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MOVIMENTO
GLBT
Projeto incentiva prevenção
e relacionamento afetuoso com a família
O que é DST? Como se pega o HIV? Mas, o que é HIV? Como
se pega Aids? Estas e muitas outras são dúvidas constantes por entre os
jovens e adolescentes que se vêem diante de um problema, que para eles
é difícil de enfrentar e, principalmente, conviver com uma doença que,
a cada ano, cresce, e uma das grandes parcelas deste aumento é com certeza
a falta de esclarecimento sobre as reais causas de transmissão da Aids.
Como prevenir sem a devida orientação? Sem as informações necessárias
para que possam se proteger. Qual é o papel da família neste processo
de conscientização? E como se aceitar homossexual, gay ou viado?
A Aids é um problema real e que não pode passar despercebido,
temos que encará-la de frente e aceitar que todos estamos sujeitos à contaminação
se não tomarmos as devidas precauções para afastá-la das nossas relações.
E foi pensando em distanciá-la cada vez mais da nossa vida, que o GGB
Grupo Gay da Bahia, criou o projeto Se Ligue, direcionado aos jovens e
adolescentes com faixa etária dos 13 aos 21 anos, buscando alertá-los,
conscientizando-os sobre os métodos preventivos.

O Projeto, que completa um ano em setembro já é um sucesso por entre os
jovens. Ele funciona por meio de reuniões que acontecem uma vez por semana
na sede do GGB. “No início os encontros se resumiam a alguns poucos adolescentes,
nos primeiros meses a freqüência era de apenas cinco, seis alunos, mas
com o passar do tempo, este número aumentou para 40, 50 alunos, lotando
a sala de aula”, relata o coordenador do projeto, Cristiano Lareira. Nos
encontros que acontecem todas as quartas-feiras das 15 às 18 horas, os
jovens discutem não só sobre os métodos preventivos, más também sobre
a melhor forma de aceitar a sua homossexualidade, quebrando os tabus sociais
que abordam o homossexualismo como sendo uma doença, a discriminação dentro
do ambiente familiar, a homofobia, despertando nestes jovens a sua auto-estima
para que possam lutar pelos seus direitos e serem, de uma vez por todas,
respeitados na sociedade diante da sua opção sexual.
São muitas as atividades desenvolvidas pelo Projeto Se
Ligue, utilizando cartilhas explicativas respondendo as dúvidas mais freqüentes,
bem como a discussão em grupo sobre algum caso cometido contra homossexuais,
ou matérias de jornais e revistas que abordem o assunto, além de um vasto
questionário onde o jovem se vê diante de situações limites, que atestem
o seu nível de conhecimento, colocando-os cara a cara com algum tipo de
problema, desafiando-os a encontrar a melhor solução.
Itinerante
Preocupado em atingir um maior número de jovens e em expandir o seu campo
de atuação, o Projeto Se Ligue desenvolve um trabalho direcionado às escolas
públicas e municipais. O projeto sai da sala der aula e passa a percorrer
os pontos mais distantes da cidade, indo onde o adolescente está, levando
para ele todas as informações necessárias, amparando-os e conhecendo mais
de perto as diversas realidades que existem na grande Salvador. Nas escolas
o coordenador ensina como manusear a camisinha, através de aulas explicativas
utilizando aparelhos para melhor representar, além de todas as atividades
desenvolvidas na sede do GGB. Outro fator que merece destaque é a orientação
que é passada ao educador em sala de aula (o professor), através de workshopping
desenvolvendo atividades que visam facilitar a educação junto aos alunos
homossexuais. Alguns educadores não sabem como lidar com este tipo de
situação e muitas vezes acabam dificultando o processo de aceitação destes
jovens. Para que isto não aconteça o projeto Se Ligue conversa com os
orientadores passando-lhes as informações sobre prevenção e o tratamento
que se deve dar para aquele jovem que muitas vezes está em conflito com
sua sexualidade e não tem a quem recorrer, já que no ambiente familiar
ele se esconde, tem medo, vergonha de falar, e muitas vezes está no professor,
o amigo mais próximo em que ele pode confiar e ser mais bem orientado.
