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Saúde

"Aids, hoje, é controlável"
Editoria local

Dr Carlos Brites médico do Hospital Universitário Professor Edgard Santos

 

 

 

06/12/08 - SALVADOR,BA - No sexto andar do Hospital Universitário Professor Edgar Santos (HUpes), no Canela, uma porta com travamento eletrônico separa o hall dos elevadores do Laboratório de Infectologia. Por fora, a entrada é liberada somente por um identificador de impressões digitais.  Do outro lado, numa pequena sala retangular com capacidade para no máximo três ou quatro pessoas, o médico infectologista Carlos Brites, tem esboços de gráficos científicos na tela do computador. Um dos maiores especialistas brasileiros em vírus da Aids, pioneiro no estudo do HIV na Bahia, Brites acompanhou a invasão dos laboratórios por chips e processadores em seus 26 anos de profissão. No centro de pesquisa em que concedeu esta entrevista, o enorme microscópio passa a maior parte do tempo coberto por uma capa de plástico. Foi substituído pelo computador ao lado como principal instrumento de trabalho. As mudanças, felizmente, também não livraram a evolução das pesquisas sobre a Aids e aprimoramento dos medicamentos de combate à doença, estigmatiza até meados dos anos 1990 como a epidemia mais mortal desde a peste negra, que assolou sobretudo a Europa no século 14. Desde o aparecimento das primeiras infecções pelo HIV, no fim da década de 1970 - o primeiro caso no Brasil foi registrado em 1982 -, novas terapias conseguiram conter o poder destrutivo do HIV, dando aos portadores do vírus a possibilidade de escapar da morte, outrora certa. "Hoje, a Aids é como o diabetes. Uma doença crônica, mas abasolutamente controlável", diz o doutor Carlos Brites. Especializado em biologia molecular do HIV pela Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, nesta conversa ele fala sobre a batalha dos cientistas contra o vírus, preconceito e o que precisa melhorar no atendimento oferecido pelo governo. "Seria interessante haveruma campanha de testagem universal. Identificando precocemente os casos, melhor é a resposta ao tratamento e mais fácil ter uma vida normal".                   


Há dez ou quinze anos, as perspectivas para uma vacina anti-Aids pareciam maiores, mas hoje essa possibilidade é remota. O que não foi previsto pelas pesquisas?

Na verdade, se pensou que poderíamos aplicar um modelo tradicional de pesquisa e desenvolvimento de produtos. Acontece que o vírus da Aids tem uma dinâmica absolutamente diferente. Na maioria das vacinas, você tem uma infecção combatida pelo organismo através de anticorpos. Rubéola, caxumba, varicela, hepatite, por exemplo, são doenças controladas pelo organismo naturalmente depois de estimulado. Nós achamos que poderíamos aplicar para a Aids esse conhecimento, mas isso não corresponde aos fatos. Por tudo isso, hoje existe uma grande frustração. Já tivemos trinta e poucos protocolos de vacina e não se conseguiu nada. O último, nos testes com macacos, ofereceu proteção razoável, mas com humanos foi um fiasco.

Como isso repercutiu entre os cientistas?

A partir desse fracasso, se discutiu muito qual o futuro da vacina. Alguns cientistas  defenderam em fóruns internacionais que ela seria uma impossibilidade neste momento e talvez nunca chegasse. Mas surgiu a partir daí uma necessidade de se voltar para o laboratório, estudar mais o vírus, a infecção e o que significa a proteção a ela, para saber qual a resposta adequada ao HIV. Aparentemente é uma resposta complexa, envolvendo múltiplos fatores, com anticorpos e células especializadas em destruir o vírus. Um dos problemas nesses últimos anos é que todos foram muito afobados. Tentou-se partir logo para experimentar as vacinas e nenhuma delas funcionou. Bilhões de dólares e muitos anos de pesquisas retrocederam agora para a necessidade de se compreender, na bancada do laboratório, o que de acontece no paciente.

Então a vacina não está descartada, apesar das dificuldades?

Não está descartada, mas hoje temos uma idéia muito mais clara das dificuldades. Não é tão fácil como se parecia, ou melhor, é muito mais difícil do que parecia. Temos que entender melhor o que acontece com o HIV para só depois buscar trabalhar com uma vacina.

Dentro dessa perspectiva, qual a frente de batalha definida pelos pesquisadores em termos de novos remédios e aperfeiçoamento dos que já existem?


Este é um lado onde há sucesso absoluto. Hoje temos mais de 20 medicamentos anti-retrovirais. Quando começamos com o AZT em 1987, o paciente melhorava no começo, mas depois piorava. Passamos a administrar duas drogas e, finalmente, o famoso coquetel, que são três drogas. Aí conseguimos tirar o vírus do sangue, eliminá-lo da circulação. Hoje a Aids é uma doença completamente controlável. Crônica, mas controlável. Pode ser comparada à hipertensão ou diabetes, sem dúvida nenhuma. Se o paciente toma o remédio direito e responde adequadamente ao tratamento, ele tem uma vida absolutamente normal. Tenho pacientes que estão em tratamento há 18 anos. São produtivos, com família, namorando e trabalhando. A não ser que haja um acidente de percurso, levarão uma vida tão longeva quanto teriam se não tivessem a infecção pelo HIV. Houve um avanço muito grande. Outro fantasma, que apareceu nos últimos anos com o uso do coquetel, era a resistência. Pacientes que não  tomavam o remédio direito começavam a criar resistência. De repente, nenhum dos remédios funcionava, ele ia descendo a ladeira e morria. Mas, de dois anos para cá, com novos medicamentos, temos condições de tratar o paciente como se fosse a primeira vez. Foi dada a eles a possibilidade de fazer uma terapia de resgate, com a capacidade de controlar a infecção comparável àquela de pacientes que nunca tomaram remédio antes.    

A popularização dos medicamentos contra a impotência, como o Viagra, tem sido associada ao crescimento do número de casos de Aids entre pessoas com mais de 50 anos de idade. Um dos agravantes não seriam as campanhas de prevenção, que só focam os jovem?

Hoje nós temos uma epidemia crescente em dois grupos populacionais: pessoas abaixo de 20 anos, que estão entrando na atividade sexual e não receberam o impacto da epidemia de Aids no passado. Não viram os artistas que morreram de Aids nem a repercussão disso na imprensa. Hoje a doença é encarada com mais naturalidade. Perdeu o estigma, felizmente, mas talvez haja a necessidade de reascender o interesse dessa população mais jovem. No caso do idoso, o outro grupo com epidemia crescente, é realmente uma falha. É uma população, hoje, sexualmente ativa. Tenho pacientes com Aids que têm 70, 75 anos e se contaminaram depois dos 60 ou 65. E são pessoas mais refratárias ao uso da camisinha. Os homens dessa faixa etária não gostam,  primeiro porque nunca usaram, segundo porque acham que a camisinha representa um risco de não conseguir a ereção. Mulheres nessa faixa etária que eu atendo já me disseram, claramente, que os parceiros não aceitavam usar camisinha. Ou abriam mão do relacionamento ou aceitavam este preço. É preciso que o governo dê mais atenção a isso com campanhas específicas.(Rejane Carneiro | Ag. A TARDE- Vitor Pamplona) Revista MUITO

 

 

 


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