitos humanos e às formas de prevenção às DST/Aids. A madrinha da parada, inclusive, foi Edivânia Landim, coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Paulo Costa, presidente do Grupo Anti-Aids e diretor do GGC, afirmou que a parada visa mostrar que os homossexuais existem, têm direitos, pagam impostos e não estão à margem da sociedade. Enquanto ONG atuante no trabalho de prevenção, o grupo também distribuiu um total de mais de dez mil preservativos e folhetos que davam dicas para evitar a violência contra os gays. Na praça, havia um palco onde se apresentaram várias atrações, como o concurso de fantasias. Em cima do trio elétrico, conjuntos musicais como Islany e banda, o grupo Embalos e DJ Pequeno também fizeram a festa do público presente. A IVª Parada Gay de Camaçari contou ainda com o acompanhamento da Polícia Militar e de agentes de trânsito.

Convidado especial do evento, Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), salientou que a realização de paradas gays nas cidades do interior deve ser incentivada pelos governos municipais. "Em municípios pequenos, é importante abrir esse espaço de aceitação e tolerância, pois a vida não é como numa capital como Salvador, de quase três milhões de habitantes e onde as pessoas são mais `invisíveis´. Logo, Camaçari e Feira de Santana são exemplos, pois já estão na quarta parada. Esperamos que, no ano que vem, uma maior parte dos 417 municípios da Bahia também já esteja realizando suas próprias paradas", avaliou Cerqueira. Vale ressaltar que a Parada Gay de Salvador já tem data marcada: 4 de setembro, com o tema Amizade e TV, em alusão a Jean Wyllys, vencedor do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, e padrinho do evento.


***

Violência contra homossexuais


Presente na parada de Camaçari, o Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual (Glich), com três anos de estrada, também realizou a Parada Gay de Feira de Santana, na semana passada, com direito a um "casamento" em cima do trio elétrico. Os noivos eram os jovens Nadson, 17 anos, e Magno, 18, que assinaram o livro do Grupo Gay da Bahia (GGB) e firmaram a união. Ontem, em Camaçari, os dois rapazes lançavam o mesmo apelo: "Abaixo o preconceito e viva a diversidade. Nem os héteros são iguais uns aos outros. Por que nós haveríamos de ser?". Rafael Carvalho, presidente do Glich, afirmou que o preconceito em relação aos gays ainda existe, mesmo que de maneira implícita, e é motivo para a maioria dos crimes contra os homossexuais.

"Sabemos que a violência acontece de forma generalizada, mas quando acontece com o gay, é simplesmente pelo fato de ser gay. Isso sem contar as agressões físicas e verbais a troco de nada", comentou Carvalho. Marcelo Cerqueira informou ainda que, todos os anos, o GGB identifica a Bahia como um dos estados onde a violência contra os homossexuais é mais gritante. Em 2004, foram registrados 159 crimes contra os gays em todo o país. Desse total, 20 foram na Bahia, rendendo ao estado a segunda posição no ranking, perdendo apenas para Pernambuco, com 22 casos.

Em relação a um dos motes da Parada Gay de Camaçari, a prevenção às DST/Aids, a coordenadora da Sesab, Edivânia Landim, afirmou que a idéia não é associar a Aids ao público homossexual, e sim desmitificar a corrente de pensamento que identifica a doença como exclusiva de gays. "Foi um erro histórico considerar os gays um grupo de risco, quando na verdade todos os segmentos da sociedade estão vulneráveis à doença, desde que o sexo não seja seguro, com o uso de preservativos. A doença independe de idade, raça, cor e orientação sexual". Ela acrescentou ainda que a Aids está passando por dois fenômenos atualmente: o da interiorização (64% dos municípios baianos já registram pelo menos um caso de Aids) e da feminilização (mulheres casadas que vivem união estável estão sendo um dos principais focos da doença, sendo contaminadas muitas vezes pelos seus próprios maridos).

Na Bahia, hoje, a relação é de dois homens com Aids para uma mulher na mesma situação, seguindo uma tendência nacional. O crescimento dos números entre o público feminino preocupa, principalmente por favorecer a transmissão vertical da doença - da mãe para o bebê. Segundo Edivânia Landim, a Bahia registra um total de 7.363 casos de Aids entre 1984 e 2005. Como madrinha, Edivânia recebeu da organização da IVª Parada Gay de Camaçari uma homenagem através de uma placa comemorativa. Também receberam placas instituições como os ministérios da Saúde e da Cultura, a Coordenação DST/Aids da Sesab, a Coordenação Municipal de Cultura, a Secretaria Municipal da Saúde de Camaçari e a Federação Brasileira de Ongs (Febong).( Correio da Bahia, 25 de julho de 2005)

Confira as paradas que vão rolar ainda este ano

29/07 - Cuiabá - MT
05/08 - Dourados - MS
05/08 - Rio Grande - RS
07/08 - Macapá-AP
07/08 - Uniao dos Palmares - AL
20/08 - Juiz de Fora - MG
21/08 - Quirinópolis - GO
28/08 - Aracaju - SE
02/09 - Recife - PE
04/09 - Salvador -BA - Concentração, Campo Grande 14h

06/09 - Cabo de São Agostinho - PE
11/09 - Boa Vista -RR
11/09 - Cabo Frio - RJ
16/09 - Rondonopolis-MT
18/09 - ABC Paulista - SP

 

 


Voltar

  __________________________________________________________________________________________________________
  Grupo Gay da Bahia - GGB
Rua Frei Vicente, 24 - Pelourinho - Caixa Postal 2552
CEP 40.022-260. Salvador / Bahia / Brasil 
Tel.: (71) 321-1848 / 322-2552 / 322-2176
Fax: 322-3782
 
__________________________________________________________________________________________________________

         © 2003, Todos os direitos reservados, Grupo Gay da Bahia