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MOVIMENTO GLBT

Como organizar um Grupo de Gays, Lésbicas, Travestis ou Transexuais

Gay significa "alegre". E apesar da vida dos gays e lésbicas no Brasil ser marcada por muita tristeza e violência, nossa intenção em divulgar estas "dicas" é transmitir a outros homossexuais nossa enorme alegria de participar do Movimento Homossexual Brasileiro. Nosso ponto de partida é que vivemos numa sociedade injusta onde só tem direitos plenos quem for, macho, branco e rico. Os pobres, os negros, as mulheres, os homossexuais estão por baixo. Nos chamam de minorias e nos tratam como doentes, caso de polícia ou problema social. A nós, gays e lésbicas, nos chamam de pervertidos, anormais e delinqüentes. Daí a inadiável urgência de nos organizarmos para mudar esta opressão. Somos pessoas normais e cidadãos com os mesmo direitos que todos os outros. A Constituição Federal e as Leis Orgânicas de mais de 70 dos principais municípios brasileiros proíbem qualquer forma de discriminação. Ser homossexual não é crime, doença ou pecado : é um direito pelo qual devemos lutar e impor à sociedade a nossa condição. É legal ser homossexual! A realidade, contudo, está cheia de exemplos de intolerância, violência e repressão à liberdade homossexual. Bichas e travestis são espancados pela polícia e por populares; bofes matam impunemente homossexuais em seus apartamentos; lésbicas são perseguidas e molestadas por machões que não se conformam em ver duas mulheres juntas; homossexuais perdem seus empregos quando são descobertos. A cada cinco dias um jornal anuncia o assassinato de um gay, vítima da homofobia (ódio aos homossexuais). Urge que nos organizemos para acabar com tanta ignorância e discriminação. Temos de apressar a história. Que o futuro de respeito e alegria seja já!

Esta luta já tem uma longa história internacional. No mundo inteiro os gays e lésbicas estão organizados em grupos e associações. No Brasil, já em 1978 era fundado o nosso primeiro grupo homossexual, e hoje existem diversos grupos funcionando, do Amazonas ao Rio Grande do Sul. O GGB, autor deste documento, foi fundado em 1980, e o movimento homossexual brasileiro (MHB) já realizou muitos encontros nacionais. O ideal é que em todas as principais cidades brasileiras os gays e lésbicas se organizem em grupo, pois só assim podemos enfrentar com êxito a homofobia. É exatamente com objetivo de estimular a fundação de novos grupos gays e lésbicos que estamos enviando à você estas dicas, confiando em sua garra e determinação em levar adiante esta luta de vida ou morte. Somos milhões e estamos em todas as partes!

1) A primeira atitude a ser tomada é decidir a fundação de um grupo. Qualquer pessoa medianamente inteligente tem capacidade de ser "fundador" de um grupo ativista homossexual. Basta querer e meter as caras! Primeiro converse e convença outros homossexuais de sua cidade, gays e lésbicas, sobre a importância de se organizar em grupo para melhor enfrentar a discriminação. Três são as principais finalidade de um grupo gay : A) Discutir e entender porque somos homossexuais; B) Conscientizar o maior número possível de homossexuais da necessidade de se organizarem e defenderem seus direitos de cidadania; c) impedir e denunciar discriminações e violência contra os gays e lésbicas. Quatro ou cinco pessoas é um número mais que suficiente para se começar um grupo. Se vai ser inicialmente ou só de gays, ou também de lésbicas, cada grupo deve decidir de acordo com os contatos que forem estabelecidos.

2) Decidida a fundação, deve-se resolver imediatamente dois problemas importantíssimos: o local e horário das reuniões. Se algum dos fundadores morar só, ou dispor de um espaço onde o grupo possa se reunir sem interferência de estranhos, o problema está resolvido. Ao menos as primeiras reuniões podem funcionar num local residencial. Se o grupo aumentar, necessitarão encontrar um lugar mais amplo e central. Cada cidade tem de resolver esta questão à sua moda: tentem uma sala emprestada nalgum sindicato mais aberto, ou num grêmio estudantil ou nalguma organização de direitos humanos. Encontrado o local o segundo problema é definir o horário das reuniões: sábado ou domingo à tarde ou à noite geralmente são os dias mais livres. O importante é que o horário seja conveniente para todos os membros e que não haja competição com outros programas alternativos.

