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Sua Excelência Senhora Daspu

Criadora da Daspu escreve livro em que conta seus anos de prostituição e a história da grife que incomodou os donos da Daslu

Por Redação

Apesar de Gabriela Leite, 58, definir-se como prostituta aposentada (é esse o termo que escreve em fichas de hotéis), ela é mais conhecida como a criadora da Daspu -corruptela para Das Putas-, a grife dirigida a “mulheres da vida” que causou polêmica com a loja de luxo Daslu ao ser lançada em 2005. Gabriela, que trabalhou como prostituta entre os anos 70 e 80, é hoje a maior “líder trabalhista” da profissão no Brasil. Ela conta essas e outras histórias na biografia Filha, mãe, avó e puta (Objetiva, 228 pp., R$ R$ 33,90), que chega às lojas em 10 de abril. “Nunca imaginamos que a Daspu fosse repercutir tanto”, diz ela em um botequim no bairro carioca da Glória, onde mora há 16 anos com o marido, o jornalista Flavio Lenz. Quando a Daspu foi lançada, a Daslu ameaçou processar a ONG Davida, presidida por Gabriela, para que desistisse do nome inspirado na grife paulistana. 

A entrevista para a Folha aconteceu um dia depois de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, ser condenada a 94 anos e seis meses de prisão. Na tarde de sexta-feira, entre uma cerveja e outra, Gabriela lamentava o fato. "Essa prisão é uma coisa desumana. Como podem prender uma pessoa doente?
Acho absurdo, espero que ela seja solta logo." A vontade de Gabriela foi feita, e Eliana deixou a prisão algumas horas após a entrevista. No livro, Gabriela assume que a polêmica com a loja acabou sendo um ótimo negócio para a Daspu. "A Daslu contribuiu decisivamente para a visibilidade da marca quando abriu um processo contra nós", ela conta no livro, referindo-se à notificação extrajudicial, que considerou preconceituosa.

Seu principal objetivo, como presidente da Davida e coordenadora da Rede Brasileira de Prostitutas, é lutar contra preconceitos. "Faço questão de falar que sou prostituta aposentada, não sinto vergonha de nada do que fiz. Detesto a denominação politicamente correta "profissionais do sexo'", afirma.
"Adoro o termo puta. Ele precisa ser apropriado pelas minhas colegas, inclusive porque é um dos maiores xingamentos que usam contra os nossos filhos."

Saias justas

Mãe de duas filhas já adultas (uma foi criada pelo pai, outra por sua mãe), Gabriela já passou por saias justas com elas por não negar o trabalho que exerceu. "Uma vez, estava no aniversário da minha neta, com aqueles casais todos conversando. Uma hora me perguntaram: "O que você faz?". E respondi: "Sou puta aposentada". Minha filha ficou desesperada, com raiva, mas é que para mim já é tão normal falar isso..."
O nome Daspu, segundo ela, não poderia ser mais adequado. "É uma forma de assumirmos que somos putas." O nome apareceu por acaso. "Estávamos pensando em como arrumar dinheiro para a ONG, e umas meninas tiveram a ideia de fazer uma confecção. Como sou pretensiosa, falei: "Que confecção, vamos fazer logo uma grife". O negócio foi fechado quando um colega da ONG disse: "Tem de chamar Daspu". Rimos muito. Depois, esse amigo apareceu com o logo da marca."

Além de captar recursos, Gabriela via outras utilidades na grife. "Há tempos eu falava com colegas da praça Tiradentes [zona de prostituição do Rio] que elas precisavam se vestir melhor. Você via aquelas meninas de chinelo, desarrumadas. Eu dizia que elas tinham de se arrumar, que não era isso o que o cliente estava procurando."
A Daspu, que surgiu com duas linhas (praia e uma de "batalha"), vende principalmente pelo site da grife e em congressos. O primeiro desfile foi justamente na praça Tiradentes, um dos locais preferidos de Gabriela. "Adoro a zona. E, no Rio, também a praça Mauá. Em São Paulo, amo a rua Augusta."

Gabriela hoje vive em congressos internacionais. Mas não deixa de ter saudade do passado. Trabalhou como prostituta em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte, e já tinha contado sua história nesses anos em "Eu, Mulher da Vida" (Rosa dos Tempos), de 1992. "Claro que sinto saudades, tinha grandes amigos, ía para a gafieira. Não era feliz a toda hora, mas isso ninguém é, em nenhuma profissão. Não é?"

 

O livro

A história de Gabriela Leite, a ex-aluna de Filosofia da USP que decidiu virar prostituta aos 22 anos. Quando decidiu virar prostituta, no início dos anos 70, Gabriela Leite estudava Filosofia na USP, curso para o qual havia passado em segundo lugar. Ex-aluna dos melhores colégios paulistanos, leitora de Machado de Assis, Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, tinha um emprego de secretária e morava com a mãe.

Foi observando a rotina das mulheres que trabalhavam nas boates próximas aos barzinhos que freqüentava nos arredores da faculdade - nos quais chegou a dividir mesas com o dramaturgo Plínio Marcos, o compositor Chico Buarque e o diretor teatral Zé Celso Martinez Corrêa -, que Gabriela sentiu-se atraída por aquele universo. Movida pela “curiosidade e pelo desejo de uma revolução pessoal”, optou pela vida de prostituta do baixo meretrício, que assumiu sem qualquer constrangimento. Folha de São Paulo, Nina lemos - Salvador, 3/04/09

 

 

 

 

 

 


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