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Travestis e menores Marcelo Cerqueira Salvador, Bahia, sábado 12/12/09 Um programa de apelo popular vem divulgado nas últimas semanas, quase que diariamente as imagens envolvendo uma confusão entre travestis e menores na Orla de Salvador. As imagens confusas do que poderia ser uma briga, segundo conta uma delas, seu veiculo foi arrombado pelos menores, levaram documentos pessoais e do veiculo da vitima. De entrada uma questão crucial que se apresenta é saber quem é vitima nesse momento, elas ou todos, menores infratores e travestis profissionais do sexo vitimas da sociedade que põe cara a cara grupos vulneráveis para o enfrentamento dramático e violento da vida. Mais o mais perverso é ver essas imagens exploradas de forma desproporcional insuflando o ódio e o preconceito contra uma população que luta para sair da margem para o seio da sociedade. É trágico perceber que alguns programas policiais imbuídos de arrogância e prepotência buscam substituir a justiça distribuindo sentenças a pessoas em momentos dramáticos de suas vidas envolvidas em situações muitas vezes desumanas e degradantes. Mesmo que pese o delito, pessoas são julgadas e condenadas sem direito a defesa e nem julgamento digno. Essas pessoas têm cor de pele, classe e orientação sexual. São pretos, pobres e homossexuais, vitimas fácies da voracidade travestida de notícia. Esse genocídio dos pretos pobres e travestis se misturam, e revelam uma sociedade preconceituosa, tornam evidente a desagregação pela pobreza das famílias pobres, as crianças são criadas nas ruas longe do afeto e da orientação familiar. Esses programas que incitam atitudes radicais exasperam um Estado de guerra não declarado em que já vivemos um dia. Na questão dos menores a solução demanda maior assistência às mães pobres, que chefiam a maioria das famílias. As travestis têm o direito de transitar como qualquer um, inclusive de se prostituir. É comum associar travestis a atos de violentos. É travesti, não se aproximem elas são violentas. São violentas ou a sociedade as embruteceram? Alguns acham que elas são divindades, são centauros urbanos, felizmente. O Grupo Gay da Bahia (GGB) e a Associação de Travestis de Salvador, não comungam da violência, do dente por dente e olho por olho. Não achamos que para se defender pode-se lançar da prerrogativa de matar. A defesa que provemos é dos homossexuais, mesmo que alguns acreditem que buscamos esconder o sol com a peneira, não se trata disso. Trata-se da defesa dos direitos difusos e coletivos dessas pessoas que já recebem uma carga diária de preconceitos, estigmas e discriminações diversas. Cada vez que a imagem desse segmento é exposta pela televisão de forma considerada inadequada fere esses direitos coletivos, só para explicar.
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