3) Local e horários resolvidos acontece a primeira reunião do grupo. A pessoa ou as pessoas que tomaram a iniciativa da fundação , devem expor claramente para todos os presentes os motivos e objetivos da associação, relatar que já existem outras entidades iguais nos diferentes estados ou cidades. Seria ótima ocasião para lerem juntos este documento. Têm então de decidir algumas coisas bem importantes: o local e horário das próximas reuniões; como pretendem chamar o grupo; como farão para convidar outros membros. Sugestão : cada participante se compromete a trazer um novo convidado na próxima semana. outra maneira de arregimentar novos membros é divulgar na imprensa local que um grupo gay foi fundado na cidade. Para tanto, é necessário que ao menos um membro do grupo, de preferência o fundador, seja assumido, e possa aparecer em público e ter seu nome divulgado. O ideal seria alugar logo uma caixa postal, pois facilita a correspondência do grupo e inclusive daqueles membros cujas famílias não respeitam a privacidade dos mesmos.

4) O contato com os outros grupos gays é de importância vital no funcionamento dos novos grupos. A troca de informações, textos e notícias, mantém-nos bem informados dos últimos acontecimentos e lutas do movimento homossexual (MH) nos diferentes estados e países, fundado o grupo, escolhido o nome, tendo o endereço para correspondência escrevam imediatamente para os demais grupos, apresentando a nova associação, pedindo material, solicitando que mandem suas cartas de princípios, estatutos, boletins, jornais, etc.

5) Para funcionar bem o novo grupo, é preciso um mínimo de organização! Comprem logo um bom caderno para escrever as atas, onde será anotada a data da reunião, o número ou nome dos participantes, a lista de correspondência recebida e expedida, uma síntese dos assuntos discutidos e as deliberações tomadas na reunião. Um membro do grupo guardará o livro de atas e tomará conta do arquivo de cartas e dos demais documentos pertencentes a entidade. Escolha um ou mais membros que respondam sistematicamente a todas as cartas recebidas. Mandem fazer logo um carimbo com o nome do grupo e endereço. Com o tempo deverão mandar fazer papel timbrado para correspondência oficial. tudo deve ser arquivado cuidadosamente para que fique registrado para a posteridade da nossa história de pioneiros!

6) As reuniões para serem bem dinâmicas e produtivas devem ser, ao mesmo tempo bem organizadas e agradáveis, o ideal é que todos falem, mais cada um à sua vez! Decidam se é melhor ter um coordenador fixo ou que varie em cada encontro. Se optarem por um coordenador, sua função é dinamizar as discussões, estimulando a todos participarem, procurando fazer uma síntese no final do que foi discutido, encaminhando a votação e divulgando o resultado dos votos quando houver mais de uma proposta ou decisão a ser tomada.

