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ARTIGOS - OPINIÃO

É positivo ser negativo
Eduardo Moraes

SALVADOR, BA, 12.03.2005 - Há pouco mais de duas décadas um fantasma chamado HIV assusta e aterroriza milhões de seres humanos. Desde o seu surgimento, os portadores deste vírus sofreram preconceito, abandono, agressões, pesadelos que viveram e vivem até hoje. Muitos HIV positivos se desesperam, acham que é o fim da vida, até tentam suicídio, mas a coisa não é bem por aí. Com o avanço da ciência a sobrevida dos portadores, hoje em dia, é bem maior. Atualmente ser um HIV positivo não é nenhum bicho de sete cabeças, mas é claro, o portador também deve ser positivo com a vida, não se deixar dominar, ter força, coragem e determinação.

No último Festival Mix Brasil, o que chamou muito a atenção foi o filme “O presente”, um documentário que mostrava as novas ondas nos EUA, o Bug Chasing, prática deliberada de contrair o vírus da AIDS e o Gift Giving, que é a prática deliberada de transmitir o vírus aos outros. Lá a prática do bareback (transar sem camisinha) já está bastante difundida e, infelizmente, com cada vez mais adeptos. Como se não bastasse, agora eles promovem festas e divulgam pela Internet. Nas festas a prática do bareback é praticamente obrigatória, e eles convidam os soros negativos a receberem “o presente” ou seja, o vírus HIV. Um filme polêmico, chocante, e o pior de tudo, real. Havia um grupo de entrevistados que diziam a todo o momento, que mais de 80% da população americana estaria contaminada e que desconhecia alguém com mais de 30 anos que não fosse HIV positivo. Parecendo ser “ridículo” não ter o vírus. Algumas questões vieram perpetuar a cabeça dos espectadores: Seria essa realidade universal ou apenas americana? Seria esse o final de todos os gays? Seriam os negativos os vilões da história? Enfim, perguntas e questionamentos que povoaram e ficaram nas cabeças por receberem o tiro dado pelo revólver/pinto utilizado na divulgação do filme pela diretora Louise Hogarth. Sair da sala indiferente ao que acabara de ver era um ato irresponsável e inconcebível. Um dos entrevistados, um jovem de vinte e poucos anos, se sentia rejeitado, menosprezado e insignificante. Detalhe: era soronegativo. Participou de uma festa e por acabar transando sem camisinha passou a ser querido, desejado e convidado por todos para novas festas e encontros, passou a ser um semideus, por praticar o bareback e acabou “presenteado”, esse foi o preço de sua felicidade, e por quanto tempo durou? Bem, basta dizer que no final do documentário o garoto chorava arrependido do que tinha feito. Na verdade o filme alerta para algo que pode se tornar modismo e que devemos tomar cuidado. Há pessoas que deliberadamente optam por se contaminar por se sentirem escravas da camisinha e até do pavor que circula o vírus, limitando sua liberdade sexual. É importante salientar que, mesmo já sendo soropositivo, há a necessidade de se usar a camisinha para não contrair novos vírus que prejudicarão ainda mais o organismo da pessoa. Ser soropositivo não torna ninguém uma má pessoa. Ser soronegativo não torna ninguém inferior tão pouco superior, mas tem sim, que se precaver, usar camisinha, tomar todos os cuidados e não se deixar levar por modismos errôneos. Existe o livre arbítrio das pessoas, cada um sabe o que é e o que quer de melhor para si, mas mexer com a cabeça de pessoas fracas é no mínimo um ato irresponsável e até criminoso. Ter o vírus não significa estar sentenciado de morte, mas torna o indivíduo mais responsável por ele e pelo seu semelhante. Transar é bom! Dizer que a camisinha tira o prazer é balela, tesão é tesão com ou sem uma película protetora, a saúde pode ser motivo maior de um grande tesão. O preservativo, como o próprio nome diz, PRESERVA a saúde, e talvez seja o único meio de combate ao vírus ou a novos vírus. Consciência é o que cada vez mais o ser humano precisa. Difundir práticas de descontrole, em um momento em que, no meio gay, está sendo controlado o número de novos casos de AIDS, é um fato muito perigoso. Precisamos prevenir sim, alertar sim, mostrarmos que ser um soro positivo, não significa ser um criminoso e que ser negativo é positivo.


 


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