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Filme sobre aids

As testemunhas - Les Témoins
Por MARCELO CERQUEIRA


 

SALVADOR, 12/10/09 - Filme dirigido pelo francês André Téchiné, produção de 2007, um drama que aborda a questão do surgimento da aids nos anos oitenta. Mostra uma historia, ou quatros histórias, mas especialmente uma história dramática de Johan Libéreau (Manu) por trás dos números de infectados pela doença no mundo.

Busca retratar a vida de dois casais, um heterossexual e o inicio do impossível namoro, amizade entre Manu e Michel Blanc (Adrien), que em uma férias pela Costa Azul, Manu se encanta por Sami Bouajila (Mehdi), de origem muçulmana, policial, pai dedicado, apaixonado pelo filho recém nascido, casado com Emmanuelle Béart (Sarah), uma escritora de romances, mãe ausente, que desenvolve uma amizade as vezes confidente com Adrien, amigo mas rejeitado sexualmente por Manu. Sarah tinha um curiosidade, não gostava de férias somente com a família, apesra dos pedidos do marido em passar férias como pessoas "normais".

Manu é um jovem assim como muitos outros de todas as idades que gosta de fazer pegação, sexo em parques da capital francesa. O filme mostra em fragmentos um mundo incrível dos que adoram esse tipo de aventura e é lá que Adrien conhece Manu, eles nunca tiveram sexo, talvez porque o gosto de Manu era por homens mais novos e Adrien já era um cinquentão, apesar de ter boa forma física.

Mesmo assim eles iniciam uma amizade sem sexo. O sexo aparece no filme quando Manu conhece na paradisíaca Costa Azul francesa o garanhão Sami, macho assumido, mas que dentro dele morava um anjo que tinha a boca pintada, as unhas pintadas. Ambos começam a viver uma tórrida relação de amor e sexo. Um paradoxo porque Sami é chefe de policia da Delegacia de Jogos e Costumes, especialista em invadir hotéis e prender prostitutas, travestis e cafetões no verão de Paris, quando a cidade literalmente ferve.

Sami passa a se encontrar as escondidas com Manu. Eles se encontram e fazia sexo até as horas, era só isso sem maiores envolvimentos para não comprometer a outra vida do policial.  Sami bissexual de fato desenvolve uma paixão pelo jovem. Ele, apesar de bruto buscava afeto, talvez que não encontrasse com sua mulher escritora esquisita, mas que dentro dessa esquisitice francesa ama o maridão e adora fazer sexo com ele.

Algo interessante é saber que pelo comportamento Sami não buscava somente sexo, porque se fosse somente isso ele buscaria nos parques franceses. Ele queria uma outra história de amor e sexo, mas que não queria abrir mão de sua esposa e família. Isso ocorre muito com homens em todo mundo. Um beijo para quem conseguir desvendar os segredos do coração masculino?!

O mundo começa desmoronar quando surge em Manu manchas avermelhadas distribuídas pelo corpo, descoberta por Adrien, após uma crise de rejeição. Adrien cuida de Manu como um filho, um presente dos céus, um ex-amor, mesmo suportando os momentos de cólera provocado pela toxoplasmose que lhe consome a mente, deformando-lhe a face apressando a morte inevitável fato real para aquele tempo sem muitas perspectivas médicas. Hoje a aids não é mais a mesma, caminha para ser uma doença crônica e tratável.

Atitude comum a quem se descobre infectado ele some, desaparece, quer que a vida acabe logo, por não suportar o sofrimento, a dor, o medo da vida e desilusão de perder o homem que ama. Compra uma arma de fogo para se matar. Sami após ver o seu parceiro despedaçando-se apavora-se e corre a fazer o teste, nesse intervalo de tempo à relação com sua mulher piora e ele não consegue fazer sexo com preservativo. Pede a ela um tempo na relação para poder esfriar a cabeça em relação à cena de ter visto Manu. Apavorada Sarh também procura o médico Adrien e faz o teste, para a felicidade do casal ambos são soro negativos. Ai, lógico juras de amor, amizade, solidariedade e tudo que você pode imaginar e muitas horas de sexo frenético. Sarah relata a Adrien que ela não tem feito outra coisa a não ser isso.

Manu acaba morrendo e sendo enterrado em sua cidade natal. Uma morte sutil, sem deformações tais como as de Cazuza, agonizando publicamente. Sami resolve sua vida com Sarah e Adrien volta ao mesmo parque onde encontrou seu grande amor e encontra um outro jovem, esse americano que se interessa fisicamente por ele e ao que parece juntou a fome com a vontade de comer e juras de amor, sexo e amizade.

Eis que surge o verão e os dois casais voltam à Costa Azul para navegar, andar de barco e curtir a brisa do mar,celebrar o aniversário do pimpolho e ao que parece uma vida que se inicia boa para todos. Não há como não lembrar naquele lugar fascinante as batidas do ABBA no filme Mamma Mia, canções como Gimmi! Gimme! Gimmi!, Hasta Mañaana, Super Trouper e Fernando. Termina o filme assim. Apesar de algo terrível ta começando acontecer, algo que iria marcar nossas vidas para sempre, algo que iria obrigatoriamente nos obriga a ter restrições ao outro, ao corpo do outro.

O filme mostra a história da Aids na França. O inicio da prevenção e dos trabalhos das Ongs nessa área. É dramático sem melodramas, mostra imagens lindas das pontes que atravessam o rio Sena, as ruas de Paris e a pegação no parque da famosa Tore francesa. Após o filme iniciou-se um debate com a platéia sobre o tema.

Marco Antonio Martins, Marcelo Cerqueira (GGB) mediados por Márcia Marinho (GAPA). Debate interessante com os participantes. Volta ao tema da prevenção da doença e da falta de campanhas orientando para o uso do preservativo nas relações sexuais. Todos sabem as práticas preventivas, e durante trinta anos o GGB trabalhou no sentido de dar poder de decisão ao individuo em relação a seus direitos e deveres, especialmente nessa questão do corpo e de seu pertencimento. Uma mulher na platéia falou da importância da educação e da escola nessa questão. Importantíssimo envolver a educação nessas questões. Porém, eu acho que não é algo fácil. Ou talvez falte vontade de quem manda. Acontece que a experiência da educação não ta conseguindo fazer com que estudantes da Escola Pública se interessem por aprender a ler, escrever e entender o que o professor fala em sala de aula.

O aluno tem essas dificuldades funcionais e os professores estão por demais carregados não somente de classes, mas de outros bicos para poder ganhar um dinheiro a mais. Existem professores que ensinam os três turnos, como uma pessoa dessas vai encontrar tempo para falar de sexo, sexualidade, aids e prevenção. Mas podem, podem sim professores das Universidades Públicas, mas esses alunos são por demais instruídos nesses temas e já tem os seus valores formados. Desafio é descer para a Escola Pública e tratar desses temas transversais. Espero poder ver essa transformação não somente dos professores, mas refletida no corpo de alunos. O Filme foi exibido no dia 11 no MAM as Sessões de Possíveis Sexualidades seguem até o dia 14 naquele cinema.

O Possíveis Sexualidades é um projeto de áudio visual vencedor de Concurso Público Prêmio LGBT 2009 do Ministério da Cultura. Trata-se de uma ação do Instituto Cervantes, Produtora Plural em parceria principal com o Grupo Quimbanda Dudu, incluído nas atividades que antecedem a VIII Parada Gay da Bahia.

 

 


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