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Ele trabalha duro como decorador e vitrinista profissional de lojas
Melanie Dossom, seu alter-ego é Miss Brasil Gay, modelo, atriz e faz presença como celebridade em festas.

Melanie Dosson, personagem de Francisco Júnior, vencedora do Miss Brasil Gay Nordeste 2011

Salvador,BA , terça-feira 8 de novembro de 2011 - por MARCELO CERQUEIRA

Acabou aquele tempo de que a Miss era apenas uma figura que representava exclusivamente a beleza e nada mais. Em se tratado da matéria, beleza conta muito mas ela deve estar ligada a inteligência, vivacidade, elegância e modo de viver e ver a vida. As causas sociais o trabalho e no caso da Miss Brasil Gay o engajamento na luta contra a homofobia e promoção da cidadania LGBT.

 

 

 

É assim que pensa Francisco Júnior, idealizador da personagem feminina Melanie Dosson que arrebatou o titulo maior na XVII Edição do Concurso que escolhe o melhor transformista do gênero, ela foi a representante da Bahia que deixou todos perplexos por sua atuação gloriosa no dia 1 de novembro no Teatro Vila velha, venceu vinte e três candidatas vindas dos mais diferentes estados da região Norte e Nordeste.

O nosso site teve acesso à intimidade da moça e apresenta detalhes de sua vida e do seu criador, confira exclusiva.

Confira também - Miss Brasil Gay
Candidata da Bahia aposta na fé popular e sai vencedora do evento de beleza.

Marcelo Cerqueira - Como foi sair vencedora de um concurso disputado como o Miss Brasil Gay Norte e Nordeste?

Melanie Dosson - Foi uma satisfação inigualável! Nada descreve minha alegria de ser coroada Miss Brasil Gay.
 
MC – Você já participou antes de algum concurso?
MD - Sim já participei de outros. Fui coroada Miss  Dias D´avila, Simões, Camaçari e Miss Bahia Gay

MC –  O que você tirou de experiência?
Participar destes concursos me mostrou a verdadeira personalidade de minha personagem, esses eventos me deram à chance de melhorar todo o comportamento que tenho na passarela e quando estou atuando como Melanie Dossom.

MC – Você se preparou para o Miss Brasil Gay?
MD - Sim, passei quatro meses analisando e melhorando meus gestos e postura para poder ser eleita Miss Brasil. A grande resposta para minha dedicação foi receber a faixa de Miss Elegância, em minha visão essa é a forma que mais caracteriza o feminino em um homem ator transformista, elegância.

MC – Quais são seus ícones de inspiração desse feminino dentro de você?
MD - Tenho como inspiração pessoas como a Tanucha Taylor que considero um ícone em beleza e elegância. Perceber a maneira como ela se comporta me ajudou muito a idealizar e dar forma a Melanie Dossom.

MC – Como foi a idéia de apresentar alegoria sobre fé e tradição popular no Miss Brasil?
MD – A idéia nasceu no Miss Bahia Gay. Pude observar que muitas candidatas traziam indumentárias de Orixás. Para essa edição do Miss Brasil pensei em apresentar algo diferente nesse imaginário de fé popular, igrejas e símbolos.  A partir daí decidimos  trazer essa homenagem a lavagem das escadarias da igreja do Senhor do Bonfim que não foi classificada na categoria de trajes típicos, mas os aplausos me deixaram satisfeito por ter feito a escolha certa.
 
MC – Você é uma pessoa religiosa, o que você acha dessa relação homossexualidade e fé?

MD - Não sou pessoa religiosa, porem temente a Deus. Essa relação entre homossexualidade e fé para mim é simples, pois por muito acreditar em Deus e um Deus que ama incondicionalmente me faz satisfeita com minha orientação sexual e a fé que tenho nele, pois tenho plena certeza que Deus conhece meu coração e continua a me amar sendo homossexual. Por outro lado religião ainda é algo muito complicado, pois algumas ao invés de nos “religar” acaba nos afastando da palavra de Jesus Cristo. Tenho a minha fé e a minha orientação sexual não interfere em minha relação com Deus, se existo logo sou uma criatura criada por Deus.

MC – Seu vestido de noite também era muito bonito, quem fez a produção dele, avaliado em quanto?
MD-  Meu vestido foi muito comentado pelas próprias candidatas ao titulo, muitas disseram que era uma belo vestido e seria o melhor vestido da noite. Foi desenhado e confeccionado pelo estilista e desing de moda Julio Vidal e esta avaliado em $ 7 mil.

