Poema para um domingo triste
Por Ricardo Rocha Aguieiras
25.06.07 -22:57hs
Foto: Divulgação arquivo autor |
Neste domingo carregado
Apesar do sol vejo sombras
Vejo vidas ceifadas
Vejo tua incompreensão instalada
Eu poderia abrir as janelas
É verdade que todas abrem para o infinito
No entanto, cerro as cortinas
Vã esperança de algum conforto
Para onde olho vejo lápides
Não há inscrições nelas
As mãos se cansaram de gravar na pedra
O que carregam em seus corações dilacerados
Lá fora é um cemitério
Dos corpos moços que nunca viveram
Aqui dentro também é
Almas e corações enclausurados
Se fosse em outro país talvez eu visse a neve
Debaixo dela teria muitos assassinados?
O rapaz que amou o rapaz
A moça que amou a moça
Jazem no frio do amor irrealizado
(Debaixo deste sol também há mortos)
Posso bater na sua porta neste triste domingo
Ela não se abrirá
Você olhará pelo olho mágico
E me negará o convívio no seu temor
E amanhã, segunda-feira desesperada
Saio por não aguentar tanta dor
Bebo num bar a minha alma destilada
E espero, espero, espero
A próxima facada
Ricardo Rocha Aguieiras - "Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada" Clarice Lispector
Nota do autor - Bom, este domingo é realmente triste, para mim e creio que para todos nós. Anteontem os neonazistas mataram mais um, um rapaz de 19 anos, aqui nos Jardins, Sampa, perto de onde mataram o francês. Ele também foi esfaqueado.
Hoje leio que a coluna do Léo Mendes foi retirado do jornal "OPÇÃO", em Goiânia. Você pode ler tudo isso nas listas. Isso também me abalou, mais um espaço valioso que perdemos.
Ontem , no Yahoo Respostas recebi um monte de ataques homofóbicos de pessoas contra a aprovação da Lei 122/2006
Portanto... acho que tenho motivos de sobra para estar triste e chocado...
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