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Eleições municipais
Editoria local por LUIZ MOTT
SALVADOR, 7/09/08 - Quanto você nasceu Leo Kret, o Grupo Gay da Bahia já tinha três anos de luta contra a homofobia. Lutamos duro nestes quase 30 anos de existência para garantir o direito de hoje uma transexual ocupar um lugar na Câmara Municipal de Salvador. Você tinha um ano quando nossa Câmara comemorou pela primeira vez o “dia do orgulho gay”. Era ainda tempo da ditadura, e no seu segundo aniversário, um jornal publicou essa sentença de morte: “Mantenha Salvador limpa, mate uma bicha todo dia!” Quando você completou quatro aninhos, o GGB foi a primeira ONG gay do Brasil a ser declarada “utilidade pública municipal”. Em 1990, quando você apagava sete velinhas no bolo de aniversário, com apoio da então vereadora Beth Wagner e grande empenho do Marccelus, vice presidente do GGB e seu principal repórter, a Câmara de Salvador pela primeira vez no Brasil incluiu na sua Lei Orgânica a proibição de discriminar por “orientação sexual”. Quando você festejou seus 12 anos, o GGB fundou a Associação de Travestis e Transformistas de Salvador, a primeira do Nordeste, e que persiste até hoje defendendo as “trans”: travestis, transformistas, transexuais, transgêneros. Neste mesmo ano (1995), a Prefeitura assinava um contrato com o GGB para prevenção da Aids. Em 97, nos seus 14 anos, quando deve ter começado a se afirmar como “trans”, a nossa Câmara aprovou a Lei Municipal n. 5275/97, que penaliza a homofobia em Salvador. Em 2005, por iniciativa do GGB e apoio das vereadoras Vânia Galvão e Ariane Carla, a Câmara celebrou pela primeira vez o Dia Mundial contra a Homofobia. É a partir deste ano, 2005, que Leo Kret se torna freqüentadora assídua das reuniões do Projeto Se Ligue, na sede do GGB, aprendendo com o Coordenador Cristiano nossa palavra de ordem: “Gay, Lésbica, Travesti, Transexual, tudo é normal: o preconceito é que faz mal!” Foi no GGB onde você fez suas primeiras entrevistas e vídeos, foi no alto do nosso trio da parada gay do ano passado que recebeu o título e faixa de “fadinha”. Portanto, Vereadora Leo Kret, você tem uma dívida histórica com o movimento translesbigay da Bahia e do Brasil: tem de ser nosso orgulho! Já que foi eleita pelo mesmo partido do Bispo Crivella, siga este sábio conselho de Jesus: “Eis que eu vos envio como ovelha para o meio de lobos; sede, portanto, prudente como as serpentes e simples como as pombas” (Mateus 10:16). Muito cuidado, Leo Kret, pense mil vezes antes de falar. Cuidado com os “assessores” de última hora. Seja você mesma, exija respeito, mas se dê respeito! Cidadania não tem roupa certa, mas a dignidade do cargo para que foi eleita exige respeito, compostura, dignidade. Clodovil, infelizmente, apesar de sua inteligência e de ser campeão de votos, nos envergonhou e foi excomungado pelo movimento LGBT. Faça tudo com a máxima dignidade e competência, para que, todos nós que não votamos em você, sejamos seus eleitores convictos nas próximas eleições. Boa sorte, Leo Kret. Luiz Mott, Decano do Movimento Homossexual da Bahia e do Brasil, Comendador da Ordem do Rio Branco e do Mérito Cultural <luizmott@oi.com.br> Materias anteriores - Leokret princesa fadinha da VI Parada Gay
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