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Hepatite viral já atinge 4 milhões de
brasileiros
Diagnóstico precoce da doença é a melhor forma de
evitar o comprometimento das funções do fígado
Por Cilene Brito -30/07/06
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca
de quatro milhões de brasileiros têm hepatite virais. Em
Salvador, estima-se que 1,3% de sua população esteja infectada
com a hepatite do tipo C e 0,7% com o tipo B, consideradas as duas formas
mais agressivas das hepatites causadas por vírus. Em ambos os casos,
os sintomas só se manifestam no estágio mais avançado
da doença, quando esta se torna crônica, com o comprometimento
das funções hepáticas.
A importância do diagnóstico precoce das doenças do
fígado foi discutida durante o último dia do IX Simpósio
Internacional de Terapêuticas em Hepatites Viral, que aconteceu
ontem, no Bahia Othon Palace Hotel. O encontro, iniciado no dia 27, contou
com a presença de especialistas nacionais e estrangeiros, com o
objetivo de ampliar a capacitação de profissionais da área
da saúde para lidar com portadores de doenças hepáticas.
"Não podemos classificar qual tipo de hepatite é mais
grave, já que as duas podem se tornar crônicas e evoluir
para alterações hepáticas de grande importância",
salientou o coordenador do simpósio, o hepatologista Raymundo Paraná.
Segundo ele, o Brasil é um país carente de profissionais
e especialistas na área de doenças do fígado, havendo
a necessidade de intensificação do diagnóstico e
tratamento nas cidades do interior.
A forma mais comum de contágio da hepatite B é por via sexual
- responsável por mais de 70% das ocorrências. Já
a do tipo C é transmitida pelo compartilhamento de seringas ou
instrumentos perfuro-cortantes. Em ambos os casos, o indivíduo
pode permanecer com o vírus durante 30 anos sem saber. O único
meio de detecção é através do exame sorológico
específico.
Dessa forma, o diagnóstico só costuma ser realizado através
de exames para doação de sangue, de rotina ou quando sintomas
de doença hepática surgem, já na fase avançada
da doença. "Pessoas que tiveram relações sexuais
desprotegidas, usuários de drogas que compartilham seringas e pessoas
que receberam transfusão de sangue antes de 93, quando foi implantado
o teste de triagem sorológica nos bancos de sangue, estão
inseridas num grupo de risco, e devem ser testadas", alerta Paraná.
O hepatologista alerta ainda que, embora o país tenha adotado uma
política universal de vacinação contra a hepatite
B, apenas 35% das crianças e adolescentes brasileiros na faixa
etária de 10 a 19 anos estão vacinados. A vacina é
gratuita e está disponível em todos os postos de saúde.
De acordo com o especialista, o tratamento para combater a evolução
da hepatite continua sendo a base dos medicamentos tradicionais, como
o interferon peguilado, através de novas combinações,
que garantem uma chance de cura maior.
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