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Ser Gay não é Estranho / Estranho é ser homofóbico!

Folder divulgação da 10 Parada Gay da Bahia em 11 de setembro, Salvador,BA

SALVADOR,BA , quarta-feira 10 de agosto de 2011 ás 19h - Ed Marcelo Cerqueira

 
Por: Vagner de Almeida, Direto New York, NY*

“Ordem e Progresso”, deveria ser o lema dos Direitos Humanos para todos, mas a sociedade Brasileira esta longe de ser uma nação racional, civilizada e com atitude e comportamento digno de tod@s cidad@s brasileir@s.

Ontem eu vi na esquina da vida um pai e um menino de seis ou sete anos de idade conversando a espera do sinal abrir. Eram três horas da tarde na esquina da Avenida Princesa Isabel, Copacabana na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro.O menininho gargalha alto com um ar perverso na face, quando uns travestis param alguns metros deles para atravessarem a rua também. As travestis conversam entre elas, sem perceberem que estão sendo observadas e julgadas.

O pai observa com um olhar de repugnância e rumina algumas palavras que não consigo entender. Não contendo o seu desafeto pelas travestis fala em voz alto e com um tom claro para o seu filho e os demais ao seu redor.

Ta vendo essa cambada de veados! Esses ai você pode encher de porrada quando crescer. Chuta na cara… dá porrada nos peitos, arreia esses veados no chão!”

A criança continua a rir e endossa o que o seu pai lhe acaba de ensinar. Uma cena lamentável! Ninguém se manifestou a favor das travestis! Ninguém falou nada! A omissão social a favor da violência contra a comunidade T-LGB - neste caso o T necessita ser o protagonista dessa história cotidiana brasileira.

Esse é o Brasil que vivemos nos dias de hoje e na esquina da vida, uma criança aprende a ser homofóbica, assassina, violenta contra todos que não são parecidos ou vivem suas vidas extremistas, fundamentalistas, racistas e sem solidariedade com o seu próximo.

Infelizmente ser gay no Brasil, ainda é ser alvo de franco atirador, ser banido do  núcleo familiar, ser visto na comunidade como a “coisinha”, uma Geni apedrejada, que Chico B. de Holanda descreve socialmente com uma genialidade impressionante. Ser diferente e homossexual para muitos dói, fere, mata, pois a homofobia é perversa, estranha, cheira mau, não tem forma ou cor, simplesmente é repulsiva.

Seres humanos estão sendo dilacerados pela brutalidade vil desse exercito clandestino de nazistas modernos endossados por parlamentares, religiosos e a sociedade civil engajada no ódio.Vemos publicamente mães e pais chorando os corpos de entes queridos e outros são enterrados em covas rasas por motivo de vergonha, homofobia e descaso dos próprios familiares.

Nunca na história do Brasil, história essa vergonhosa, contabilizamos tantos assassinatos na comunidade LGBT e a maioria deles endossados pelo sistema que não puni seus agressores e assassinos. Soltos permanecem cometendo crimes hediondos e rindo na face da incompetência do sistema.Os avanços brasileiros são grandes contra essa legião de homofóbos, mas ainda teremos que contabilizar muitas dores e óbitos na comunidade LGBT.

Crimes sempre existiram contra essa população, muitos ficaram na incógnita, no silêncio e na vergonha do núcleo familiar, mas com a visibilidade das frentes que lutam contra qualquer forma de intolerância os casos que eram deixado de lado, agora são exposto a sociedade de forma verdadeira. A Sociedade LGBT clama por justiça e direitos iguais.

Quem não teve um amigo ou conhecido espancado ou assassinado por motivo de intolerância social, extremista, nazista? – Contabilizar esses casos de assassinatos é uma tarefa tão difícil, pois poucos são os que chegam ao conhecimento público.Em meus filmes documentários, “Borboletas da Vida”, “Basta Um Dia” e “Sexualidade e Crimes de Ódio”, podemos entender os enfrentamentos desses protagonistas sociais que enfrentam todos os dias o mais alto grau de intolerância social nas esquinas e becos da vida.

