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As vésperas do dia do Orgulho Russomanno discursa prol gay

Jedson Nobre

 

27/06/2007
As vésperas do dia do Orgulho Gay no plenário do Congresso Nacional o Deputado CELSO RUSSOMANNO (PP-SP) pronuncia discurso exigindo respeito e cidadania para homossexuais no Brasil, confira abaixo pronunciamento.

Deputado Federal por São Paulo CELSO RUSSOMANNO  
BRASILIA, DF, Das Assessorias.
 

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, a democracia não é apenas o poder das maiorias, mas também o respeito pelas minorias. O poder da maioria, por si só, pode ser repressivo: lembremos que as religiões protestantes e afro-brasileiras já foram proibidas no Brasil, em nome da vontade da maioria, ou, pior ainda, em nome da suposta vontade de Deus.

Lutar pela liberdade de religião não interessa apenas aos religiosos, assim como lutar contra a pobreza não interessa só aos pobres, e lutar contra o racismo não interessa só aos negros. Da mesma forma, lutar contra os preconceitos sexistas não interessa só às mulheres ou aos homossexuais. Interessa a todos os que querem uma sociedade mais justa para com as minorias, inclusive as minorias religiosas, como os evangélicos e os umbandistas, que assim com os católicos, todos pregam o amor ao próximo e  a não discriminação como lei áurea.
No dia 28 de junho o mundo inteiro comemora o Dia Internacional do Orgulho Gay. Trata-se de uma oportunidade de reflexão para todos nós, interessados no aperfeiçoamento da democracia, já que os homossexuais representam por volta de 10% da humanidade, aproximadamente 18 milhões de brasileiros e brasileiras.

Sou membro da frente parlamentar dos que combatem os preconceitos em relação aos homossexuais. Uma forma de combater os preconceitos é através de leis; sendo assim, lembro a responsabilidade desta Casa ao analisar e aprovar, espero, o Projeto de lei da Deputada Iara Bernardi, que  tipifica como crime a homofobia. Sabemos que as leis demoram alguns anos para mudar  preconceitos arraigados em nossa cultura; sabemos que, apesar da lei, muitos continuarão a temer os homossexuais, como alguns temem os negros ou o poder feminino.

Da mesma forma que as leis anti-racistas tendem a transformar o racismo num problema para os racistas, a ser corrigido psicologicamente, sem reflexos negativos para a sociedade, a lei contra a homofobia transformará esse problema social numa questão de foro íntimo daqueles que, por recalque ou ignorância, temem e combatem os homossexuais.
Senhoras e Senhores: evidências científicas apontam para o fato de que o homossexualidade não é uma perversão ou uma escolha. De alguma forma, os genes ou  o meio ambiente determinam a atração por indivíduos do mesmo sexo, para o sexo oposto ou para ambos os sexos entre humanos ou animais. Sendo assim, a homossexualidade é tão natural quanto a heterossexualidade ou bissexualidade, e, segundo os biólogos, nasceu antes mesmo de a humanidade existir como espécie.

Homossexuais célebres, como Tchaicóvski, Leonardo da Vinci, Oscar Wilde, João do Rio e Santos Dumont, poderiam ter tido vidas mais felizes e produtivas caso não houvessem sido vitimados pelo preconceito.  Felizmente, a sociedade brasileira tem-se tornado mais tolerante, como demonstra o sucesso da parada Gay de São Paulo, que reuniu, na Avenida Paulista e à luz do dia,  quase três milhões e meio de pessoas, ou seja, um terço da população da maior metrópole do Hemisfério Sul.

Os avanços ocorridos na legislação e na sociedade também podem ser sentidos no Judiciário. Casais homossexuais têm sido reconhecidos para fins de herança, assistência de saúde, adoção de crianças, concessão de visto ou nacionalidade e até mesmo assentamento rural, na reforma agrária. Senhoras e Senhores: embora esse Congresso hesite ainda em reconhecer legalmente a União Estável de Pessoas do Mesmo Sexo, muitas empresas e autarquias, como o Banco do Brasil, o INSS, a Caixa Econômica Federal, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, o Plano de Saúde da Universidade Federal da Banhia, a Rede Globo e a Walt Disney Corporation já reconhecem o popularmente chamado “casamento gay”.

Ora, se até o império Disney, referência mundial em entretenimento infantil, orgulha-se de ser uma empresa amigável para os Gays, tratando-os com o devido respeito, é difícil entender as pessoas que se opõem ao reconhecimento desses direitos no âmbito de um País como o Brasil, supostamente um dos países mais liberais do mundo. Existe uma minoria que se opõe ao uso de  preservativos, como forma de combater a AIDS; existe  uma outra minoria que aponta as religiões afro-brasileiras como servidoras de satã; e existe a minoria homossexual, que paga impostos e reivindica para si os mesmos direitos já desfrutados por seus opositores. Tais direitos são elementares, Senhoras e Senhores, e não podem ser negados, como querem alguns, com base na suposta palavra de Deus, pois se Deus assim não quisesse não teria colocado no mundo os homossexuais.

O Brasil não é e nem quer ser uma teocracia, como muitos países do oriente. O Brasil quer ser uma democracia moderna e laica, e respeitar os indivíduos, sem discriminar a orientação sexual ou religiosa de cada um deles. Daí unir-se o Brasil aos países mais civilizados do mundo e lembrar que 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho Gay. Obrigado.

 


 


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