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Daniela, o Crocodilo e um gosto bom de liberdade

Por Gésner Braga e Luiz Goulart

Salvador, 1/03/07 - O texto abaixo é escrito a quatro mãos, porém sempre na primeira pessoa... do singular. Sim, optamos por esse recurso para dar um toque mais pessoal à mensagem, tão singular quanto o fato aqui narrado.

Daniela Mercury é uma artista que insiste em guiar sua carreira pelo alto risco da inovação. Bendita seja sua ousadia! Foi ela quem, mesmo sendo alvo de duras críticas de mentes tacanhas, inseriu a música eletrônica no contesto da folia momesca há alguns anos. Mas o mundo dá voltas e hoje temos o ultrabadalado DJ inglês Fatboy Slim, em seu segundo carnaval entre nós, atraindo um número cada vez maior de simpatizantes da música eletrônica para as cordas do bloco Skol D+. A quem cabe o mérito de quebrar os paradigmas do axé e abrir novos caminhos?

Como sempre, quem abre novos caminhos costuma pagar o preço da ousadia. E quem criticou segue a trilha aberta sem qualquer ônus, depois de pouco tempo. Foi assim com Daniela quando desafiou os grandes blocos e decidiu sozinha seguir o circuito Barra-Ondina. Hoje esse circuito está solidificado, mas poucos se lembram de que, há alguns anos, os maiores blocos não passavam por ele. Daniela, quando decidiu levar seu Crocodilo para lá, foi duramente criticada. Tudo bem, a leonina está acostumada.

Pois bem, ela agora conseguiu mais um grande feito no carnaval da Bahia. Só que nada foi premeditado, calculado para causar efeito. O Crocodilo, bloco carnavalesco comandado pela cantora, escandalizou e virou manchete pela liberdade com que os seus integrantes, de forma espontânea, curtiram a folia. Sem maiores pudores, os beijos gays cinematográficos entraram na pauta do dia e dividiram opiniões. Ótimo! Não me incomodam as divergências no campo das idéias, mas me agrada muito a possibilidade de dar vazão e evidência a temas ainda inexplicavelmente cáusticos, como a homossexualidade.

Fico feliz e comemoro o fato de ter sido testemunha desse momento especial do carnaval baiano. Aliás, mais que isso. Eu estava ali, envolvido por aquela multidão alheia à censura dos mais conservadores ou recalcados. Foi tudo tão espetacular e único: os calorosos aplausos e também os olhares estarrecidos de uma platéia perplexa pela novidade do momento, pela quase inacreditável coragem de muitos em se expor e se impor. O curioso de tudo é que não se buscava, com aquela atitude, exaltar as diferenças, mas sim a semelhança que há entre os desejos da alma, ali expressos num gesto simples: um beijo.

Os desdobramentos disso só o tempo mostrará. Muitos, provavelmente, do alto da sua arrogância, alimentarão a crença de que um fato social dessa natureza não passa de um arroubo de excentricidade, algo passageiro. Eu prefiro acreditar que esse foi mais um passo, entre muitos a se dar, no caminho para que a sociedade vença seus medos.

O papel da imprensa nesse caso é muito importante. Expor o fato na tv, mostrá-lo sem máscaras ou censura é um avanço. Se a tv mostra tantos beijos héteros, porque não mostrar um beijo gay?  E muitos beijos? E não restritos aos circuitos menos nobres, aos guetos, cantos, becos ou vielas, algo que acontece nos carnavais desde sempre. Desta vez, foi-se além: mostraram-se as cenas dentro de um bloco de carnaval onde um abadá custa entre R$167,00 e 210,00, por dia, a depender da forma de compra.

Por fim, volto a render homenagem à Daniela Mercury. Ela pode não ter planejado nada do que aconteceu, mas ela é e sempre foi o elemento catalisador dessa liberdade que ora apreciamos com o sabor especial de uma conquista. Mas quem diria que, em pleno século 21, estamos aqui comemorando a liberdade de um simples beijo. Isso mostra que temos muito ainda a avançar nesse campo. Ok! Não faltará fôlego.



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