

Praça da República, em São Paulo |
A estação República do metrô de São Paulo pode ganhar um colorido a mais como forma de lembrar a intolerância de grupos radicais contra a comunidade LGBTI. O Grupo Gay da Bahia (GGB) propôs durante a 1ª Conferência Nacional GLBT uma moção à prefeitura paulistana para a construção de uma pirâmide cor-de-rosa no local onde, em 6 de junho de 2000, o homossexual Edson Neris foi assassinado por uma gangue neonazista. A moção foi aprovada em bloco junto a outras e agora aguarda resposta da prefeitura.
O objetivo do monumento em homenagem a Edson, segundo o presidente do GGB, Luiz Mott, é lembrar da morte de Neris e alertar a população com relação ao crescente número de crimes contra a comunidade LGBTI no Estado de São Paulo como assassinatos e espancamentos. Mott revela que a inspiração para a construção vem de uma já existente pirâmide do tipo instalada em Amsterdã, Holanda, para lembrar os homossexuais presos e torturados durante o regime nazista de Hitler na Segunda Guerra Mundial.
Caso seja aprovada, a construção do monumento, uma pirâmide de mármore cor-de-rosa com a medida de um metro em cada um dos lados da base, será financiada pelo GGB e deve custar cerca de R$ 5 mil, mas o Grupo não dispensa a ajuda financeira do poder público. “Se o Gilberto Kassab quiser ajudar, vamos achar ótimo”, diz Mott. Ele lembra ainda que a Bahia possui esse tipo de mármore raro e não será muito difícil conseguir a matéria-prima para a pirâmide.
O GGB vai lançar, após a aprovação do pedido, um concurso nacional onde vai selecionar as melhores idéias de arquitetos e artistas para a construção do monumento. “Vamos ver qual será a proposta mais segura, estética e comunicativa.” Antes de iniciar o projeto, é preciso ainda identificar o local exato onde Edson foi assassinado e a forma como a pirâmide será sustentada, se diretamente no chão ou por alguma coluna. A pirâmide terá ainda a inscrição “Edson Neris [*1964+6/2/2000]. Massacrado por uma gang de neo-nazistas. Causa Mortis: HOMOFOBIA”.
A escolha da pirâmide como símbolo do protesto mundial contra a homofobia vem da identificação dada pelos nazistas ao homossexuais, um triângulo rosa. Se for aprovada a moção do GGB, a pirâmide promete alterar a vista da Praça da República e lembrar a todos que por ali passam (e não é pouca gente) a intolerância que ainda existe e os perigos aos quais a comunidade LGBTI está exposta enquanto grupos homofóbicos estiverem agindo livremente.
O assassinato do baiano Edson Neris ganhou proporções nacionais e se tornou um dos símbolos da intolerância ainda existente no Brasil. Em 2002, o Grupo Gay da Bahia estampou uma foto dele no livro “Causa Mortis: Homofobia”, lançado para atratar das constantes mortes de homossexuais por mãos homofóbicas.