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Terceiro lugar no 'Miss Transexual', brasileira quer direito a mudar de nomeDanielle Marques foi eleita a terceira travesti mais bela do mundo. Próximo passo é adotar uma criança para criar com o marido alemão.Paulo Guilherme Do G1, em São Paulo Por telefone, a transexual nascida em Bela Vista (MS) e registrada em cartório com o nome de Daniel Marques Corrêa revelou seu desejo de colocar o nome de mulher nos documentos e ajudar os transexuais a terem mais acesso ao trabalho. Casada há menos de um mês com um alemão de origem portuguesa, Danielle revelou o desejo de adotar uma criança para formar uma família. Confira a entrevista: G1 – Como você está se sentido após ser eleita a terceira transexual mais bela do mundo? Danielle - Eu não tinha ideia da dimensão deste concurso aqui na Ásia. É uma superprodução com grande divulgação. Tinha jornalista do mundo inteiro. Só não tinha do Brasil. Sei que merecia mais que terceiro, mas a cultura asiática é muito diferente, eles respeitam muito a transexualidade. É muito diferente da nossa cultura. Mas fiquei contente com toda a divulgação obtida. No ramo artístico, você sempre tem que estar na mídia. Sempre busco algo para fazer para chamar a atenção. Agora tenho certeza de que meu trabalho vai dobrar. Estou muito feliz. G1 – De que forma sua vitória pode ajudar na luta pelos direitos dos transexuais? Danielle - Trabalho desde os 15 anos. No Brasil, trabalhei como cabeleireira, modelo e consegui um emprego de maquiadora na TV Educativa de Campo Grande como travesti. Também atuei em um teatro de Balneário Camboriú (SC), onde também tinha um salão de beleza. Fui para a Argentina, onde aprendi a falar espanhol e em seguida parti para a Espanha. Em Barcelona, trabalhei na noite como gogo girl na beira da praia, ganha 50 euros por noite. Todo verão eu ia para Ibiza onde tinha muitas festas e dava para ganhar mais dinheiro trabalhando como dançarina. Foi lá que conheci o meu atual chefe, que é grego e vive na Alemanha. Ele me chamou para fazer parte de um grupo de transexuais que dançam com roupas sensuais ao estilo do Crazy Horse, a famosa companhia francesa. Era para trabalhar por 3 meses, mas já estou há quase 4 anos. Hoje sou estrela do espetáculo. Faço até um show solo, onde canto músicas de Gal Costa, Ivete Sangalo e Daniela Mercury. Neste concurso eu me apresentei cantando “O canto da cidade”, da Daniela Mercury. Sou muito afinada. G1 – Você mudou muito o seu corpo? Danielle – A minha primeira cirurgia plástica eu consegui fazer com o dinheiro que ganhei em Ibiza. Fiz plástica no nariz, coloquei prótese de silicone no peito e operei o “gogó”. Não fiz cirurgia de mudança de sexo. G1 – Quando você descobriu a sua homossexualidade? Danielle – Quando fui para a Alemanha precisava de um professor que falasse português e alemão. Ele é filho de portugueses e nasceu em Stuttgart. Começamos a conversar pela internet. No começo ele não sabia que eu era transexual. Ele é hetero e nunca havia tido relação com uma “trans”. Mas logo nos apaixonamos e decidimos nos casar. Nosso casamento foi no último dia 19, em Hamburgo, onde moramos. Temos uma união civil com comunhão parcial de bens. Tenho direito ao plano de saúde, seguro de vida e outros benefícios que ele tem. Agora quero mudar o nome que consta em meus documentos. É muito chato ser constantemente alvo de brincadeiras dos oficiais de imigração sempre que passo em aeroportos. Depois quero fazer a cirurgia de mudança de sexo. G1 – Existem relatos de transexuais que fizeram a cirurgia de mudança de sexo e depois tiveram problemas psicológicos. Isso te preocupa? Danielle – O que eu mais tenho medo é das dores da cirurgia. Também tenho medo de morrer na mesa de operação. Eu conheço amigas que operaram e não mudaram em nada, mas também sei de gente que operou e deu uma pirada geral. Mexe muito com o psicológico da pessoa. Mas eu quero muito adotar uma criança e acho que o mundo pode estar preparado para um filho ter dois pais ou duas mães, mas é difícil aceitar um pai e uma mãe que tenha órgão genital masculino. G1 – Muitas vezes a vida de um transexual está ligada à prostituição. Você já fez programa? Danielle – Nunca fiz programa na minha vida. Sim, eu já tive homens que me bancaram, alguns eram até casados, mas nunca fiquei com alguém que eu não gostasse ou que tivesse de aturar só por causa do dinheiro. Não consigo imaginar vender o corpo ou ter que fazer sexo sem ter prazer. Acredito no amor e na convivência. Nunca me prostitui na rua e conheço muita “trans” que nunca se prostituiu. Não discrimino quem faz isso. Sei que a vida de uma transexual não é fácil. É briga diária contra a natureza, porque o corpo fabrica hormônio masculino e a gente não quer isso. Constantemente temos de fazer aplicação de laser, cirurgia plástica, colocar botox, arrumar cabelo, fazer unhas e ser feminina. Isso sai muito caro. Por isso muita gente que está começando acaba sendo levada à prostituição. Se a pessoa não tiver apoio, acaba caindo nas drogas e se prostituindo.
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