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Tribuna amiga ( Do site Mix Brasil em São Paulo)
2/7/2009
Deputado federal discursa em homenagem aos 40 anos de Stonewall
Por Hélio Filho


Deputado federal pelo Estado de São Paulo, Celso Russomano (PP) ocupou a tribuna do plenário da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira, 2, para lembrar da importância do episódio de Stonewall, que deu início ao movimento gay, e pedir mais tolerância à sociedade com a diversidade sexual. No discurso, o parlamentar enfatiza ainda que é muito importante que o Congresso Nacional aprove o Projeto de Lei 122/06, que criminaliza a homofobia em todo o Brasil.

Acostumado com a diversidade sexual todos os dias em seu gabinete com seus assessores, o deputado mostra em seu discurso conhecimento de causa e defende veementemente a condição de que ser homossexual não é uma opção, muito menos uma perversão. “Trata-se de atração, carinho e amor e que não depende de orientação sexual e sim de sentimentos. Por isso, acredito que a homossexualidade não seja doença e tão pouco pederastia.”

Confira a íntegra do discurso:

Senhor Presidente da Câmara dos Deputados, Senhoras e Senhores Deputados, em 28 de junho, o mundo comemora o Dia Internacional do Orgulho Gay, também chamado Dia da Consciência Homossexual.

Há 40 anos, em Nova York, em um bar frequentado por homossexuais, a polícia agrediu, como aliás era de costume, muitos dos que ali estavam, num brutal espetáculo de opressão do homem pelo homem. Indignados, os agredidos reagiram, desencadeando um protesto que se estenderia por dias, com milhares de manifestantes reunidos na chamada Marcha de Stonewall. Começava ali a ecoar pelo mundo, em alto e bom som, o grito de basta, o não veemente à  intolerância, ao preconceito, à homofobia.

A partir de então, todos os anos, cada vez mais manifestantes saem às ruas, nas já tradicionais Paradas de gays, lésbicas, travestis, bissexuais, transgêneros (GLBT), numa expressão pública do movimento social organizado.

No Brasil, essas manifestações se iniciaram em 1981, na Bahia, e hoje acontecem nas 27 unidades da Federação. São cerca de 150 paradas, e a maior delas acontece em São Paulo, com mais de 3 milhões de participantes nesta última edição.

Infelizmente, em muitos lugares, e vergonhosamente aqui no Brasil, a cada ano, acontece um número assustador de episódios de intolerância, por exemplo, a explosão da bomba jogada do alto de um prédio da Avenida Paulista, que feriu 22 pessoas, ou o espancamento, que resultou na morte de um jovem de 35 anos, na Parada GLBT 2009, na capital do meu Estado. E o mais triste é que essas agressões se direcionam a pessoas cujo único crime é fugir aos padrões estabelecidos pela ignorância, pela mediocridade, pela pequenez, pela irracionalidade do dito único animal racional do planeta, nobres Colegas!

Vale lembrar que há muito as evidências científicas apontam para o fato de que a homossexualidade não é uma perversão ou uma escolha. De alguma forma, os genes ou o meio ambiente determinam a atração por indivíduos do mesmo sexo, entre humanos ou animais. Sendo assim, o homossexualismo é tão natural quanto o heterossexualismo, e nasceu antes mesmo de a humanidade existir como espécie. Portanto, Senhoras e Senhores Deputados, não pode ser motivo de discriminação, em hipótese alguma!

Homossexualidade não é doença muito menos pederastia, a homossexualidade é uma atração natural, devido à  formação cerebral do ser humano, provado por estudos da universidade de São Paulo -USP. Não se pode obrigar que uma determinada pessoa tenha ou não atração por pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto. Isto está intrínseco no ser humano e não depende da orientação sexual até mesmo porque se obrigássemos uma pessoa heterossexual a se interessar por uma pessoa do mesmo sexo, ela teria repúdio àquela imposição, o mesmo ocorreria com um homossexual.

Trata-se de atração, carinho e amor e que não depende de orientação sexual e sim de sentimentos. Por isso, acredito que a homossexualidade não seja doença e tão pouco pederastia.

Venho protestar contra a agressividade, a falta de respeito, e me solidarizar com os agredidos, com os milhões de brasileiros e não brasileiros que são marginalizados por terem uma orientação sexual que foge aos tais padrões instituídos. Estima-se que sejam 10% da população mundial, cerca de 20 milhões de brasileiros e brasileiras discriminados, violentados, assassinados. Só nos últimos 20 anos, mais de 2,5 mil homossexuais brasileiros foram barbaramente executados, vítimas da homofobia, Senhor Presidente.

Estudo realizado desde 1980 pelo Grupo Gay da Bahia, coordenado pelo antropólogo Luiz Mott, aponta que, em 2008, 190 homossexuais foram assassinados no Brasil, o que representa mais de um a cada dois dias. Um verdadeiro absurdo, em pleno século XXI, num país que é tido como um dos mais liberais do mundo, Senhor Presidente.

Isso acontece, entre muitas razões, porque há estímulo ao preconceito, muitas vezes ao vivo e em cores, pela mídia, nas rodas de amigos, com piadas, insinuações, num flagrante desrespeito ao próximo e aos preceitos da nossa Carta Cidadã, em seu Artigo 3: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir uma sociedade livre, justa e solidária, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Uma das formas de inibir isso é construir um estatuto legal que criminalize as atitudes preconceituosas. Nesse sentido, lembro a responsabilidade desta Casa ao analisar e aprovar, espero, o Projeto de lei da Deputada Iara Bernardi, que tipifica como crime a homofobia.

A despeito desse quadro vexatório, não se pode negar que há avanços importantes no Brasil: casais homossexuais têm sido reconhecidos para fins de herança, assistência de saúde, adoção de crianças, concessão de visto ou nacionalidade e até mesmo assentamento rural, em projetos de reforma agrária.

Também merece destaque o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de GLBT, elaborado pelo atual governo, com 180 ações contra a homofobia e a favor do respeito à diversidade humana. O Plano é fruto de conferências GLBT nas 27 unidades da federação e da 1ª Conferência Nacional GLBT, iniciativa inédita no mundo, realizada em junho de 2008, com a presença do presidente Lula.

Mas é pouco, é preciso criar a consciência de todos, promover mudanças culturais, para haver, de fato, o respeito a todos!

Nesse sentido, lembro as sábias palavras do pacifista Nelson Mandela:para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.

Com isso, manifesto minha crença na bondade humana, na capacidade de aprender a amar que temos todos nós, na luta que podemos e devemos encampar, para fazer do Brasil uma democracia moderna e laica, em que se respeitem os indivíduos, todos os indivíduos, sem se preocupar com a orientação sexual ou religiosa de cada um deles.
Obrigado!

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As vésperas do dia do Orgulho Russomanno discursa prol gay

 

 

 

 

 


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