O GGB    ::    SEJA MAIS UM FILIADO    ::    FAÇA SUA DOAÇÃO    ::    ggb@ggb.org.br
 

Home
Saúde
Movimento GLBT
Grupos GLT
Editorial
Legislação
Direitos Humanos
Orientações
Caderno Cultural
Educação
Agenda 2004
Notícias
Artigos-Opinião
Acontece
Nossas publicações
Turismo
Sociedade
Destaques
Marcelo Cerqueira
Sites
Projetos
Roteiros e serviços

 

  

Homens heteros “pegadores” não são bem vindos em boates GLs de Salvador

Salvador, domingo 27 de março de 2011 ás 18hs.

Fotos extraidas do site Farofa Digital

Anne Louise e as colegas DJ portuguesas Lyla e Allure


 

Aconteceu na noite dessa última sexta-feira 25 de março na boate San Sebastian no Rio Vermelho mais uma edição da festa “As benditas”.  A festa foi um sucesso de publico, de acordo com o site Farofa Digital mais de 400 pessoas foram. O site da casa anunciava o evento para as mulheres o que é muito bom porque de modo geral elas não têm um espaço direcionado para que possam interagir umas com as outras.

A boate acertou nesse ponto e a tendência do evento é crescer cada dia. A proposta é clara, e de acordo com o site da San Sebastian, a noite congrega mulheres de todo o estado e traz musicalidade da mais variada: da música eletrônica ao trash, passando pelo indie e electrorock, mais alternativos, todas as vertentes são agraciadas no primeiro piso, comandado por Lola B, e no segundo piso, capitaneado pela, também residente do clube, DJ Anne Louise.  Tudo lindo se não fosse à presença masculina desastrosa.

A polêmica vem desse ponto de vista. Uma parte dos freqüentadores, inclusive gays, acreditam que no dia de eventos como estes o preço do acesso masculino fosse dobrado. Isso limitaria a entrada de homens na casa, ao menos naquele dia. Festas como esta não seduzem gays e sim uma outra clientela masculina. Homens que não conseguem disputar mulheres em ambientes heterossexuais e acreditam no poder de sua sedução com as mulheres bissexuais. Isso acaba importunando as meninas que não se relacionam com homens e causando constrangimento aos gays que por vez possam paquerar esses homens.

O produtor cultural Lukito é um dos que acreditam que o acesso aos homens deveria ser limitado. “Concordo, até porque tem boates que cobram sempre o valor maior para mulheres. Como por exemplo, a Le Boy do Rio de Janeiro”, disse. “Então acho digno que no dia da festa que é direcionada para elas, o valor para homens seja mais caro”, continua “Como esses homens sabem que tem muitas mulheres reunidas e ainda têm o sonho pegar duas de vez eles aproveitam”, conclui.

Opinião também similar ao do jornalista Davi Santos do Site Farofa Digital “Eu também acho que deveria limitar o acesso de homens, porque a festa é de meninas”, disse.
A publicitária M.V, 27 anos tem namorada e esteve na festa acompanhada de um amigo gay e conta. "O que pude perceber ontem foi que não tinham tantos heteros assim, vi só um casal de homem e mulher se beijando, e tinha um cara que me conhecia e sei que ele é hetero, e inclusive ele chegou até a mim. Não vejo problema nos valores serem diferenciados, às vezes amigos gays gosta de sair com amigas. Em lugares como Floripa existem essas diferenças, lá é o dobro” disse. “Mas com certeza algumas lésbicas não gostam e preferem algo mais restrito.", afirma M.V e reclama que já foi importunada por homens heteros quando estava com sua namorada e foi desagradável ouvir deles coisas tipo “Que desperdício duas mulheres juntas”, conclui. Em relação à festa Benditas ela observou poucos homens e deste vários gays, ressalta que como a festa esta sendo mais divulgada junto à população em geral, essa situação pode acontecer com freqüência, melhor prevenir antes que aconteça algo desagradável.

Na San Sebastian e na maioria das boates a segurança está autorizada a agir em favor das mulheres caso elas sejam assediadas por homens. A preocupação em limitar o acesso de homens heteros que vão com esse objetivo já é uma realidade, ao menos na San Sebastian. Na festa Benditas o valor da entrada para mulher foi de R$ 15 já homens pagavam R$ 35. Nos dias normais de funcionamento da casa não existe distinção entre os gêneros, o preço é único.

A direção da casa informou ao site do GGB que entende essa situação e considera um agravante e vai encontrar uma maneira de limitar o acesso de homens sem que com isso atinja de alguma maneira os gays que freqüentam o estabelecimento. A boate é simpática em aumentar o preço para eles, a alternativa de destingir as pessoas deverá ficar por conta dos promotores da casa que poderá fazer a identificação de homens heteros. A casa é um espaço privado, reserva-se o direito de admissão e com essa medida vai certamente diminuir dois constrangimentos: Os das mulheres e dos gays que quando vão paquerar esses indivíduos não vão ouvir “Sai cara, eu sou hetero”, muitos gays já passaram por isso em ambientes da comunidade. 

Essa confusão toda aponta para o princípio de partida de que o ser humano não é simples. Principalmente quando se trata de sexualidade, por causa da repressão social. Quando a noite chega tudo fica lindo ainda com ajuda do álcool e outras substâncias que penetram o corpo, fica mais agradável aos olhos. Essa beleza faz com que eles se sentem mais a vontade para dar evasão aos impulsos que muitas vezes tem pouca consciência deles.
Se por um lado esses homens podem simplesmente se sentirem mais a vontade em um ambiente assim, para tentar pegar mulheres que eles supõem que só gostam de mulheres, por outro eles são uma contradição concreta, inclusive porque vários deles transitam sem assumir em relações homoeróticas. O professor de Estética da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ricardo Liper faz uma observação a esses comportamentos. “O sujeito que se acha heterossexual e quer mulher e vai para o ambiente gay para pegar mulher é meio contraditório por ser um comportamento que não é coerente com o interesse dele, essa posição contradição”, disse.

Alguns podem procurar um ambiente mais liberal e minoritário e de uma população ainda excluída para sentir a aventura de todas as possibilidades possíveis. Muitas vezes só para sentir a tentação de algo proibido e naquele momento não se permitir fazer, mas só isso traz um suspense agradável e uma expectativa.(MC)

Leia também

Divirta-se na San Sebastian no Rio Vermelho, Off Club na Barra e Tropical no Centro são opções para sua noitada!.

Gays, lésbicas, homens e bissexuais vivem a mistura dos gêneros em Salvador

 

 


Voltar

  __________________________________________________________________________________________________________
  Grupo Gay da Bahia - GGB
Rua Frei Vicente, 24 - Pelourinho - Caixa Postal 2552
CEP 40.022-260. Salvador / Bahia / Brasil 
Tel.: (71) 321-1848 / 322-2552 / 322-2176
Fax: 322-3782
 
__________________________________________________________________________________________________________

         © 2003, Todos os direitos reservados, Grupo Gay da Bahia