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Serra Talhada , PE

Cangagay: o bando de cangaceiros cor-de-rosa cria polêmica com versão estilizada do grupo de Lampião

Publicada em 31/10/2009 às 19h00m - Agência O Globo

SERRA TALHADA, PE - Bandido para uns, herói para outros, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, ainda inspira polêmica mais de 60 anos após sua morte. O motivo da controvérsia, agora, é o Cangagay, grupo de ativistas homossexuais de Serra Talhada, terra de Lampião, que adotou a indumentária do cangaço, só que cor-de-rosa, relata reportagem de Letícia Lins na edição deste domingo, do Globo. Enquanto uns apoiam a iniciativa de defesa das minorias e contra a homofobia, outros acusam o grupo de estelionato cultural e de profanar a memória do "cabra macho" que é um dos maiores ícones do Nordeste.

A confusão já mobiliza a Câmara Municipal da cidade, a 418 quilômetros de Recife. Semana passada, o vereador José Pereira de Souza (PT) apresentou projeto de lei que faz de vestimentas e acessórios usados pelos cangaceiros patrimônio cultural e histórico de Serra Talhada, e torna crime contra o patrimônio público seu uso "de forma pejorativa, que vise a denegrir ou ridicularizar os elementos culturais e históricos do cangaço".

O projeto está em discussão nas comissões e deve ir a plenário no próximo dia 11. O vereador José Raimundo (PTB) assegurou seu voto, mesmo tendo apoiado a parada gay realizada no início de outubro, quando o grupo pink de cangaceiros ganhou as ruas.

Todos os elementos da indumentária dos cangaceiros foram aproveitados pelo Cangagay. Só que a mescla de azulão e cáqui das roupas dos chamados Guerreiros do Sol foi substituída por diversas tonalidades de rosa. Os adereços originais - chapéu, cartucheiras, santinha (testeira), bornais -, que eram feitos de couro curtido, foram estilizados e reproduzidos em tecidos rosa escuro, que ganham destaque sobre a calça e a camisa rosa mais suave dos ativistas do grupo.

O presidente da Fundação Cultural Cabras de Lampião, Anildomá Willans de Souza, de 47 anos, reprova o movimento:

- A falta de respeito aos símbolos de nossa cultura é um estelionato. É uma coisa sem sentido, que pode ser comparada a vestir de cor de rosa o padre Cícero em Juazeiro do Norte, ou o Cristo Redentor no Rio de Janeiro.

A repercussão surpreendeu Ivan Rodrigues de Lima, de 41 anos, enfermeiro e espécie de teórico do grupo. Ele lembra que o direito de expressão é uma garantia constitucional.

- Não ofuscamos a imagem de Lampião, que é história, e continuará sendo. A gente utiliza é a estética do cangaço. É absurdo que se proponha uma lei para nos processar por isso - reclama Neguinho, como é conhecido.

Quanto à prática de homossexualismo no cangaço, o historiador Anildomá Willans de Souza, autor do livro "Lampião, nem herói nem bandido, a história", diz não haver qualquer evidência disso. Para alguns militantes do Cangagay, no entanto, há indícios de que pelo menos um seguidor de Lampião, Sabonete, seria homossexual.

- Ele preparava chás para as mulheres doentes, cuidava das joias de Maria Bonita e era o único com autorização de Lampião para vigiá-la no banho - afirma Neguinho.

 

 


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