MOTT
EM MOÇAMBIQUE
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Imagem
do protesto feito na II Ciad que ocorreu em Salvador, mês
de Julho. |
A
Convite da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, Luiz Mott,
antropólogo e decano do movimento homossexual brasileiro,
será o conferencista do I Seminário Nacional Sobre
a Homossexualidade em Moçambique, que se realiza em Maputo
nos dias 12 e 13 de outubro. Trata-se da primeira vez que um órgão
governamental realiza evento tendo a homossexualidade como tema.
Conta com o apoio da HIVOS, a mais importante entidade holandesa
de direitos humanos e Aids.
Quatro
são os objetivos do I Seminário Nacional Sobre a Homossexualidade:
Identificar as realidades sobre a Homossexualidade nos vários
sectores da sociedade Moçambicana, (Estado, Família,
Empresas, Sociedade Civil, etc); Discutir a Homossexualidade e sua
Situação Legal em Moçambique e o melhor caminho
de dialogo sobre a questão; Demonstrar o quanto às
questões da homossexualidade tem a ver com as questões
sexuais no geral e Incentivar a livre reunião dos Homossexuais.
Estarão
presentes também representantes de Zimbábue, Namíbia
e África do Sul. Mott preparou duas apresentações
de data show, com 60 slides, onde mostra as raízes históricas
e antropológicas da homossexualidade na África, a
perseguição aos homossexuais durante o colonialismo
e os principais GLTB afro-descendentes na diáspora.
Moçambique
– com quase 19 milhões de habitantes, assim como Angola
e demais países africanos lusófonos, ainda mantém
o mesmo Código Penal do tempo que era colônia de Portugal,
sendo a homossexualidade ilegal, passível de detenção
e internamento em clínicas de recuperação.
Dos 54 países africanos, 62% tratam a homossexualidade como
crime, com penas que vão da prisão por 6 meses a 14
anos, pena de até 100 açoites nos gays e 50 açoites
nas lésbicas. Três paises africanos ainda condenam
os homossexuais à pena de morte: Nigéria, Mauritânia
e Sudão.
Segundo
Mott, “Este seminário é um marco histórico
na construção da cidadania dos homossexuais africanos,
pois vamos plantar a semente para que também em Moçambique,
os GLTB (gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais)
se organizem para garantir cidadania plena.” E cita a vizinha
África do Sul, o primeiro país do mundo a incluir
na Constituição a proibição de discriminar
os homossexuais.
Gays
realizaram protesto em Salvador contra homofobicos
No mês de Julho passado no Centro de Convenções
da Bahia antes da abertura da II Ciad (Conferência de Intelectuais
da África e da Diáspora), cerca de 50 integrantes
do GGB (Grupo Gay da Bahia) fizeram uma manifestação
contra 24 países africanos que criminalizam o homossexualismo.
Com
faixas e cartazes, os integrantes do GGB pediram para o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva que rompesse as relações
diplomáticas com os "países homofóbicos"
e compararam as leis que combatem o homossexualismo à escravidão.
"Na África, os gays são tratados como escravos",
dizia um cartaz ostentado por um militante. “É urgente
que anistia Internacional faça um relatório que aponte
e denuncie a violência praticada contra homossexuais na África”,
disse Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.
O Grupo
Gay da Bahia (GGB) comemora a ida de Mott ao mundo africano, alias,
Mott já é um africanista de longas datas, escreveu
dezenas de artigos sobre escravidão e apresnetou para o mundo
a escrava Africana Rosa Maria Egipciaca da Vera Cruz, uma negra
Mina que foi considerada santa Rosa do Rio de Janeiro no Brasil
Colonial. O Escritor, intelectual orgânico Luiz Mott, também
em suas pesquisa descobriu o escravo Francisco Manicongo, de etnia
Coura que tanto no Cais de Lisboa, quanto depois na Rua da Ajuda
em Salvador, jogava pedra em quem lhe chamasse pelo nome de batismo,
preferia ser chamado de Vitória.
A Ida
de um militante internacional, histórico como Luiz Mott,
fundador do GGB constitui um passo importante para criar um espaço
de aceitabilidade e de palavras em defesa dos homossexuais africanos,
do jeito que está não pode ficar.
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