O GGB    ::    SEJA MAIS UM FILIADO    ::    FAÇA SUA DOAÇÃO    ::    ggb@ggb.org.br
 

Home
Saúde
Movimento GLBT
Grupos GLT
Editorial
Legislação
Direitos Humanos
Orientações
Caderno Cultural
Educação
Agenda do GGB
Notícias
Artigos-Opinião
Acontece
Nossas publicações
Turismo
Sociedade
Municipios
Marcelo Cerqueira
Sites
Projetos
Roteiros e serviços

 

  

MENORES ASSASSINOS DE GAYS, LÉSBICAS E TRAVESTIS NO BRASIL: 1999-2006
Luiz Mott
<luizmott@oi.com.br>

 

Neste momento em que toda a nação está traumatizada com a morte cruel do menino João Hélio no Rio de Janeiro, e que se discute a maior penalização para menores  infratores, o Grupo Gay da Bahia, com base em seu arquivo de dados, oferece esta pequena contribuição para a discussão deste problema, centrando-se nos assassinatos de gays,  travestis e lésbicas cometidos por menores de 18 anos.
Entre 1999-2002, de 15-20% dos assassinos de homossexuais no Brasil tinham menos de 18 anos. 39-50% tinham menos de 21 anos. De 2003 a 2006, felizmente, e ainda sem explicação, este número vem diminuindo, registrando-se anualmente, 1 a 2 assassinatos de gays e travestis cometidos por menores de idade.
Segundo dados do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção e Tratamento do Delinqüente - os crimes realizados por adolescentes não atingem 10% dos crimes praticados no Brasil e de todos os atos infracionais cometidos por adolescentes, somente 8% equiparam-se a crimes contra a vida. Assim sendo, somos forçados a concluir que no tocante aos homicídios contra GLTB, lastimavelmente esta proporção chega quase a duplicar-se, sendo mais freqüentes os homicídios praticados por menores contra homossexuais (15-20%) do que contra a população em geral (8%).
Tais dados sugerem a urgência da implementação de campanhas de esclarecimento e informação junto à nossa  infância e juventude com vistas a universalizar  sentimentos de tolerância e fraternidade face às minorias sexuais, a fim de erradicar a homofobia e o ímpeto assassino das novas gerações.
Cumpre notar, outrossim, o outro lado da moeda:  o homicídio de homossexuais  menores de idade, um grave problema de segurança individual a ser erradicado no Brasil. Entre 1981-2005 foram assassinados 78 adolescentes entre 11-17 anos, sendo 42 travestis e transexuais, 29 gays e 7 lésbicas. Menores vítimas da mesmo ódio anti-homossexual  praticado pelos menores infratores que matam homossexuais.
Segue abaixo informações sobre violência e homicídios contra GLTB praticados por menores, transcrições extraídas dos livros de minha autoria Violação dos Direitos Humanos e Assassinatos de  Homossexuais no Brasil;  Matei por que odeio Ga; , Causa Mortis: Homofobia [www.ggb.org.br]
A análise da criminalidade juvenil no Brasil e no mundo leva-nos a posicionar CONTRA a redução da idade da responsabilidade criminal, pois todos os indicadores sócio-policiais demonstram que tal redução de idade não resolveria nem diminuiria a violência juvenil. Somos sim, a favor da implantação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo e de maior discussão sobre os efeitos positivos ou não, da aplicação de  maior severidade na penalização dos infratores, aumentando-se o tempo de internação e agravamento da pena dos delinqüentes adultos que se fazem acompanhar de menores.

