A aposentadoria de Fidel Castro como comandante supremo de Cuba é um alívio para os homossexuais cujo principal organização de defesa no Brasil, o Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgou nota ontem “exigindo” que “o ditador, antes de morrer, reconheça e peça perdão, pelos graves erros da revolução cubana, responsável pela desmoralização, perseguição, prisão em campos de concentração com trabalho forçado, tortura, expulsão e morte de milhares de gays, travestis e lésbicas”.
Conforme o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, “Fidel Castro tem uma dívida histórica a ser resgatada com a humanidade: deve assumir que errou gravemente em tornar Cuba um inferno para os homossexuais e transexuais, causando muita dor, sofrimento, estigmatização e morte de milhares de amantes do mesmo sexo”. Ele lembrou uma recente entrevista da sobrinha de “El Comandante” a sexóloga Mariela Castro, ao jornal mexicano La Jornada, a própria sobrinha de Fidel Castro, reconheceu que “a homofobia oficial desenvolvida pelo regime cubano nas últimas décadas foi um erro”.
O GGB registrou que “segundo informes oficiais”, 1.700 “homossexuais incorrigíveis” de Cuba foram deportados para os Estados Unidos, embora organizações de direitos humanos calculem que ultrapassaram 10 mil gays e travestis expulsos do país. Endossando as inúmeras denúncias sobre a perseguição aos homossexuais na ilha, o Grupo Gay da Bahia vai realizar em março na capital baiana uma exposição de fotos e depoimentos, documentando a homofobia em Cuba.
O antropólogo Luiz Mott, decano do Movimento Homossexual Brasileiro e fundador do GGB disse que a entidade dispõe “de duas dezenas de cartas de gays cubanos, recebidas nos últimos 30 anos, todos buscando avidamente um companheiro no Brasil para fugir do inferno que ainda hoje representa ser gay num país que não aprendeu a lição de Che Guevara: “Hay que endurecer, sem perder jamais a ternura”.
Conforme Mott, o próprio Guevara, ao encontrar na Biblioteca da Embaixada Cubana em Argel, a obra Teatro Completo de Virgilio Piñera, homossexual assumido, jogou o livro na parede, dizendo: “como vocês têm na nossa embaixada o livro de um ‘pajaro maricon’!”, o sinônimo de baixo calão para gay.