Acredito que a função do professor não se restringe apenas
e somente ao ato de ensinar o conteúdo acadêmico, mas, principalmente,
ser um orientador, dando-lhe direcionamento, estreitando as relações,
conversando com o aluno e, sobretudo escutando-o. Desta forma construiremos
uma consciência nos jovens que se vêm ameaçados por um “sentimento estranho”,
que nos invade e que, aos 15 anos, isso pode ser aterrorizante, se não
tivermos em quem nos apoiar. Desta forma o Projeto Se Ligue vem trilhando
um longo, exaustoso e gratificante caminho na busca de uma vida saudável,
lutando para que a Aids se distancie cada vez mais dos nossos jovens na
esperança de que um dia possamos viver nossas relações de forma tranqüila.
Homossexuais nordestinos
se reúnem na Paraíba
Grupos
de militância homossexuais se reuniram de 11 a 13 de outubro na cidade
de João Pessoa, Paraíba, no Hotel Annamar, para o III Encontro de Grupos
de Gays, Lésbicas e Travestis do Nordeste. O evento teve a coordenação-geral
do Movimento do Espírito Lilás, Mel da Paraíba. Fizeram parte da comissão
organizadora, O GHAP/RN, ATRAC-CE, GLB/BA, Dialogay, SE, GGAL/AL e Leões
do Norte, do Recife.
Os trabalhos do III Encontro foram iniciados com uma sessão solene na
Assembléia Legislativa da Paraíba, requerida pelo deputado petista Ricardo
Coutinho, autor do Projeto de Lei nº 1454/02, que proíbe a discriminação
contra homossexuais na Paraíba.
Em seguida, os participantes se dirigiram para as dependências da Faculdade
de Direito, onde aconteceu a palestra de abertura, do professor Leôncio
Camino. A cantora paraibana Kátia de França fez solo de voz e viola. Uma
exposição fotográfica do jovem fotógrafo Odinaldo Costa exibiu duplas
de homens e mulheres seminus.
Além de servir como espaço de deliberação, porque foram aprovadas mais
de 40 moções, indicações e propostas, o evento serviu para fortalecer
os grupos e para os participantes trocarem experiências. Durante os dias
12 e 13, as atividades seguiram no Hotel Annmar, com discussões sobre
sustentabilidade e interiorização das ações dos grupos. Nessa linha, os
projetos do Centro Baiano Anti-Aids, GGB e Atrás, respectivamente, Cinema
Paratodos que trabalha gênero, sexualidade e exclusão no interior da Bahia,
e Salão Modelo, que oferece gratuitamente curso de beleza a homossexuais
jovens e carentes foram bastante aplaudidos. O encontro teve apoio da
CESE, FASE e Ministério da Saúde.
Encontro tem significado especial para lésbica jovem
Participar de eventos do gênero para alguns gays e lésbicas pode parecer
absolutamente normal. Já para outros jovens, eventos assim têm significado
muito especial, pois ajuda e fomenta a militância entre a juventude.
Exemplo é Gilmara, a Gil, 20 anos, negra e lésbica assumida, militante
do Grupo Lésbico da Bahia, que se demonstrou fascinada em poder participar
dos trabalhos nos três dias de debates. “Eu adorei, pude conhecer pessoas
e conhecer também o que os outros grupos do Nordeste estão fazendo por
nossa causa”, declara. Conheça o perfil, dessa jovem lésbica, construído
à beira da piscina do Hotel Annamar, na Paraíba.
Homo Sapiens - Como foi assumir-se lésbica?
Gilmara - Foi normal, como trocar de roupa. Só no começo, a minha mãe
ficou pegando no pé. Depois, deixou de mão.
Homo Sapiens - Você tem namorada?
Gilmara - Atualmente estou solteira. Me casei aos 17 e me separei aos
20 anos.
Homo Sapiens - Quando sentiu que gostava de meninas?