Ser gay não é estranho! Estranho é ser homofóbico, tema da parada de Salvador esse ano e que poderá ter o mesmo título por muito anos ainda que virão.Uma sociedade não muda da noite para o dia, precisa de um processo de construção, re-visitar o passado, redimensionar o presente e focar o futuro com a nova geração que esta surgindo.

Ser jovens não é uma tarefa fácil! Há quem diga que também não é uma tarefa difícil! Mas ser jovem, pobre, gay, soropositivo e de periferia torna-se uma travessia no inferno. Observa-se o alto índice de homofobia e intolerância nas camadas menos favorecidas, pessoas que estão nas margens, residentes dos bolsões de pobreza e é neste local onde muitas lutas e enfrentamentos a comunidade LGBT terá que agir com firmeza e determinação, são neste locais onde as maiores atrocidades são cometidas. Será a partir dai que conseguiremos em uma sociedade classista trazer o cidadão subtraído para as camadas de cidadania plena.

Homofobia é um horror! Um holocausto contemporâneo, pois esquecermos da história é permitirmos que ela se repita no presente e no futuro.Temos que observar atentamente os formadores de opiniões nas escolas e na mídia, locais onde jovens estão inseridos na maioria das vezes, onde sua formação sobre Direitos e Obrigações são construídos através do ensino. Somente perpassando pela educação é que teremos um Brasil onde não vamos nos envergonhar.

A mídia ainda por mais que se renova, ainda continua tendenciosa em se tratando da Comunidade LGBT. Basta observar os temas que são levados ao ar sobre homofobia, união estável, paternidade, acabam no programa seguinte sendo transformados em piadas e desinformação. Chacotas são feitas com um receituário de humor indelicado e formador de opinião sobre ser gay, lésbica, travesti no Brasil.
Muitas frentes necessitarão ser abertas para que a sociedade possa apagar e virar a página da “Homofobia” na história do Brasil. Mas para isto a Comunidade LGBT, não pode ser moeda de barganha no governo brasileiro. Assassinos necessitam ir para as prisões e de lá não saírem mais. Religiosos extremistas, fanáticos precisam re-visitar “Amor pelo Próximo”. Familiares precisam aceitar seus filhos como são e ama-los de todas as formas. A escola necessita ser laica e kits contra homofobia necessitam ser distribuídos na sociedade para que a ignorância possa ser banida da atitude e comportamento bruto dos intolerantes e homofóbicos.

Acredito em uma nação sem fronteiras e campos de concentrações, que juntos possamos deletar todo tipo de opressão, pois nenhum ser humano nasceu para ser enjaulado, subtraído, estilhaçado e muito menos ceifado de sua trajetória na terra, simplesmente por ser diferente.Crimes de ódio contra os homossexuais tem que ser penalizado já!
Senhora Presidente Dilma Rousseff, a sociedade e a comunidade LGBT, estão em suas mãos e que a Sra. faça jus dos votos que lhe demos.

Vagner de Almeida também é Coordenador do Projeto Juventude e Diversidade Sexual na ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS no Rio de Janeiro, Brasil. Diretor de filmes e teatro, ativista, escritor, ator e crítico de teatro. Meu trabalho tem sido focado na construção da cultura social de gênero e sexualidade, aspectos sociais do HIV/AIDS, e a relação entre a exclusão social. Saúde e doença.
Maiores informações sobre o trabalho do autor vistem o site: www.vagnerdealmeida.com

* Vagner J. B. de Almeida sou atualmente um Staff Associate in the Program on Gender, Sexuality and Sexual Health in Latino Communities and Cultures in the Center for Gender, Sexuality and Health in the Department of Sociomedical Sciences in the Mailman School of Public Health at Columbia University.

Última atualização. Sexta-feira 12 de agosto de 2011 ás 19hs.

 

 


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