MC – Então, não era um sonho vencer. Era vencer mesmo?
MD-  Sim! Minha grande satisfação é trazer a coroa de Miss Brasil Gay  para a Bahia, pois fazia anos que esta coroa estava passeando por outros estados e eu junto com minha equipe, conseguimos trazê-la para a Bahia que é sua casa, conseguimos.

MC – Qual foi o investimento total?
MD – Avalio a minha participação em cerca de $ 12 mil para formar todo o espetáculo mostrado naquela noite. Tive de investir o maximo para poder melhor representar o nosso Estado.

MC – Como foi à criação da personagem feminina Melanie Dossom?
MD - Foi concebida para participação em concurso de Miss Gay. Ela foi eleita em agosto de 2008 a Miss Camaçari. Melanie tem como inspiração Tanucha Taylo e mais recente diva como Beyonce.

MC – Quais são as ocasiões que você se caracteriza?
MD - Em eventos voltados para a classe LGBT onde tento mostrar a beleza da arte do transformismo.

MC – Ela é um instrumento de seu trabalho como artista?
MD – Sim.

MC – Como você entende esse movimento cultural de concursos uma vez que as feministas criticam os femininos, acusando que objetifica a figura da mulher?
MD – Acredito que é uma forma de veneração da mulher, do ser feminino. Entendo que é uma forma de extrairmos melhor nossa parte feminina dentro do masculino, pois acredito que o gay masculino independente de ser efeminado ou não, tem um feminino interior. Ser um homem feminino, não fere o nosso lado masculino, acredito!

MC – Como você entende essa fascinação de se caracterizar como se mulher fosse?
MD - Entendo que é por demais prazeroso poder ver na figura material essa mulher que está dentro do transformista, poder dar vida a uma mulher, sendo homem é de fato um prazer que mexe com agente e com os heterosexuais no geral e os homens em particular, pois chegam a confundir e gerar a duvida com a caracterização do transformista, isso é muito interessante e revolucionário nos papeis de gênero.

MC – O que você faz no seu cotidiano, seu trabalho?
MD – Júnior é decorador e trabalha fazendo decoração de lojas, vitrines em épocas diversas, trabalhos voltados para o calendário brasileiro, onde mostro através dessa arte de ornamentar, o amor pelas mães, a alegria dos carnavais, a magia das festas juninas, o encanto dos natais, dentre outras datas que fascinam nossa gente. Já  Melainie já não tem um trabalho duro. Ela é pura diversão!  É modelo, atriz, manequim, faz presença em festas, Miss Brasil e vaidosa e solteira. Já Júnior é bem casadinho.

MC – O que você acha da fala de Rosana Mugler que diz que Miss deve ter compromisso com causas. Você participa de algum movimento?
MD -  Acho importante e poderia ter algo mais  em movimentos LGBTT pois uma Miss tem a oportunidade de expor o que de fato se passa na comunidade. Levantar a problemática de nossa classe depende muito de figuras influentes para serem ouvidas na sociedade, Melanie  tem essa chance,um ano pode muito ajudar nessa situação.

MC – Como você vê a questão do preconceito hoje?
MD - Acho que talvez estejamos rompendo grandes barreiras, porem ainda existe muita discriminação em nosso meio, temos que continuar, hoje já temos contratos de união estável e um casamento lésbico ja fora aprovado em nosso país, precisamos é conseguir por na cadeia agressores e homofobicos criminosos que não deveriam viverem em nosso meio social.

MC – Como Miss você acha que pode ajudar de alguma maneira a combatê-lo?
MD -  Sim, como disse anteriormente, ser Miss me da a oportunidade de falar por nossa classe para muitas pessoas que não tem informação correta sobre o nosso universos e por isso acabam discriminado.

MC – Júnior é assumido, convive com o seu parceiro. Como é a vida a dois. Parceiro curte esse seu lado Miss Brasil?
MD - Sim o Junior é assumido desde os 18 anos, convivo cerca de seis anos com meu parceiro e ele ama a Melanie, ele mesmo quem influenciou diretamente na criação dela.

MC – O que um candidato deve ter em sua opinião para vencer um concurso desse?
MD - Deve ter a vontade de vencer, de ser eleita, entrar no palco para apenas representar um Estado não nos da o titulo, temos que querer, lutar, assim eu fui coroada algumas vezes como Miss, se eu não pisasse com vontade na passarela, jamais seria uma Miss Brasil Gay.

MC – Quais são seus planos para o reinado de Miss Brasil Gay Norte e Nordeste?
MD - Pretendo estar presente nos eventos LGBTT e sempre discursar que ser Miss Brasil Gay é a realização de um sonho, sonho que me dará oportunidade de lutar e promover os nossos direitos civis.

 


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