14º festival Mix Brasil de cinema exibirá um dos melhores filmes da década sobre aids, afirma Suzy Capó, diretora da mostra; sempre procuramos filmes que tragam uma nova visão sobre a temática da aids, explica andré fischer, co-diretor do festival

Cena do filme “Boy Culture”, sessão que abriu o Mix Brasil 2006
A maioria dos presentes é formada por homens (a maior parte homossexuais); em menor número, algumas “drags” e pouquíssimas mulheres dançam e conversam no saguão do Espaço Unibanco, entres as quais Suzy Capó, diretora do 14º Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual, que começou ontem (10/11), quinta-feira, em São Paulo. A cena descrita na frase anterior aconteceu após a exibição de “Boy Culture” (87 min. – EUA, 2006), sessão que deu início ao festival.
Antes da exibição do filme, André Fischer, co-diretor da mostra, explicou como é o processo de seleção das obras, inclusive daquelas que tratam de temas relacionados a AIDS. “A gente sempre busca algum filme com essa temática, filmes que tragam alguma nova visão sobre o tema [HIV/AIDS]”, explica. Segundo Fischer, as obras são selecionadas a partir de “inscrições” e também nos “principais festivais de filmes gays” pelo mundo afora.
Com quase uma hora de atraso, tem início a sessão de abertura com a exibição de “Boy Culture”. Dirigido por Q. Allan Brocka, o filme narra a história de um garoto de programa (ou michê) que se considera “virgem”, por mais contraditório que isso possa parecer. Tudo porque não faz sexo por amor há muitos anos e se preserva para quando encontrar o parceiro ideal. O jovem, conhecido apenas como “X”, ama um amigo com o qual divide apartamento. A obra, que recebeu muitos aplausos no final da sessão, trata com humor dos clichês de qualquer obra cinematográfica, seja ela voltada ao público gay ou não.
Após a sessão, o público (que lotou as três salas de cinema do lugar) dançou ao som de música tecno, entorpecidos por cerveja e caipirinha (oferecidas pela organização). Após algumas doses, o cineasta estadunidense Q. Allan Brocka, convidado do festival para apresentar a obra, pedia dicas de como paquerar os brasileiros.
“Como nesse ano o foco é a Argentina, optamos por esse filme. Um dos melhores filmes da década [sobre AIDS]”, garante Suzy Capó, diretora da mostra, a respeito de “Um Ano Sem Amor” (95 min. – Argentina, 2005), um dos destaques do festival desse ano. A obra, dirigida por Anahi Berneri, conta o dia-a-dia de um professor de francês (HIV positivo) que, na perspectiva de ter poucos meses de vida, decide experimentar as mais variadas possibilidades sexuais e viver de maneira desenfreada. Infelizmente, a película só vai poder ser vista pelos paulistas.
Um Ano Sem Amor / Un Año Sin Amor /
A Year Without Love
(95 min. – Argentina, 2005)
Onde e quando assistir:
São Paulo
Espaço Unibanco 2 – 13 de Novembro
(segunda-feira) / 21h00
Espaço Unibanco 1 – 14 de Novembro
(terça-feira) / 22h00
Léo Nogueira – Agência de Notícias da Aids – 10 de novembro de 2006 - |
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