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CULTURAL
- Leitura
Manual Prático dos Direitos de Homossexuais e Transexuais
O
direito de homossexuais e transexuais é um tema que se encontra
na esfera do Direito de Família. A cada dia, um número maior
de juízes passa a aceitar esta proposição, com base
em um panorama de maior liberdade social.
Sylvia Mendonça do Amaral acompanha esta evolução
e dedica-se a estudar o tema, sintetizando sua experiência neste
livro. O texto é redigido de forma simples, destinado aos leigos
em Direito, sendo útil ao estudante que busca seus conhecimentos.
A autoria é advogada formada pela faculdade de Direito de São
Bernardo do Campo em 1986, atuando na área de Direito de Civil,
contencioso e consultivo. Especializada em Direito de Família pela
PUC/MG. Sócia efetiva do Instituto Brasileiro de Direito da Família.
Sócia do escritório Correia da Silva e Mendonça do
Amaral Advogados. Editora Edições Inteligentes, São
Paulo, 111 páginas, contatos com a autora podem ser feitos pelo
e-mail sylvia@amaral.com.br.
Vange Leonel lança "Balada para as meninas
perdidas
Novo livro da autora retrata a cena clubber de jovens homossexuais
modernas numa grande metrópole, com toques de filosofia, humor,
romance e música eletrônica.
Já
está nas livrarias Balada para as meninas perdidas
(R$ 26,90), de Vange Leonel, lançado em novembro pelas Edições
GLS. Com toques de filosofia, humor, romance, sexo entre garotas, música
eletrônica, mistério e fantasia, o novo livro da autora é
uma obra de ficção e retrata a cena clubber de jovens homossexuais
modernas numa grande metrópole.
Balada ... conta a história de duas
grandes amigas, Lelê e Belzinha, que já foram namoradas e
se divertem saindo todas as noites para as baladas da cidade à
procura de sexo e aventuras amorosas. Uma terceira personagem, enigmática,
aparece para agitar ainda mais a vida das duas amigas. Esta personagem
misteriosa volta para a balada aos 40 anos, para tentar resgatar a própria
juventude, situação inspirada levemente na fábula
de Peter Pan.
As personagens transitam no universo da música eletrônica
e a história é pontuada por citações de bandas
e cantores Vange utiliza um pouco de seu background como cantora. O livro
traz, inclusive, uma trilha sonora para balada, sugerida pela jornalista
Cilmara Bedaque, que vai de Dusty Springfield e Julie London, passando
por Bikini Kill e Luscious Jackson até Peaches, Slumber Party,
Tracy & The Plastics e Yeah Yeah Yeahs.
Em Balada ..., são retratadas lésbicas
de todos os tipos e cores. "Sempre senti falta, nos livros que lia
quando adolescente, de personagens homossexuais que não fossem
estereotipadas", diz Vange. "Após anos convivendo com
garotas de toda espécie, freqüentando clubes e boates, quis
fazer uma ficção sobre a noite lésbica, com muito
humor e algum lirismo. Há um pouco de aventura, ciúme, brigas,
intrigas e, naturalmente, sexo!". De fato, esse é um diferencial
que chama a atenção no livro de Vange: ela é generosa
ao narrar detalhes sobre transas entre garotas. "Sempre senti falta
de descrições pormenorizadas e verossímeis de sexo
lésbico nos livros", conta.
A autora
Vange Leonel nasceu na cidade de São Paulo, no dia 4 de maio de
1963. Como cantora e compositora, lançou três discos: Nau
(CBS Discos, 1987), Vange (Sony Music, 1991) e Vermelho (Medusa Records,
1995). Alcançou os primeiros lugares nas paradas de sucesso em
todo o Brasil com a música "Noite Preta" (em parceria
com a jornalista Cilmara Bedaque), tema de abertura da novela Vamp, da
Rede Globo.
Em 1992, recebeu o prêmio Sharp como cantora revelação
no gênero pop-rock e, ao mesmo tempo, assumiu publicamente sua homossexualidade.
A partir de 1997, começou a escrever crônicas destinadas
a lésbicas na revista SuiGeneris e no site do Mix Brasil (coluna
Bolacha Ilustrada, dentro do e-zine CIO). Em 2000, estreou como autora
teatral, com a peça As sereias da Rive Gauche. Em 2001, lançou
o livro Grrrils Garotas Iradas (Edições GLS), uma compilação
de suas crônicas na SuiGeneris. Desde 2001, assina, a cada quinze
dias, a coluna GLS na Revista da Folha, encarte dominical do jornal Folha
de S. Paulo. Em 2002, lançou o livro As Sereias da Rive Gauche
(Editora Brasiliense), com o texto completo da peça homônima,
e recebeu um prêmio pelo conjunto da obra, oferecido pela Associação
da Parada do Orgulho GLBT.