1999: MENORES ASSASSINOS DE HOMOSSEXUAIS

Do total de 169 assassinatos de homossexuais no Brasil em 1999,  18% dos assassinos eram menores de idade, entre eles  Dênis Conceição da Silva, 15 anos, desocupado, o qual após espancar à travesti Naiara, 20, em Manaus, matou-a com pauladas e cortes de vidro de garrafa; dois menores,   L.A.S., 15 e M.F.S., 17 foram cúmplices de Márcio Barroso dos Santos, 18 anos, no assassinato de Antônio Júlio Matos, 38, caseiro, trucidado a pauladas e pedradas em um bar em Salvador; em Teresina, o menor E.W.C.B., 16, matou a facadas um vigia de colégio de 38 anos;  a travesti Bia, de Canoas (RS), foi morta a pauladas por dois rapazes, um de 18 e outro de 17 anos; também 17 anos tinham os três assassinos do professor Gérson Arruda, de Cuiabá, que após esfaquearem seu corpo, o degolaram; finalmente, o menor V.A.M.L., 17, matou o pai de santo Hilde no Paraná, com facadas múltiplas no tronco.
Nestes crimes praticados por menores, observam-se algumas regularidades: muitas das vítimas tinham idade para ser pai do menor, que nem por isso se intimidaram com a maior idade e status superior do homossexual; vários destes crimes tiveram a participação de dois ou mais menores, acompanhados de outros adolescentes com 18 anos; a extrema violência dos crimes envolvendo menores comprova o quanto a homofobia impregna os códigos de violência desta população juvenil.

2000: MENORES ASSASSINOS DE HOMOSSEXUAIS

Igualmente ao observado em anos anteriores, uma mesma tendência  emerge como uma regularidade no perfil dos assassinos de homossexuais: esta categoria de deliquentes é constituída sobretudo por adolescentes, sendo que dos 44 assassinos sobre os quais se conhece a idade, a metade tinha menos de 21 anos (44%), seis dos quais menores de idade, entre 14 e 17 anos (14%)
Repete-se também em 2000 o padrão frequentemente observado em anos anteriores pelo Brasil a fora: gays mais velhos têm preferência por parceiros mais jovens, daí os matadores de gays geralmente serem mais novos que as vítimas. Inversamente, muitos adolescentes sentem grande curiosidade sexual ou acham mais fácil manter relações sexuais com “viados”, daí a presença de tantos jovens na lista dos assassinos. Eis alguns destes sinistros: aos 6 de fevereiro de 2000, em Brasília, o sargento da aeronáutica Marcelo de Freitas Silva, 27, foi  assassinado com 3 tiros no rosto, dentro do porta mala do seu carro, por três indivíduos: um de  25 anos, “Beiçola”, secundado por mais três   menores:  G.G.S., 15 anos; Rivanildo Ferreira Lira, “Ceguinho”,  e o  menor “Galeguinho”. Segundo depoimento dos mesmos, o sargento antes de morrer implorou: “Podem levar tudo o que vocês quiserem, mas pelo amor de Deus, não me matem”. Mataram e roubaram o carro.  Também na Capital Federal, três meses após aquele crime,  José de Anchieta Tavares, 38, gerente adjunto da Caixa Econômica Federal, foi assassinado com uma facada no pescoço, dentro do seu veiculo, durante a madrugada, tendo como autores deste sinistro  Fernando Pereira da Silva, 20, e o menor M.B.F.S, 16, ambos garotos de programa, que mataram para roubar a vítima.  Embora em vários destes crimes os menores  assassinos faziam companhia a delinqüentes maiores de idade, algumas vezes agem isoladamente: o cabeleireiro Daniel Batista Cordeiro, 34, no Rio Grande do Norte, foi espancado até a morte em sua residência pelo  menor E.L.S., 16 anos.