Gilmara - Sempre gostei de fazer pipa, jogar bola. Aos 14 anos, eu sentia
que tinha esse dom.
Homo Sapiens - Como foi o encontro com o Grupo Lésbico da Bahia?
Gilmara - Um amigo gay, jovem que freqüentava o GGB, me levou lá e depois
no GLB, onde estou até hoje. Ele me levou para o melhor lugar do mundo.
Encontro de avaliação reúne
novos grupos gays em Salvador
Aconteceu
em Salvador, no Hotel Vila Velha, na segunda quinzena de outubro, o encontro
de avaliação das ações do projeto Somos II, uma iniciativa do Grupo Gay
da Bahia e da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros,
com sede no Estado das Alagoas.
O encontro teve a finalidade de conhecer o que os grupos formados a partir
da ação do projeto Somos II têm realizado na prevenção das DST/HIV e aids,
bem como no que diz respeito ao fortalecimento da militância e do grupo
em seu município.
O projeto também atende ao estado da Bahia e ajudou a fundar os grupos
gays de Camaçari, de Itabuna, Ilhéus, Maragogipe, Paulo Afonso e Feira
de Santana. Em estados como Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e
Paraíba, tem oferecido ajuda técnica na elaboração de projetos e criação
de climas sociais favoráveis entre os grupos, a sociedade civil organizada
e o governo local. O projeto está sendo administrado por Marcelo Cerqueira,
com assistência do argentino Javier Angonoa.
Juventude será tema de projeto
de intervenção do GGB
Três
fatores colocam os jovens homossexuais mais vulneráveis à infecção pelas
DST/HIV e Aids no Brasil e colocam as entidades que trabalham com a prevenção
da doença em posição de sentido: a falta de ambiente social de aceitação
da homossexualidade; a cultura do sexo sem compromisso, o ficar; e, por
fim, os próprios avanços da medicina, que possibilitaram ser a aids uma
doença, ainda sem cura, mas tratável. Pensando nisso, o Grupo Gay da Bahia,
em parceria com o CREAIDS, Secretaria Municipal de Saúde, USAID, Preservativos
Prudence e Pathfinder do Brasil, lançaram o projeto SE LIGUE. Trabalho
pioneiro na Bahia a iniciativa do GGB não visa somente trabalhar com os
jovens, mas, também, com os profissionais da educação, professores.
Três áreas da informação foram priorizadas, relativas aos jovens. O projeto
quer ampliar o nível de informações sobre DST/HIV e Aids, sexualidade
e orientação sexual para jovens homossexuais. Mobilizar professores do
ensino de 1º e 2º graus a desenvolverem atitudes positivas frente aos
alunos com orientação sexual minoritária.
As reuniões do projeto SE LIGUE acontecem na sede do GGB, sempre às quartas-feiras,
a partir das 15 h.
Se você é jovem e quer conhecer gente bacana, apareça.
Professores terão material
especifico para lidar com a diversidade
Noções
básicas de direitos humanos para educadores no trato com gays e lésbicas
no ambiente escolar é o nome da cartilha que será distribuída aos professores
das escolas que farão parte do projeto.
Além da cartilha, os educadores terão acesso a outro folheto
voltado a orientar estes profissionais na dúvida e na certeza que um aluno
é gay ou lésbica. Cartazes e vídeo educativos serão disponibilizados como
material de apoio.
Dentro das ações do projeto, estão previstos três workshops de capacitação
para professores, sobre sexualidade, livre orientação sexual, prevenção
de HIV e fundamentação pedagógica de como lidar com a diversidade sexual
de jovens. Os familiares também serão envolvidos no projeto, pois muitos
jovens são expulsos de casa em um momento de ebulição e descoberta de
sua sexualidade. Muitos deles enveredam por caminhos de exclusão por falta
de apoio e ambiente familiar favorável. O Projeto SE LIGUE conta com o
apoio do Preservativos Prudence, USAID, Pathfinder do Brasil e Secretaria
de Saúde do Estado da Bahia através do CREAIDS.
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