7) Eis algumas sugestões bem práticas de como organizar as reuniões do grupo: - Quando já chegou todo mundo ( ou a maior parte dos esperados), começa-se com a leitura da correspondência recebida dos outros grupos. Distribuem-se as cartas para os interessados responderem, encarregando-se os mesmos de sua postagem e devolução das cartas e cópia da respostas na próxima reunião. Todo membro deve trazer recortes de jornais e revistas que tratem de assuntos homossexuais - e sobre AIDS também! - escolhendo na hora as notícias mais importantes para serem discutidas. Nesta parte, chamada " atualidades gays da semana ", é o momento de se dar notícias e informações do que ocorreu na cidade, na TV ou no mundo de interesse para os homossexuais: filmes, novelas ou teatro com temática gay ou lésbica, casos de violência ou discriminação contra gays ou travestis, etc. Todos os recortes e correspondências devem ser cuidadosamente arquivados. A memória gay destrói o complô do silêncio contra os homossexuais! A terceira parte da reunião é dedicada ao ativismo: planejamento e execução de alguma atividade que engaje o grupo contra a discriminação aos homossexuais, ou para obtenção de maiores direitos e espaços na sociedade. Cada cidade tem seus problemas específicos e deverá descobrir suas frentes de luta. Por exemplo : panfletagem na ocasião de alguma peça teatral ou filme com temática homossexual; protesto com cartazes ou folhetos contra alguma autoridade ou instituição homofobica; distribuição de panfletos informativos sobre a homossexualidade ou sobre o grupo, em locais gays no dia 28 de Junho, "Dia Internacional do Orgulho Gay"; participação em atos públicos com outras entidades de direitos humanos, etc. A última parte da reunião destina-se à discussão de questões básicas sobre o homossexualismo. O grupo deve fazer um levantamento de assuntos, dúvidas e problemas mais importantes relativos ao "Amor que Não Ousa Dizer o Nome" ( Oscar Wilde) que gostaria de discutir. por exemplo : o homossexual e sua família; o gay e a lésbica na escola ou no trabalho; as religiões e a questão homossexual; as categorias homossexuais (bicha, sapatão, michês, travestis, transexuais, etc.) . Como infelizmente a comunidade gay foi atingida pela AIDS, é inadiável que dedique-se também uma parte dos encontros à discussão dessa epidemia : leiam cartilhas explicativas sobre sexo seguro; distribuam folhetos explicativos sobre a prevenção da AIDS a todos os visitantes; pressionem as Secretarias de Saúde do Estado ou município para que forneçam preservativos e material educativo.

8) O grupo precisa ter algum dinheiro para os gastos do ativismo : para comprar o livro de atas, papel, envelope, selos para correspondências; para abrir a caixa postal e fazer o carimbo; para mimeografar ou imprimir textos que forem produzidos pela entidade para serem panfleteados na cidade, etc. Há grupos que estabelecem uma mensalidade fixa; noutros fazem uma coleta toda reunião e cada um dá quanto pode. Informem-se com as entidades de prevenção da AIDS como conseguir financiamento de projetos específicos. Organizar festas em boates gays pode ser uma forma de arrecadar fundos. Mãos à obra!

9) Com o tempo o grupo deverá se estruturar melhor, definir mais claramente seus objetivos, formas de organização e institucionalização. É tempo de escrever sua "carta de princípios" ou os seus "estatutos" . Vários grupos poderão enviar-lhes cópias destes documentos. Tirem o CGC do grupo e se for o caso, abram uma conta bancária em nome do grupo. Com o grupo registrado como sociedade civil defensora dos direitos constitucionais dos homossexuais, aí então vocês podem requerer sua elevação ao status de "Utilidade Pública" Municipal, Estadual e Federal. Um bom contato com as autoridades políticas sempre ajuda, tanto para estas diligências burocráticas, quanto para dar-nos apoio, quando nossos direitos humanos forem desrespeitados. Enquanto não temos candidatos abertamente homossexuais, a solução é apoiarmos os políticos de "cabeça feita" que incluam em suas plataformas a defesa nominal dos gays e lésbicas.

10) "A causa homossexual em primeiro lugar!". Este deve ser o fundamento e razão de todo o grupo gay ou de lésbicas. Infelizmente, em mais de uma década de existência, o movimento homossexual brasileiro passou por várias crises, diversos grupos desapareceram, e todos os militantes juntos não passam de umas 300 pessoas. Um pouco mais de amor à causa, seriedade, menos estrelismo, menos "fofoca", mais honestidade, enfim, mais garra, estaríamos hoje mais fortes e nosso direitos de cidadania mais respeitados. Bom-senso e honestidade são ingredientes de que não podemos abrir mão, sobretudo quando as opiniões divergem, quer dentro do grupo, quer no relacionamento pessoal dos membros, ou ainda a nível de movimento nacional. Outra coisa : saibamos descobrir nossos verdadeiros aliados nesta luta pela construção de uma sociedade mais livre, justa, alegre e igualitária. O trabalho solidário e intercâmbio com outros grupos oprimidos - mulheres, negros, índios, pobres, assim como as ONG’s/AIDS e com o movimento ecológico - tem produzido ótimos resultados, pois o povo oprimido unido jamais será vencido! "Entre nesta luta! Seja você também fundador de um grupo gay!"



 


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