2001: MENORES ASSASSINOS DE HOMOSSEXUAIS

Confirma-se a mesma tendência observada nos anos anteriores: esta categoria de delinqüentes é constituída sobretudo por adolescentes, sendo que dos 54 assassinos sobre os quais se conhece a idade, 50%,  tinha menos de 21 anos, onze dos quais (20%),  menores de idade, entre 15 e 17 anos. No ano anterior, foram 44% os menores de 21 anos, e 14% os menores de 18.
Eis alguns destes sinistros envolvendo menores assassinos: em Salvador,  na favela Saramandaia, na viela conhecida como  “Beco da Morte” a polícia prendeu dois adolescentes, ASSF e R, de 17 e 16 anos, respectivamente, que haviam morto a tiros a um homossexual de identidade desconhecida; em Natal, o adolescente José Názaro Masceo, 17 anos, esfaqueou ao homossexual Antonio Bezerra da Silva, jogando o corpo num riacho; em Brasília, segundo declaração da 1a Delegacia da Asa Sul, o principal suspeito do assassinato do bancário Ernesto de Lima Santos, 42 anos, é um rapaz de 17, ACC, cuja carteira de identidade foi encontrado no chão do apartamento da vítima. Algumas vezes, menores participam de crimes junto com pessoas mais velhas, como o adolescente EDS, 16 anos, que juntamente com um comparsa de 23, mataram ao cabeleireiro “Major”, no município de Conde, na Paraíba.
        Nestes crimes praticados por menores, insistimos, observam-se algumas regularidades: muitas das vítimas tinham idade para ser pai do menor, que nem por isso se intimidou com a idade e status superior do homossexual, agredindo-o mortalmente; vários destes crimes tiveram a participação de dois ou mais menores, acompanhados alguns de comparsas adultos; em anos anteriores, notou-se violência extremada nos crimes envolvendo menores, o que sugere o quanto a homofobia impregna os códigos de violência de parte de nossa juventude, especialmente marginais juvenis. Urge a implementação de campanhas de esclarecimento e informação junto às crianças e adolescentes no sentido de universalizar  sentimentos de tolerância e fraternidade vis-a-vis as minorias sexuais, a fim de erradicar a homofobia das futuras gerações.

2002: MENORES ASSASSINOS DE HOMOSSEXUAIS

Confirma-se a mesma tendência observada nos relatórios anteriores: esta categoria de delinqüentes é constituída sobretudo por jovens, tanto que  dos 65 assassinos sobre os quais se conhece a idade, 39%  tinham menos de 21 anos,  (50% em 2001), 15% dos quais eram  menores de idade, entre  15 e 17 anos.
Também em 2002 repete-se o mesmo padrão freqüentemente observado em anos anteriores pelo Brasil a fora: gays mais velhos têm preferência por parceiros mais jovens, daí os matadores de gays geralmente serem mais novos que as vítimas. Inversamente, muitos adolescentes sentem grande curiosidade e desejo sexual por adultos homossexuais, outros consideram mais fácil  iniciar sua vida sexual com  “viados”, daí a presença de tantos jovens na lista dos assassinos.  
Neste ano, o caso mais chocante envolvendo um menor assassino ocorreu em Salvador, em meados de dezembro, tendo como vítima o economista  e administrador de empresas Carlos Moreno Chaves Jr, 36 anos. Eis como o Correio da Bahia noticiou este sinistro: “Ódio a homossexuais. Este foi o principal motivo do assassinato deste Economista. Os criminosos foram os estudantes Jefferson Wander Figueiredo Gentil, 18 anos e Guisner Ferreira  Suarez Jr, 17, autor do golpe de jiu-jitsu conhecido como ‘mata leão’ que deixou a vítima inconsciente antes de ser estrangulada. Ambos confessaram e relataram com detalhes a trajetória do crime. A vítima havia deixado  sua residência naquele domingo para se encontrar com amigos para beber num bar. Por volta das 17hs, recebeu um telefonema de Jefferson, à época com 17 anos, convidando-o para ir a uma casa de shows.  Combinado, o economista foi buscá-lo em Paripe, no subúrbio de Salvador, encontrando-o com o outro menor, Guisner, que confessou odiar homossexuais, surgindo daí a idéia de matar Carlos. O crime foi executado no interior do Corsa que estava com a vítima. Primeiro, Guisner  deslocou o pescoço  do economista e em seguida, estrangulou-o com um cinto, aí deu uma facada no pescoço, jogando o corpo num matagal do Centro Industrial de Aratu, ateando fogo e fugindo com o carro e roubando sua carteira.“ Mais adiante em outra matéria,  este menor assassino acrescentou: “Eu nem conhecia ele. Jefferson me convidou para matar um homem, dizendo que era gay. Apenas porque eu não gosto dessa gente aceitei ajuda-lo.”  Homofobia mais  explícita impossível! Foi neste depoimento que nos inspiramos para dar o nome deste livro: Matei porque odeio gay!
Em crimes praticados por menores, insistimos, observam-se algumas regularidades: muitas das vítimas tinham idade para ser pai do menor, que nem por isso se intimidou com a idade e status superior do homossexual, agredindo-o mortalmente; vários destes crimes tiveram a participação de dois ou mais menores, acompanhados algumas vezes  de comparsas adultos; em anos anteriores, notou-se violência extremada nos crimes envolvendo menores, o que sugere o quanto a homofobia impregna os códigos de violência de parte de nossa juventude, especialmente marginais juvenis, que matam sem dó nem piedade, alguns certos de contar com o álibi da proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente.  Consideramos urgente a implementação de campanhas de esclarecimento e informação junto à nossa juventude com vistas a universalizar  sentimentos de tolerância e fraternidade vis-a-vis as minorias sexuais, a fim de erradicar a homofobia das futuras gerações.

