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Adeus ao mito

CARTA ABERTA DO DECANO DO MOVIMENTO HOMOSSEXUAL BRASILEIRO AO DEPUTADO CLODOVIL
Editoria local


Luiz Mott, carta aberta a Clodovil

17.03.09 - Salvador, BA

Prezado Deputado Clodovil

Você e eu fazemos parte de um mesmo pequeno grupo de “pessoas especiais”: somos amantes do mesmo sexo que há quase meio século fomos suficientemente machos para sair do armário e defender nossa causa na mídia. Você hoje com setenta, eu com sessenta anos. Quando rapazinho, Denner e “Clô”  foram os primeiros homens “delicados” que vi na minha vida, acho que na TV Tupi. Em seguida vibramos com tua inteligente memória, na Globo, respondendo sobre a vida de  Dona Beja .

Em 1972 o deputado paulista Mantelli Neto apresentou projeto de lei para proibir a presença de homossexuais na televisão: visava diretamente tirar você do ar. Foi nesta mesma década que você enfrentou a discriminação de um funcionário do Tribunal Regional Eleitoral que recusava renovar seu título de eleitor, porque na foto você aparecia com os cabelos compridos “como uma mulher”. Durante a ditadura, em 1983, o deputado Edvaldo Holanda (PDS/Maranhão) oficiou ao Ministério da Justiça solicitando que você fosse censurado, juntamente com Capitão Gay e Zacarias dos Trapalhões, “para evitar a deformação de milhões de crianças e adolescentes com suas exaltações do homossexualismo”. Em 1986 a Folha de São Paulo noticiou: “Clodovil e novela na mira da Censura”. 

Embora você talvez não saiba, também desde a década de 70 um bando de devotados gays e lésbicas assumidos vem lutando incansavelmente, já contabilizando importantes vitórias, para garantir aos amantes do mesmo sexo, inclusive aos transgêneros e efeminados, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Protestamos muitas vezes em praça pública; enviamos incontáveis cartas às autoridades e aos jornais e televisões; aprovamos centenas de leis municipais, estaduais e federais, garantindo que hoje em dia, qualquer gay, lésbica, travesti  e bissexual (GLTB) possa ter o cabelo feminino, o corpo ou vivenciar o  papel de gênero  “como uma mulher”, podendo aparecer e se auto-identificar livremente enquanto tal na televisão. Ainda não conseguimos vencer uma batalha crucial: erradicar os freqüentes e sangrentos crimes contra homossexuais, que fazem de nosso querido Brasil, apesar de ostentar a maior parada gay do mundo,  o campeão mundial de crimes homofóbicos. A cada dois dias um homossexual é barbaramente assassinado, vítima da homofobia.


Tua eleição, Clodovil, a Deputado Federal pelo meu estado natal, São Paulo, com quase meio milhão de votos, é um marco importantíssimo na história homossexual do Brasil, já que você é o primeiro gay assumido a ocupar cargo tão fundamental.

Apesar de discordarmos de algumas declarações tuas contra o casamento gay, contra as Paradas, contra parlamentares simpatizantes, agora como Parlamentar, querendo ou não, você é uma grande esperança de mais de 20 milhões de brasileiros homossexuais que ainda continuam presos no armário, com vergonha de ser o que há tantos anos, você e eu temos orgulho de ser, como você disse, da mesma estirpe de Miguel Ângelo, Leonardo Da Vinci, Garcia Lorca, Santos Dumont, e tantas e tantos outros.

Aceite este nosso estender de mão, Clodovil. Dialogue com a gente. Vamos lutar pelo que temos em comum. Queremos tua presença instigante na Frente Parlamentar pela Livre Orientação Sexual. Queremos ter orgulho de você!
Afinal, como você gosta de lembrar, todos somos filhos de Deus e nascemos para brilhar!

Luiz Mott, Decano do MHB (2006)

P.S. Apesar de Clodovil ter-me respondido por telefone que estava disposto a unir esforços com o movimento gay, infelizmente, mesmo afiliando-se à  Frente Parlamentar GLBT, continuou hostil à liberação homossexual. Não quis ser herdeiro dos ideais de Harvey Milk. 

 

Clodovil foi um "gay alienado", diz Luiz Mott
José Cruz/Agência Brasil

Clodovil Hernandes teve a morte cerebral anunciada pela equipe de médicos do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. O deputado federal sofreu um acidente
vascular cerebral


Claudio Leal


Líder histórico do movimento gay brasileiro, o antropólogo Luiz Mott analisa
a trajetória do ex-deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP), que teve
morte cerebral anunciada na tarde desta terça, como a de um "gay alienado e
exibicionista". Mott critica o "desperdício" da intelegência do estilista
num "projeto de vida furado".

- Clodovil sempre foi polêmico. Foi eleito com quase meio milhão de votos,
por eleitores não predominantemente homossexuais, num partido, o PR,
absolutamente contrário aos direitos GLBT (Gays Lésbicas, Bissexuais e
Transgêneros). Como decano do movimento homossexual, eu estendi a mão
diversas vezes, enviando a agenda do movimento para tentar fazer de Clodovil nosso aliado. Apesar de ter entrado na frente parlamentar (GLBT), ele só fez declarações antipáticas e hostis a nossas reivindicações.

O fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB) sintetiza a personalidade do
ex-deputado:

- Infelizmente, foi um gay alienado, exibicionista e que desperdiçou sua
inteligência e sua audácia em favor de um projeto de vida furado,
completamente ultrapassado e elitista.

Mott recorda-se da experiência de ser entrevistado por Clodovil, na TV
Gazeta, no início dos anos 90. Em vez de abordar a homofobia no Brasil, o
apresentador só queria falar de "amenidades" da família do militante gay e
de seus hábitos alimentares. Um retrato sem retoque, na hora em que
predominam os discursos de praxe:


- Foi uma inteligência mal aproveitada. Além do fato de ter dado
visibilidade ao modelo de vivência homossexual já ultrapassado, a bicha
desmunhecada que alfineta a todo mundo, de Marta Suplicy ao movimento GLBT, não vejo nenhuma contribuição de Clodovil, à exceção do projeto do exame de próstata, que ele tentou facilitar no Brasil - avalia Mott.

Terça, 17 de março de 2009, 17h08 Atualizada às 17h13  TERRA
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