Mais informações pelos e-mails lulan@lufernandes.com.br
ou ivanicardoso@lufernandes.com.br,
ou pelo tel. 0(XX)11-3814-4600
Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo
O
resultado de um estudo completo da atual situação dos homossexuais
masculinos brasileiros especificamente dos gays moradores da Zona Sul
carioca está em Homossexualidade: do preconceito aos padrões
de consumo, livro da psicóloga Adriana Nunan, lançado
em outubro pela Editora Caravansarai. O título é a adaptação
da tese de mestrado em Psicologia Clínica de Adriana, defendida
em dezembro de 2001 na Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Embora a homossexualidade seja cada vez mais discutida na sociedade brasileira,
ainda são escassos os trabalhos acadêmicos sobre o assunto,
seja na área da Sociologia, da Antropologia ou da Psicologia, por
exemplo. Essa carência foi um dos motivos que levou a psicóloga
a escolher o tema para sua tese de mestrado.
Rio de janeiro, RJ, 2003, 360 páginas, R$ 38.
Livro denuncia violência contra homossexuais
Exatos 126 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil
em 2002. O Estado da Bahia foi, pela primeira vez, o campeão, com
20 mortes! A maior parte dos homicídios foi cometida com requintes
de crueldade:Espancamento, tortura, muitas facadas e diversas declarações
dos assassinos que confirmam sua condição homofóbica.
“Matei porque odeio gay”, foi a justificativa
dada por um jovem criminoso para estrangular e esfaquear um homossexual
em Salvador. A cada três dias, um homossexual brasileiro barbaramente
assassinado, vítima da homofobia. A frase é também
título do novo trabalho do antropólogo Luiz Mott e do presidente
do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, onde eles reconstroem o perfil
das vítimas e dos assassinos.
De acordo com documentação divulgada pelo Grupo Gay da Bahia,
no Brasil, entre 1980-2002, foram assassinados 2.218 homossexuais, o que
faz de nosso país o campeão mundial de crimes homofóbicos:
em média, matam-se 35 homossexuais por ano no México, 25
nos Estados Unidos, enquanto no Brasil o número passa de 100. Os
gays representam 67%, as travestis 30% e as lésbicas 3% das vítimas.
A Bahia, pela primeira vez em duas décadas, liderou esta lista
macabra: 20 homossexuais assassinados (para uma população
de 11 milhões), seguida por São Paulo, com 19 vítimas
(e o dobro da população). Pernambuco, considerado o estado
mais violento contra os homossexuais nos últimos cinco anos, baixou
para terceiro lugar, com 16 mortes. Segundo o coordenador da pesquisa,
Luiz Mott, “as regiões Norte e Nordeste são as mais
violentas: aí foram cometidos 52% dos crimes, embora ambas representem
34% de nossa população. O Sudeste é a região
que apresentou o menor número de assassinatos, pois, contando com
42% da população nacional, registrou 23% dos crimes.”
Na flor da idade - O perfil das vítimas se mantém
bastante fixo nos últimos anos: predominam homens na flor da idade,
69% entre 18-39 anos; 70% são afro-descendentes (48,5% pardos e
21,5% pretos). Quanto à profissão, sobressaem-se cabeleireiros,
professores, travestis profissionais do sexo, empresários, cozinheiros,
três pais de santo, dois sacerdotes, dois jornalistas. Quanto à
causa mortis, predomina o uso de armas de fogo, seguida por facas e instrumentos
perfuro-cortantes, pauladas, estrangulamento, asfixia, degolamento, pedrada.
Uma das vítimas levou 42 facadas.
O padrão dominante é o assassinato à facada dentro
da casa da vítima, enquanto as travestis, em sua maioria profissionais
do sexo, morrem de tiros, na rua. Domingo é o dia em que mais ocorrem
estes crimes: segundo Marcelo Cerqueira, “como muitos gays são
rejeitados por suas famílias, domingo é o dia de maior solidão,
daí muitos procurarem relações sexuais no fim de
semana para compensar carência afetiva devido à discriminação
familiar”. Cerca de 80% das mortes ocorreram entre sete da noite
e as seis da manha.
