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Ciro Brigham - Jornal Correio da Bahia, 28/08/05 - Liberdade de pensar, falar, discutir e produzir conhecimento e reflexão sobre sexo. Liberdade de imaginar o erotismo como apenas mais uma válvula para a expressão do sentimento humano. Associada à construção de uma cultura de paz, tolerância e aceitação, a segunda edição do Festival da Livre Expressão Sexual reúne manifestações culturais orientadas a partir dos direitos humanos, reprodutivos e sexuais. A abertura foi ontem à noite, com a estréia da exposição de artes visuais Arte e Erotismo, na galeria Cañizares, da Escola de Belas Artes da Ufba. Até o dia 20 de outubro, a dignidade das minorias sexuais, as questões de gênero e a promoção da livre expressão sexual estarão no centro das discussões de artistas, intelectuais, ativistas e militantes. São exposições de artes e fotográfica, seminários, mostra de filmes e vídeos, intervenções urbanas, lançamento de livros, performances e improvisações. Tudo orientado para contemplar as mais diversas formas de ver e reconhecer o mundo, através do sexo. Na exposição Arte e Erotismo, onde 19 artistas plásticos apresentam suas obras, o visitante tem uma pequena amostra de como o erótico pode ser incluído num contexto artístico não necessariamente pornográfico. É a primeira vez que Salvador sedia uma exposição deste tipo, que não fez parte da edição anterior do festival, organizada em 2003. "Salvador é uma cidade aberta a manifestações desta natureza. Ao mesmo tempo, o lado conservador é muito forte, como também a falta de iniciativas que produzam esclarecimentos sobre as questões sexuais", comenta o fotógrafo e artista plástico Edgar Oliva. Isso acontece, segundo Oliva, em todo o país. "O Brasil explora muito pouco a relação entre sexo e arte. Em Viena (Áustria), por exemplo, está acontecendo uma exposição sobre nu onde os visitantes devem ficar nus", comenta. Arte e erotismo - A gaúcha Lanussi Pasquali levou para a exposição um objeto em tecido com uma grande cavidade longitudinal, que fica suspenso e é a reprodução da genitália feminina. As cabaças em madeira com resina, de Juarez Paraíso, dialogam sobre sexualidade. Tonico Portela armou na parede um zodíaco de preservativos com estampas onde para cada signo, há uma posição para o ato sexual. Nome mais sugestivo não há: Posições astrais. Já
as montagens fotográficas de Edgar Oliva partem de anúncios
dos classificados de garotas de programa em jornais e são um alerta
contra a violência sexual. Este é um tema que promete destaque
durante as atividades do festival. No dia 30 de agosto, por exemplo, uma
homenagem ao ex-dono do bar Quixabeira, Joel Lobo, morto em dezembro de
2003, fará parte da programação do seminário
Violência e Direitos Humanos. "Vamos tirar um documento exigindo
uma resposta para vários casos de violência produzida pela
intolerância sexual", informa a produtora Janete Catarino.
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