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Mott responde carta de delegado paulista incomodo com o uso da expressão “traveco” atribuída a delegados


SALVADOR, 25/04/2010 – Após a ilustrativa exposição do fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), decano do Movimento Homossexual Brasileiro, Luiz Mott no Programa do JÕ Soares, exibido pela Rede Globo de Televisão na madrugada de 23 para 24 deste mês, inúmeras mensagens tem chegado ao e-mail público do GGB sobre o assunto. Muitas delas de pessoas, homossexuais ou não que enviam mensagens de parabéns pela entrevista, poucos criticando, mas também chegaram ao exemplo dessa enviada pelo Delegado Assistente Marcelo A. dos Santos do município de São Roque, em São Paulo.

O delegado protesta ao fundador do GGB pelo uso da expressão “traveco” uma analogia pejorativa imposta às travestis e transexuais em todo o Brasil, expressão de cunho policialesca, e por assim ser muito usada nas rodas policiais.  O GGB recebe com muito carinho a carta do delegado e fica tomado de extrema felicidade de saber que existem flores raras no lodo. Dr Marcelo dos Santos, ao que parece é um deles, ou melhor uma flor que nasceu no lodo e mesmo assim exala um raro perfume estonteante.

Essa expressão “traveco” é um termo usado desde a existência das Delegacias de Jogos e Costumes, lembram? Aquelas que prendiam pessoas para averiguação, pretos, gays, “travecos”, prostitutas e muitas vezes obrigavam essas pessoas a fazerem à faxina da Delegacia, isso era muito comum aqui na Bahia, se em São Paulo não era, aqui no GGB existem fotos que mostram homossexuais “travecos” realizando esses serviços. Felizmente com o fim dessa Delegacia iniciam-se novas condutas policiais, mas continua o uso da terminologia como forma de desqualificar a cidadã travesti.

Hoje existe na Polícia Civil delegados gay e delegada lésbica assumidos e bom em tudo isso é que percebe-se na pratica cotidiana que a sua orientação sexual não interfere em nada nas habilidades profissionais deles. Por outro lado também existem delegados como o autor da mensagem que se destaca também por não ser homofobico, mesmo que pese a dureza da profissão, isso é bom. Sem mais considerações, transcrevemos na integra a carta do delegado e a resposta do professor Luiz Mott.

Prezado Luiz,


Como Delegado de Polícia com 17 anos de carreira, espantei-me com o preconceito demonstrado por Vossa Senhoria pelos meios de comunicação dias atrás. Sou linha de frente, como dizem, 14 anos de plantão na periferia da capital paulista, amassei barro em favelas e atendi milhares e milhares de pessoas.  Servi as populações que me foram confiadas com o máximo que minhas condições de trabalho me permitiam.

 Dizer que "NÃO FALE "TRAVECO"  JÔ, ISSO SÓ É UTILIZADO POR DELEGADOS PRA BAIXO, O CERTO É UTILIZAR O TERMO "A TRAVESTI", é menoscabar uma classe operosa, que trabalha em condições, horários, com situações desumanas. Somos a face visível do Estado quando todos - fora os médicos e controladores de tráfego aéreo - descansam em seus lares.

 Deixo minha esposa e meus dois filhos no meu lar e vou para lugares de homicídios,crimes brutais, ou como o latrocínio que atendi há 2 dias e que, em poucas horas, desvendamos a morte de um homossexual. Não nos esforçamos a toa, ou por causa da opção sexual dele. Para mim, todos são iguais perante a Lei. Eu e meus comandados nos esforçamos APENAS PORQUE É NOSSO DEVER. Demos uma resposta à sociedade, à família, à memória da vitima.

 Assim como vossa senhoria luta pelo fim do preconceito contra as minorias (seriam assim tão "minorias"?) sexuais, lute também contra o preconceito contra categorias profissionais: coletores de lixo, auxiliares de limpeza ou produção, garis, juízes ou promotores, delegados ou contadores, todos somos importantes e temos a isonomia decorrente simplesmente de sermos PESSOAS. E como tal, TODOS devemos ser respeitados. Continue na sua luta, mas peço respeito à minha Instituição e à minha Carreira, atenciosamente.

Prezado delegado Marcelo Almagro dos Santos

Agradeço muito sua mensagem. Abaixo reproduzo igual opinião de um delegado de Rancharia, SP. Fico extremamente feliz em perceber alto nível de consciência cidadã dentro de vossa corporação, sobretudo no interior de nosso estado (sou paulistano e passei todas minhas férias infantis em Araçariguama, na época distrito de S.Roque, terra do grande pioneiro gay Darcy Penteado).

Minha resposta abaixo contempla em parte seu questionamento. Insisto: são as próprias lideranças travestis que denunciam ser corrente o uso do pejorativo “traveco” por delegados de polícia em diferentes cidades do Brasil.

Desculpo-me se ofendi vossa sodalício ao generalizar, mas constato que felizmente temos muitos aliados,pessoas solidárias dentro das delegacias, inclusive delegadas, que não discriminam nem usam termos preconceituosos. Se tiver alguma sugestão de como transmitir a vossos pares nossa mensagem de respeito e esclarecimento sobre homofobia, agradeço! A madrinha da VIII Parada Gay da Bahia em 2009 foi uma delegada de Polícia, diretora do Departamento de Crimes Contra a Vida.

Bom trabalho, caro delegado Marcelo, e caso tenha informação de algum assassinato de gays ou travestis na vossa região, favor nos enviar. Abaixo reprodução duas letras de músicas que tratam os “travecos” com travestifobia, cordialmente Luiz Mott.

 

 

 


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