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Uma transexual espanhola, das prisões franquistas ao parlamento de Madrid

Salvador, BA, 15 de fevereiro de 2011 -

RETRATO. Inscrita nas listas do Partido socialista espanhol, Carla Antonelli poderá, em caso de eleição, ser a primeira transexual a sentar em um parlamento.

Militante socialista passada pelas prisões franquistas, Carla Antonelli deverá em breve ser a primeira transexual eleita em um parlamento na Espanha, um país na vanguarda em matéria de leis em favor dos homossexuais. Essa mulher engajada, com bela cabeleira frisada, figura nas listas do Partido socialista espanhol (PSOE) para as eleições de maio ao parlamento regional de Madrid, em um lugar que lhe assegura quase ser eleita deputada.
A Espanha já contou com conselheiros municipais transexuais, em duas comunidades, mas em caso de eleição, Carla Antonelli seria a primeira a sentar em um parlamento. Uma proeza em vista do percurso dessa mulher, que deixou em 1977 seu vilarejo natal de Güimar na ilha de Tenerife, nas Canárias, onde era então impensável viver abertamente sua transexualidade.

Dez semanas na prisão
Preconceitos, insultos, «após ter vivido em um ambiente marcado pela exclusão, hoje podemos esperar ter um assento no parlamento», se entusiasma Carla Antonelli. Nascida sob o regime franquista (1939-75) em uma data que ela prefere não revelar, essa transexual foi, como milhares de outras pessoas durante a ditadura, aprisionada por causa de sua orientação sexual. «Dois meses e meio no total, nas Canárias e na península», se recorda-ela.
Sob o franquismo, uma lei de 1954 sobre os indigentes, substituida em 1970 por uma lei sobre a «periculosidade social», em vigor até 1979, permitiu perseguir e aprisionar os homossexuais e os transgêneros ou de os colocar em centros de «reeducação». Franco morre em 1975 e o país se engaja em uma transição democrática, mas a sociedade traz ainda as marcas da ditadura.

Reportagem censurada
Em 1980, Carla Antonelli participa de um documentário sobre as transexuais para a televisão pública. Ela então critica a justiça, que interdita ainda aos transexuais de mudar de nome em seus papéis de identidade. A reportagem é censurada, antes de ser finalmente difundida em setembro de 1981.
Durante anos, ainda homem em seus papéis de identidade, Carla Antonelli encontra dificuldades, notadamente nos aeroportos. Em Cuba por exemplo, onde ela é presa por várias horas, ou na Venezuela, onde os duaneiros riram ao descobrir seu prenome masculino em seu passaporte.
Atriz nas suas horas, ela se engaja desde 1977 pela defesa dos direitos das trans. Após 1997, ela trabalha para o PSOE e ativamente participou da preparação do programa socialista para as legislativas de 2004, vencidas por José Luis Rodriguez Zapatero.

«Nós conseguimos!»
Depois, a Espanha deu passos de gigante em matéria de direitos dos LGBT. Em 2005, o governo aprovou uma lei autorizando o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Dois anos mais tarde, entra em vigor uma lei permitindo às pessoas sofrendo de um «distúrbio de identidade sexual» e que seguem um tratamento hormonal ou endocriniano, de mudar de estado civil, sem mesmo se submeter a uma operação cirúrgica de mudança de sexo, uma reforma defendida bico e unhas por Carla Antonelli.
«Estivemos mal, mas finalmente conseguimos», se recorda essa que havia ameaçado de realizar uma greve de fome, ao saber que o governo Zapatero pensava recuar a data de aprovação dessa lei. Em 22 de maio próximo, ela espera dar um passo a mais para a «normalização», em se fazendo eleger ao parlamento de Madrid. (Texto Natalia Sanguino – foto Dominique Faget – AFP.) creditar também a Rédaction (avec agence) mardi 15 février 2011, à 17h53 | 1097 vues.

 


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