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Fidel Castro deve pagar a fatura da perseguição posta aos homossexuais em Cuba

O GGB pretende iniciar ação internacional junto à Corte Penal Internacional e Tribunal Internacional de Justiça (Haia)

Salvador, 2 de setembro de 2010, 10hs49min

Castro. Ditador Cubano assume ser "responsavel último" pela perseguição aos homossexuais.

 

A recente declaração de Fidel Castro assumindo ser  "responsável último" pela perseguição aos -homossexuais  praticada pelo seu governo, não foi suficiente para acalmar o Grupo Gay da Bahia (GGB), que desde 1981 denuncia a homofobia estatal de Cuba. O fundador do GGB, antropólogo Luiz Mott exige que Fidel peça desculpas publicamente, como fez o Imperador do Japão em relação aos Coreanos. “Em 1992 Fidel mentiu  ao declarar: "Nunca promovi políticas contra homossexuais.” Calcula-se que mais de 10 mil gays e travestis foram expulsos de Cuba na primeira década da revolução e de acordo com os informes da Fundación Reinaldo Arenas, entre 2007-2008  mais de 7 mil gays  foram autuados pela Polícia Nacional Revolucionária.

Ainda em 2010 mais de 700 gays foram detidos,  segundo denuncia o ativista cubano Aliomar Janjaque. O premiado filme Morango e Chocolate, de Reinaldo Arenas, mostra realisticamente a crueldade deste “erro” capitaneado por El Comandante Fidel; Arenas, vítima desta repressão, suicidou-se em 1990 aos 47 anos. O GGB pretende iniciar ação internacional junto à Corte Penal Internacional e Tribunal Internacional de Justiça (Haia)
 para que Fidel seja condenado pelo crime  de lesa humanidade contra os homossexuais.

Data de 1971 a infeliz resolução do Primeiro Congresso Nacional de Educação e Cultura de Cuba onde se decretou que “os desvios homossexuais representam uma patologia anti-social, não admitindo de forma alguma suas manifestações, nem sua propagação, estabelecendo como medidas preventivas o afastamento de reconhecidos homossexuais artistas e intelectuais do convívio com a juventude, impedindo gays, lésbicas e travestis de representarem artisticamente Cuba em festivais no exterior.” Foram então estabelecidas penas severas para “depravados reincidentes e elementos anti-sociais incorrigíveis”.

Já em 1959 ao tomar o poder em Cuba, Fidel declarou que “um homossexual não pode ser um revolucionário”. Em 1965 Fidel e Che Guevara criam as Unidades Militares de Ajuda à Produção, acampamentos de trabalho agrícola em regime militar, com cercas de 4 metros de arame farpado, onde os homossexuais e outros “marginais” realizavam trabalho forçado nos canaviais, com até 16 horas de trabalho forçado, em condições desumanas muito semelhantes aos campos de concentração nazistas. Inúmeros artistas e escritores homossexuais foram perseguidos nesta ocasião: Virgílio Piñera, Lezama Lima, Gallagas, Anton Arrulat, Ana Maria Simo , inclusive o poeta norte-americano Alen Ginsberg, expulso por ter divulgado que era rumor permanente em Cuba e no exterior, que o irmão de Fidel, Raul Castro, era homossexual enrustido.

Outro jornalista gay a ser perseguido foi Allen Young, que de garoto propaganda da revolução cubana, tornou-se persona non grata ao denunciar a crueldade da homofobia nesta ilha. Este norte-americano esteve no Brasil e ficou célebre ao recusar cumprimentar o então presidente Castelo Branco. Neste mesmo ano Fidel detalhou  ainda mais seu pensamento homofóbico: "Não acredito que algum homossexual tenha a  envergadura ou a conduta moral necessária para ser considerado um bom  revolucionário. Homossexuais não devem ocupar posições em que possam   influenciar a nova geração".
 Em 1980, segundo informes oficiais, 1700 “homossexuais incorrigíveis” de Cuba foram deportados para os Estados Unidos, embora organizações de direitos humanos calculem que ultrapassaram 10 mil gays e travestis expulsos de seu país. No início da crise da Aids, Cuba foi denunciada internacionalmente pela criação de rigorosas prisões para “sidosos”, (doentes de aids), em sua maior parte, homossexuais.

Segundo o Presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira , “Fidel Castro tem um dívida histórica a ser resgatada com a humanidade: deve assumir que errou gravemente em tornar Cuba um inferno para os homossexuais e transexuais, causando muita dor, sofrimento, estigmatização e morte de milhares de amantes do mesmo sexo.”
Em recente entrevista ao jornal mexicano La Jornada, a própria sobrinha de Fidel Castro, Mariela Castro , sexóloga responsável pelo Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba (Cenesex), reconheceu que “a homofobia oficial desenvolvida pelo regime cubano nas últimas décadas foi um erro.” O premiado filme Morango e Chocolate, de Reinaldo Arenas, mostra realisticamente a crueldade deste “erro” capitaneado por El Comandante Fidel; Arenas, vítima desta repressão, suicidou-se em 1990 aos 47 anos.

Apesar de toda evidência da homofobia oficial do governo cubano – documentada através de declarações impressas, fotos, depoimentos das vítimas – eis o cinismo de Fidel:  em 1992, perguntado sobre a situação dos gays em Cuba, teve a petulância de declarar: "Nunca promovi políticas contra homossexuais. Não acredito que a   homossexualidade seja uma degeneração. Sempre tive uma abordagem mais  racional, considerando que a homossexualidade seja uma tendência natural dos  seres humanos que eu respeito. Sou contra qualquer forma de discriminação de homossexuais".

Como parte desta denúncia, nos próximos meses, o Grupo Gay da Bahia realizará em Salvador uma exposição de fotos e depoimentos, documentando a homofobia em Cuba. Segundo o Prof. Luiz Mott, decano do Movimento Homossexual Brasileiro, “dispomos de duas dezenas de cartas de gays cubanos, recebidas nos últimos 30 anos, todos buscando avidamente um companheiro no Brasil para fugir do inferno que ainda hoje representa ser gay num país que não aprendeu a lição de Che Guevara: “Hay que endurecer, sem perder jamais a ternura”. Consta porem  que o próprio Guevara, ao encontrar na Biblioteca da Embaixada Cubana em Argel, a obra Teatro Completo de Virgilio Piñera, homossexual assumido, jogou o livro na parede, dizendo: “como vocês têm na nossa embaixada o livro de um ‘pajaro maricon’!” o sinônimo cubano para veado.”

 


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