Ódio - Como mais de 95% dos homossexuais vivem enrustidos, “dentro
do armário”, a maioria das relações homoeróticas
são mantidas secretamente, o que dificulta a identificação
dos assassinos: 40% dos matadores de homossexuais são jovens com
menos de 21 anos,
predominando os garotos de programa, estudantes, desempregados. Em 90%
dos casos, o crime é motivado pela homofobia, ou seja: o ódio
contra a vítima foi a causa principal ou o agravante da morte.
Para Mott, “a homofobia está presente mesmo nos latrocínios
de gays e assassinatos de travestis registrados na zona de prostituição,
pois a vulnerabilidade social dos homossexuais facilita a perpetração
destes homicídios. Basta ver que as prostitutas, que compartilham
os mesmos espaços com as travestis, rarissimamente são assassinadas!”.
Três são as soluções indicadas pelo Grupo Gay
da Bahia para diminuir e erradicar em médio prazo os crimes contra
homossexuais: cautela máxima por parte dos gays e travestis, evitando
relações com desconhecidos ou em situações
de risco; maior severidade da polícia e da justiça em investigar
e punir exemplarmente os criminosos; instituir cursos de educação
sexual em todos os níveis escolares, estimulando a tolerância
e a aceitação de que direitos sexuais também são
direitos humanos. No site do GGB (www.ggb.org.br), o texto "Gay vivo
não dorme com o inimigo" ensina dez dicas de como não
ser assassinado.
O livro MATEI PORQUE ODEIO GAY, com 256 páginas e fotos de algumas
vítimas e assassinos, pode ser adquirido pelo reembolso postal
junto à Editora Grupo Gay da Bahia.
Record lança biografia marginal de Jean Genet
GENET:
UMA BIOGRAFIA é o relato definitivo da vida marginal dos internatos
à deportação, passando pelas cadeias de um dos mais
polêmicos escritores franceses do século XX. Edmund White
apresenta uma biografia meticulosa, fruto de um trabalho de sete anos
de pesquisa, onde apresenta a obra de Genet de uma forma concisa e sem
preconceitos. "Genet foi amigo das principais mentes de seu tempo:
o filósofos Sartre, Derrida e Foucault; os escritores Cocteau e
Jouhandeau, Juan Goytisolo e Moravia; os compositores Stravisnky e Boulez;
o diretor de teatro Roger Blin; os pintores Leonor Fini e Christian Bérad,
o escultor Giacommetti; os líderes políticos Pompidou e
Mitterand", diz White.
Ladrão, prostituído, prisioneiro, mendigo, bastardo, Jean
Genet é um dos monstros sagrados da literatura francesa. "Apenas
um punhado de escritores do século XX, como Kafka e Proust, tem
uma voz e um estilo tão importantes, tão autorizados, tão
irrevogáveis", escreveu Susan Sontag no lançamento
de romances do autor nos Estados Unidos, em 1963.
Genet
passou a juventude em reformatórios e prisões onde afirmou
sua homossexualidade. Enquanto compunha romances ou peças consagradas
como “O balcão”, “Os negros” e “Os
biombos”, criou uma chocante mitologia pessoal marcada por escândalos,
roubos e rixas. Colecionou uma sucessão de amantes, que o acompanharam
pelo basfond parisiense e conquistou o grand monde intelectual europeu.
Seus primeiros trabalhos, “Nossa Senhora das Flores” e “O
milagre da Rosa”, chamaram a atenção de Jean Cocteau,
mas foi através da influência de Jean Paul Sartre que ficou
famoso.
Depois do suicídio de um de seus amantes, do amigo
e tradutor Bernard Frechtman e de uma tentativa de suicídio, Genet
atravessou a década de 1960 colhendo frutos de sucesso de seus
romances, peças e roteiros. Mas, a partir dos anos 70 até
a sua morte, em 1986, engajou-se na defesa de trabalhadores imigrantes
na França, assumiu a causa dos palestinos e envolveu-se com líderes
de movimentos norte-americanos como Panteras Negras e beatnicks. "Eu
não tenho leitores, e sim milhares de voyeurs que me espiam de
uma janela que dá para o palco da minha vida pessoal", declarou
certa vez o escritor.
Edmund White nasceu em Cincinatti, Ohio, em 1940. Professor
da Universidade de Princeton, publicou, dentre outras obras, “Forgetting
Elena”, “Nocturner for the King of Naples”, “States
of Desire: Travels in Gay América”, “O jovem americano”,
“O lindo quarto está vazio”, “O homem casado”,
“Flaneur um passeio pelos paradoxos de Paris”.
Editora Record, Rio de Janeiro, 784 páginas, preço R$ 85,
biografia. (Da Assessoria)
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