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Irmão de humorista da Globo é morto a facadas

Crime homofobico
Funcionário do Irdeb, Mauro José Mascarenhas sangrou até morrer no banheiro de seu apartamento
Bruno Wendel, Jornal Correio da Bahia, 6/11/07



Mauro José Mascarenhas Pimentel dos Santos, 46 anos, irmão do ator Cláudio Manoel, o “seu” Creysson do Casseta e Planeta, foi encontrado morto, ontem à tarde, no banheiro do apartamento em que morava no bairro da Federação.

 



 

 

 

 

O gerente de documentação e pesquisa do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), Mauro José Mascarenhas Pimentel dos Santos, 46 anos, irmão do ator Cláudio Manoel, o “seu” Creysson do Casseta e Planeta, foi encontrado morto, ontem à tarde, no banheiro do apartamento em que morava no bairro da Federação. Tido como principal suspeito do crime, o mecânico elétrico Marcos dos Santos Silva, que morava com a vítima, está detido na 7ª Delegacia (Rio Vermelho), mas alega inocência.

O cadáver de Mauro foi encontrado por uma colega de trabalho, por volta das 17h. Como não conseguia falar com ele ao longo do dia, ela resolveu procurá-lo em casa, o apartamento 303 do edifício Cedro, no Condomínio Vereda do Bosque, localizado na Rua Pedro Gama, fim de linha de Federação. Após tocar a campainha várias vezes, usou a cópia da chave do imóvel, que levava sempre consigo, e entrou.

As manchas de sangue no chão e nas paredes da sala logo chamaram sua atenção. Seguindo até o banheiro, a mulher encontrou o corpo do amigo, que apresentava várias perfurações no rosto e peito. Embora transtornada com a cena, ela acionou a polícia. Logo depois, a titular Maria Dahil Sá Barreto foi ao local e presidiu o levantamento cadavérico.

Faca - Na sala, peritos do Departamento de Polícia Técnica encontraram no chão uma faca limpa (que pode ter sido utilizada pelo assassino), um preservativo usado e um cigarro de maconha. O consultor de telefonia móvel empresarial Paulo Henrique Santana dos Santos, 25, vizinho de Mauro, disse que, na tarde de domingo, a vítima chegou à residência acompanhada de um rapaz que já tinha ido ao local outras vezes. Por volta das 22h, escutou gritos e barulho de móveis sendo arrastados no apartamento 303, mas achou que não passava de mais uma briga sem maior importância. “Recentemente, todo mundo escutou a briga dos dois na escada do prédio”, contou. Acrescentou que ele costumava receber visitas constantes de outros homens.

O Irdeb divulgou, ontem à noite, uma nota de pesar pela morte trágica do funcionário. Mauro trabalhava no órgão desde agosto de 2001 e era bastante querido por todos. Segundo os colegas, marcou presença devido à extrema competência e senso profissional.

Nota da Redação do site do GGB

A verdade deve aparecer

O Grupo Gay da Bahia (GGB) recebeu com muita surpresa a notícia da morte de Mauro Mascarenhas. Pela percepção da cena do crime trata-se de um crime homofobico, uma expressão cruel da homofobia que vem ceifando a vida de muitos homossexuais no Brasil e na Bahia. Até quando teremos de pagar com as nossas vidas o preço do nosso desejo. É preciso que nesse caso e nos demais a verdade apareça e os culpados sejam punidos com todo o rigor da Lei. Eu, particularmente acredito que o depoimento de Marcos Silva, que tinha uma relação quase paternal com á vitima seja um procedimento padrão, porque particularmente temos as melhores informações sobre a conduta desse moço.

Pergunto a todas as autoridades envolvidas nas investigações desse e dos inúmeros casos que estão no limbo na Bahia por diversos motivos. Seja pela imperícia na coleta das peças para analise ou por as Delegacias estarem abarrotadas de processos e os crimes envolvendo homossexuais sejam apenas mais um crime no amontoado de papéis que estão nas mesas dos delegados.

Senhores é preciso que esses crimes sejam devidamente investigados e que os criminosos, matadores de homossexuais sejam julgados e tratados no rigor da Lei. A impunidade estimula a violência e essa impunidade tem sido o pão de cada dia dos homossexuais e das famílias, as poucas que se envolvem cobrando justiça para os seus mortos.  É preciso que o governo indique um Delegado Especial com equipe para apurar esses crimes contra homossexuais que continuam sem solução. A Delegacia de Homicídios por mais que tenha boa vontade ao exemplo do Dr Walter Seixas, não consegue dar vencimento, porque a violência aumenta a cada dia. Matar hoje é um gesto banal e isso acaba embrutecendo os envolvidos na apuração desses casos. Esses crimes têm uma particularidade muito especial, assim, é preciso uma analise criterioso e dedicação de quem procede a investigação para buscar encontrar a verdade.  

Poderia citar inúmeros casos sem solução, mas a titulo de ilustração faça referencia a memória do saudoso professor Lamark, assassinado no seu apartamento no Centro de Salvador. Hoje sequer temos a lembrança dele, porque seus familiares, primeiro apareceram levaram o carro, segundo venderam o apartamento que ele morava, depois receberam o seguro de tempo de serviços prestados na Universidade Federal da Bahia (UFBA). É sempre assim. Quem morreu é quem perde a vida, os bens a dignidade e tudo mais.

 

 

 


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