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Orgulho e alegria

11° edição da Parada pela Diversidade Sexual do Ceará atraiu ontem 850 mil pessoas para a avenida Beira-Mar

Salvador,BA 28 de junho de 2010 - por Júlia Lopes do O Povo, CE.


Parada da Diversidade Ceará 2010

 

Fantasiada de fada na XI Parada pela Diversidade Sexual, que ocorreu ontem na avenida Beira-Mar, ela disse que já tinha realizado desejos, mas não ia dizer quais. “Nem pra quem!”, se negou Lara Delaqua, 23.

Não tem problema: isso não impediu que ela fizesse sucesso na avenida com o vestido que passou três dias para fazer, feito “por essas mãozinhas que você tá vendo”. Muitos flashs dos transeuntes, um quase nada de suor ameaçava a maquiagem, e a travesti não parava de sorrir. “Essa festa é linda, venho sempre”.

Pena que nesta edição pouca gente tenha decidido pela fantasia – era um anjinho aqui, um diabinho ali, uma enfermeira do lado e outro fantasiado acolá que ninguém sabe muito bem qual propósito. O público em geral desfilava, suado com o calor da tarde, ou se acotovelava com o vendedor de bebidas, a turma que dançava ao lado do trio. Vez em quando aparecia alguém querendo se proteger da confusão, se espremendo contra os muros. Era em vão.

“Esse é nosso dia, a gente pode liberar tudo”, se alegrava Edy Moreira, 27. Por isso um copo para refrescar o calor, por isso a disposição para enfrentar a multidão – segundo a Polícia Militar, a estimativa de público foi de aproximadamente 850 mil pessoas, 50 mil a mais que no ano passado. Ele se deu ao luxo, inclusive, de deixar os amigos, que preferiram um lugar mais confortável, para ficar no meio da avenida. Só quem acompanhou foi a amiga Gisele Santos, 29. “Aqui a gente também luta contra a discriminação”.

“A Parada tem um componente festivo, mas a gente acredita que a maioria venha pela luta a favor dos direitos, para a luta contra a homofobia”, acredita Francisco Pedrosa, presidente do Grupo de Resistência Asa Branca, o Grab, organizador do evento desde a sua primeira edição. Com o tema “Vote contra a homofobia, defenda a cidadania”, a organização quer chamar atenção para o projeto de lei que criminaliza a homofobia, a exemplo do que acontece com a discriminação racial: tornando este um crime inafiançável.

Logo atrás, o trio da Associação de Travestis do Ceará (Atrac) mandava um alô para a caravana do Acarape, que levava 100 pessoas para a parada. E para o pessoal da Caucaia, Pirambu, Messejana... “Fortaleza está mais consciente”, comemora o ator Silvero Pereira, convidado para fazer uma performance naquele trio. “Essa Parada tá escândalo”, festeja Tina Azevedo, presidente da Atrac. “Parece que só aumenta o público”. E se rejuvenesce, se renova: comum foi ver garotos e garotas expressando sua sexualidade, livremente, ainda que num tempo e espaço reservados.

 

 


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