EPISÓDIOS DE VIOLENCIA ANTI-HOMOSSEXUAL PRATICADOS POR MENORES DE IDADE

PROFESSOR É ESFAQUEADO POR DOIS MENORES EM ALAGOAS
Professor Pedro Nunes Filho, do Curso de Comunicação da Universidade Federal de Alagoas foi esfaqueado em seu apartamento em Mangabeiras, por dois adolescentes de 17 anos, B.R.S. e J.S.C. . Foi internado em estado grave na UTI. [Gazeta de Alagoas, 25-9-99]

EDSON NERIS: 12 MENORES ENTRE OS ASSASSINOS       
No domingo, 6 de fevereiro de 2000, o adestrador de cães Edson Néris da Silva tentou cruzar a praça da República, no centro de São Paulo, ao lado do seu companheiro Dario Pereira Netto. Passeavam de mãos dadas, quando um grupo de jovens com cabeças raspadas avançou sobre os dois dando chutes e pauladas. Como que por milagre, Dario conseguiu fugir. Ficou escondido até os agressores se dispersarem e voltou para socorrer o seu companheiro. Edson, 35 anos, teve hemorragia interna e morreu. Pouco depois, a polícia prendeu 30 skinheads que portavam soco inglês e correntes de aço, num bar das imediações. Doze eram menores e 18 foram indiciados por homicídio e formação de quadrilha. Os assassinos faziam parte dos conhecidos “Carecas do ABC”, movimento criado nos anos 80 que prega o nacionalismo exacerbado para supostamente “dar mais dignidade aos brasileiros”.

SAUNA GAY É  ALVO DE ASSASLTANTES  EM BELO HORIZONTE,  MG
Os assaltantes Élvis dos Santos Assis, 21, Daniel de Paula Santos, 18, e um menor de 17 anos, fizeram uma tentativa de assalto na Sauna Vapore, localizada no Barro Preto em BH. Os três entraram na sauna, tiraram a roupa e fizeram se passar por clientes permanecendo por 3hs na sauna, com o intuito de conhecer o ambiente e planejar melhor a ação. “Eram pessoas completamente alheias à casa. Estavam totalmente desconcertadas”, afirmou Amintas Farias Ferreira, 38, gerente. Os três assaltantes pegaram todo o dinheiro que encontraram e cheques de clientes, mas se deram mal ao dar as costas para o segurança, o bar-man e o gerente. Os ladrões foram imobilizados e entregues à polícia. [O Tempo/MG, 11-3-2000]


Ouvimos certa vez o depoimento de um jovem do Rio Grande do Norte dizendo que “no Sertão, o rapaz tem sua primeira transa com uma galinha ou com alguma fêmea animal; depois transa com viado e só depois come  uma puta...”

Correio da Bahia, 31-1-2003, “Morte de economista elucidada”

 


 


Voltar

  __________________________________________________________________________________________________________
  Grupo Gay da Bahia - GGB
Rua Frei Vicente, 24 - Pelourinho - Caixa Postal 2552
CEP 40.022-260. Salvador / Bahia / Brasil 
Tel.: (71) 321-1848 / 322-2552 / 322-2176
Fax: 322-3782
 
__________________________________________________________________________________________________________

         © 2003, Todos os direitos reservados, Grupo Gay da Bahia