O GGB    ::    SEJA MAIS UM FILIADO    ::    FAÇA SUA DOAÇÃO    ::    ggb@ggb.org.br
 

Home
Saúde
Movimento GLBT
Grupos GLT
Editorial
Legislação
Direitos Humanos
Orientações
Caderno Cultural
Educação
Agenda 2004
Notícias
Artigos-Opinião
Acontece
Nossas publicações
Turismo
Sociedade
Destaques
Marcelo Cerqueira
Sites
Projetos
Roteiros e serviços

 

  

Travestis na política

Kátia, vice-prefeita travesti, honra sangue político da família Tapety


Vice-prefeita Katia Tapety, Luiz Mott fundador do GGB e um morador da comunidade de Colônia do Piauí. Tera de Safira Bengel, Raimundo Peereira e agora Jeovana Baby.

 

SALVADOR,BA, 22/05/08 - Tapety é sobrenome famoso no Piauí. Na veia da família corre sangue de poeta, de músico, de médico e advogado. Corre também, de longa data, sangue de políticos. Não seria diferente com Katia Tapety, vice-prefeita de Colônia do Piauí, a 338 km de Teresina, primeira vice-prefeita travesti do país, eleita em 2004.

Em Colônia do Piauí, a pobreza suplanta o preconceito. Três vezes vereadora, presidente da Câmara Municipal da cidade, Kátia é parteira, dentista prática, distribui leite às crianças, corre atrás de atendimento médico aos pobres. E pobres não faltam em Colônia do Piauí.

No pequeno município, emancipado de Oeiras, primeira capital piauiense, Kátia é vista como mulher. E pronto. Até na paróquia sentem falta da presença dela.- Sou respeitada. Sou uma mulher de mão cheia. A bicha que se prostitui não passa respeito. Nunca me prostitui - diz Kátia. Numa família de nove irmãos, oito homens e uma mulher, Katia nasceu José Nogueira Tapety Sobrinho. Logo começou a vestir roupas de menina. O pai a trancou em casa. Ao contrário dos outros oito filhos, Kátia não pôde estudar. O preconceito lhe roubou o diploma, mas não o talento político. Sem estudo ela já é assim, imagine se tivesse estudado! - conta um influente integrante da sociedade.

Influente sim, porém discreta.

 Meu pai era cabra macho, sentia o que o filho ia ser - conta Katia, que só se assumiu mulher aos 12 anos, em 1970. Com o pai, trancada dentro de casa, aprendeu o ofício de dentista prático. No sertão do Piauí, naquele tempo, era na prática que se resolviam as coisas. É assim até hoje. Na infância, para horror dos irmãos, usava vestido e brincava de boneca. A mãe, diz Kátia, a defendia.

 Era uma santa, dizia a meu pai que a dor que teve para parir os cabras machos foi a mesma dor que teve quando eu nasci. Num povoado tão distante e miúdo, onde havia visto um homem se vestir de mulher? - pergunto. - Era de mim mesmo, me sentia bonita, me sentia assim. Nunca tinha visto. Kátia vive uma união estável de 22 anos com um homem. Ele mora com ela, mas costuma fazer farra com as prostitutas da cidade. As 'quengas', como as prostitutas são chamadas por lá, deram ao companheiro de Kátia dois filhos que ela cria como dela, hoje com 9 e com 5 anos.

Ele sai com as outras, mas é comigo que mora - resume. Perguntada sobre outros namorados, ela se apruma:- Não posso falar, ele enciuma. Kátia diz que seus eleitores, gente simples, a chamam de dona Kátia e nem gostam dessa história de dizer que ela é travesti. Confessa que já foi 'paqueradeira', mas hoje anda mais sossegada. Afinal, é mãe. Toca o telefone e as crianças anunciam correndo: 'Mamãe! Telefone para a senhora'.

 

 

 


Voltar

  __________________________________________________________________________________________________________
  Grupo Gay da Bahia - GGB
Rua Frei Vicente, 24 - Pelourinho - Caixa Postal 2552
CEP 40.022-260. Salvador / Bahia / Brasil 
Tel.: (71) 321-1848 / 322-2552 / 322-2176
Fax: 322-3782
 
__________________________________________________________________________________________________________

         © 2003, Todos os direitos reservados, Grupo Gay da Bahia