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Mott: Se Kassab aprovar Orgulho Hétero, vai se queimar ainda mais

Ana Cláudia Barros Terra Magazine, São Paulo

 Salvador, BA 3 de agosto de 2011 - 19hs - Edição Marcelo Cerqueira

Fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), o antropólogo Luiz Mott chamou de "aberração" o projeto de lei 294/2005, de autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM), que institui no município, o "Dia do Orgulho Heterossexual". Para ser convertida em norma, a matéria, aprovada na terça-feira (2), na Câmara Municipal de São Paulo, precisa da sanção do prefeito Gilberto Kassab. Na opinião de Mott, "não faz sentido comemorar um dia de quem é celebrado e domina todos os demais dias do ano".

- Vivemos numa sociedade heteronormativa e que, nas últimas semanas, tem se revelado "heterrorsexual", na medida em que até pai e filho, confundidos com gays, foram vítimas de grave violência física. Em 365 dias por ano, a heterossexualidade é cantada em prosa e verso na televião, nos púlpitos, nas propagandas, nas igrejas. Então, nada mais justo que as minorias tenham ao menos um dia no ano para falar de sua exclusão. O Dia do Índio, o Dia da Mulher, o Dia dos Homossexuais, o Dia dos Idosos.

O fundador do GGB interpreta o projeto de Carlos Apolinário como uma "afronta a todos aqueles que são oprimidos exatamente por essa ideologia machista, 'heterrorsexista', heteronormativa".

- Lastimo profundamente a omissão dos vereadores do PSDB, partido que tem em sua história um presidente da República, o FHC (Fernando Henrique Cardoso), o primeiro presidente a falar publicamente a palavra homossexual e a defender, em 2002, a união de pessoas do mesmo sexo. Eu parabenizo o Partido dos Trabalhadores, na Câmara dos Vereadores, cujos parlamentares votaram, por unanimidade, contra o projeto, o que não limpa a barra da presidente Dilma (Rousseff), que vetou o kit anti-homofobia escolar. Considero o gesto mais homofóbico de um presidente da República na história do Brasil.

O antropólogo destaca que "será um ato de homofobia institucional", caso o projeto seja sancionado pelo prefeito.

- Isso é absolutamente inaceitável, numa cidade que tem uma parada (do orgulho homossexual) de quatro milhões de habitantes, a maior do mundo, e que tem algumas instituições governamentais, em nível estadual e municipal, como Centro de Referência da Diversidade Sexual, cujo trabalho feito durante anos será prejudicado por esse pseudo-orgulho heterossexual. Há toda uma mobilização do movimento LGBT, enviando cartas, e-mails, abaixo-assinados para que o Kassab não aprove esse projeto. Ele vai se queimar ainda mais. O projeto, estimula, de certa forma, um reforço do que de pior existe no masculino, que é a truculência, a intolerância contra a delicadeza, o afeto entre pessoas do mesmo sexo, inclusive, entre pais e filhos, como aconteceu recentemente.

Visbilidade e preconceito

Mott avalia que a maior visibilidade, conquistada pelos homossexuais nos últimos anos, trouxe, ao mesmo tempo, a reação dos homofóbicos.

- O macho brasileiro se feminilizou bastante nos últimos anos. O uso de brincos, colares, roupas coloridas. Os metrossexuais, a moda unissex. O que é um progresso, na medida em que o antagonismo macho/fêmea historicamente tem comprovado que causa muita violência, muita pressão. Todo homem tem o lado feminino, como dizia a música do Pepeu Gomes. Com as paradas, as conquistas dos direitos civis através do Supremo Tribunal Federal, houve uma maior visibilidade dos homossexuais na sociedade, o que tem provocado também maior reação dos que consideram ultrajante ver dois homens de mãos dadas.

Ele defende que essas conquistas "sejam reforçadas através de uma política pública que garanta segurança dos gays, lésbicas, travestis e que transmitam, por meio de educação sexual, sentimentos de tolerância face a esta população".

- O Brasil continua sendo campeão mundial de assassinato de homossexuais. Foram 260 em 2010, 134 até julho de 2011, o que dá uma média de um assassinato a cada 36 horas.

 

 

 

 


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