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Entrevista com Rosana Migler em Miss Brasil
“Precisamos de ícones gays que falem sobre os problemas da classe, que se engajem nos movimentos”, diz

A esquerda Rosana Migler, entrevista para canal de televisão na Espanha. Foto Arquivo pessoal.

Salvador,Ba, sexta-feira 4 de novembro de 2011 - por MARCELO CERQUEIRA.

Ela foi uma das grandes atrações do XVII Concurso Miss Brasil Gay Norte e Nordeste que aconteceu no dia 1 de novembro no Teatro Vila Velha. Dançado e atuando como uma verdadeira diva, ela fez abertura do Concurso calcando um salto de 15cm, um vestido , se é que agente pode chamar aquela peça de vestido, todo trabalhado na pedra mostrando suas formas perfeitas e exuberância de um corpo construído pela ciência e moldado pela cultura trans. Ela conta pra gente como foi sua transformação, como é ser uma trans na Europa e ainda dar conselhos as Misses que devem se envolver nas causas de combate a homofobia durante e depois do seu reinado como deusa da beleza. Ela cita que quando assumiu, sua família foi o apoio moral e psicológico, lembra uma frase de sua mãe que diz o seguinte. “Você pode ser e fazer tudo que quiser desde que você não se envergonhe, nem me envergonhe". Ela é uma fofa. Nossa entrevista é com a ex Miss Brasil Gay, formada em sociologia pela Universidade da Bahia, Rosana Migler. Confira o bate papo com a estrela.

Marcelo Cerqueira -  E como foi essa construção feminina?

Rosana Migler - Não, tudo aconteceu lentamente, depois que dei a satisfação para a família que era a minha formação acadêmica, me senti livre para buscar minha felicidade, queria ser feliz e depois do Miss Brasil, comecei a pensar em ser uma trans pensando sempre nos pontos positivos e negativos que isso iria provocar.

MC -  Enfrentou dificuldades, você era aluna de filosofia em São Lazaro, foi tranqüilo isso?

RM - Foi super tranqüilo, tenho uma mãe maravilhosa e ela me apoiou em tudo, pois ela sentia que eu estava infeliz, os meus colegas também me apoiavam não me sentia discriminada na universidade.

MC -  E sua família, como se manifestou em relação às essas mudanças?

RM - A construção veio através da hormonizaçao ainda no Brasil e no exterior fiz as intervenções cirúrgicas como nariz, seios, laser e tudo aquilo que necessitasse para suavizar os traços.

MC -  Quem te deu apoio nessa sua opção de novo estilo de vida?

RM  - A minha família sempre me apoiou e conservei uma frase dita por minha mãe ate hoje," você pode ser e fazer tudo que quiser, desde que você não se envergonhe, nem me envergonhe".

MC -  Você foi Miss Brasil em 2003. O que mudou em sua vida com o titulo?

RM - Depois do título tudo mudou, pois foi  realização de um sonho, sempre adorei ovacionar as mulheres divas, Marta Rocha, Jaqueline Kennedy, Margareth Tacher, Audrey Hapburd, enfim mulheres que se destacavam pela beleza e inteligência, gosto mulheres com personalidade, então queria a cada aparição estar cada vez mais feminina.

MC -  Na sua opinião, como deve se comportar uma Miss Gay?

RM - Os conceitos de Miss mudaram muito, a beleza tem que estar atrelada a inteligência, os concursos gay deveriam evoluir assim também e não julgar só o estético, precisamos de ícones gays que falem sobre os problemas da classe, que se engajem nos movimentos, que saibam da sua realidade, pois essas Misses gays se tornam figuras publicas, muita gente se aproxima para conhecer o universo delas, por isso que uma Miss gay tem que ter inteligência atrelada a beleza.

MC -  O que você acha hoje desses concursos?

RM - Infelizmente os concursos estagnaram, imagine que o miss Brasil gay juiz de fora, um concurso que atravessou a ditadura militar e que representa o maior concurso de beleza gay do mundo esta corrompido, agora eles dão o titulo a candidata com maior poder aquisitivo, uma vergonha.

MC -  Eles conseguem trazer visibilidade positiva, visto que as feministas fazem criticas profundas ao Miss Brasil feminino?

RM - Sim. A  Miss ganha notoriedade dentro e fora do meio, só vai depender dela e dos seus acessores levar as suas idéias.

MC -  Depois de sair vencedora você se mudou para a Europa. Como é a vida de uma trans lá?

RM - Sempre aprendi a entrar e sair pela porta da frente em todos os lugares, tudo é uma questão de postura pessoal, eles respeitam muito os gays e as trans, mais como sempre tem algumas que não sabem se colocar diante de certas situações.

MC - Você percebeu preconceito, a parte de ser imigrante, e trans?

RM- Por parte de ser imigrante sim, mais de ser trans não.

MC -  Como os homens de lá se comportam com as trans na sua opinião é positiva?

RM - O homem europeu por cultura e extremamente educado somos tratadas como mulheres,  eles são extremamente gentis.

MC -  E em relação ao homem brasileiro, o que você acha?
RM - Sou muito bem tratada pelo homem brasileiro, claro que por vivermos em uma sociedade de cultura machista as coisas mudam um pouco, mais com educação e inteligência alcançamos nossos objetivos, tudo depende da postura e da imagem que a trans quer passar

MC -  Como você avalia as conquistas LGBT no Brasil, você percebe algum avanço?

RM -  Estamos a passos curtos, aqui tudo demora muito, mais pouco a pouco estamos chegando lá, basta a classe se inteirar e se unir mais em busca de uma condição social melhor, falta engajamento político.

MC -  Na sua opinião ainda existe homofobia no Brasil em relação aos LGBT?

RM -  Somos um país hipocritamente homofobico, durante o dia atira pedra e agride verbalmente os gays e trans da comunidade e a noite querem realizar suas fantasias mais íntimas conosco, uma coisa muito confusa, rssss!!!!

MC -  O que você acha que falta para acabar com essa homofobia?

RM - O que nos impede de um avanço imediato é a falta de educação da sociedade e o excesso de religiosidade, isso impede a quebra dos tabus da homossexualidade, somos um país muito religioso, tudo esta vinculado ao pecado, com isso os tabus são difíceis de serem quebrados.

 

 


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