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MOVIMENTO
GLBT
Gays da Bahia queimam documento
do Vaticano na Sé
Em
protesto contra a Igreja Católica, que condena a união homossexual,
o Grupo Gay da Bahia realizou ato público em frente à Catedral
Basílica de Salvador. O Grupo queimou o documento papal e distribuiu
manifesto condenando o documento divulgado pelo Vaticano aos fiéis
católicos. O documento divulgado no mês de agosto pelo Vaticano,
com assinatura do Papa João Paulo II e do Cardeal Ratzinger, vem
provocando manifestações de protesto em todo o mundo: não
só os grupos gays, mas também políticos, teólogos
da libertação e intelectuais denunciam a interferência
da Igreja em assuntos internos dos paises, já que o Vaticano estimula
aos parlamentares a não aprovarem leis que garantam a união
civil entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil, até agora, já
manifestaram apoio aos homossexuais o presidente do PPS, deputado Roberto
Freire, e Leonardo Boff, este último, declarando que "se a
relação de dois homens ou de duas mulheres for de amor,
é algo tão profundo que tem a ver com Deus”
Em salvador, o GGB realizou ato público em frente
à Catedral Basílica, com diversos pronunciamentos de militantes
gays contra a intolerância da hierarquia católica, seguida
da queima de um exemplar do documento papal, intitulado “Considerações
sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas
homossexuais”. Paralelamente à queima, os homossexuais distribuíram
uma carta aberta aos moradores de Salvador e indicavam que quem quisesse
o documento “Modelo de Apostasia a ser enviado ao Bispo da Diocese
onde foi batizado”, procurasse a sede da entidade localizada no
Pelourinho. Através do documento, o GGB estimula aos católicos
que se opõem a esta cruzada de intolerância homofóbica
a ter a coragem de se afastar oficialmente do Catolicismo.
Para Luiz Mott, antropólogo e ex-frade dominicano, “é
contraditório e imoral continuar membro de uma instituição
dogmática e anacrônica, que proíbe o uso do preservativo
e da pílula anticoncepcional, que condena o divórcio e que,
nos últimos anos, tem sido a principal porta-voz da intolerância
contra os gays e lésbicas. Chega de esperar caridade e bom senso
do Vaticano: prefiro ser apóstata do que ser conivente com a desumanidade
da hierarquia católica.”
O Documento de Apostasia da Igreja Católica se baseia no Código
de Direito Canônico, que prevê, no artigo 751, a condição
de apostata aos batizados que renegam o dogma católico. Apóstata,
segundo o dicionário Aurélio, é o católico
que renunciou solenemente à religião de Roma. Martinho Lutero,
o fundador do protestantismo, é um dos principais apóstatas
da historia cristã.
No modelo de Documento de Apostasia distribuído pelo GGB, o ex-católico
alega ser um direito humano fundamental a liberdade de escolher sua própria
fé ou convicções religiosas, que foi batizado quando
era recém-nascido, sem seu expresso consentimento, e que, em oposição
ao dogmatismo, intolerância, homofobia e autoritarismo da Igreja,
arrenega a fé católica, exigindo que seja escrito no Livro
de Batismo na igreja onde recebeu este sacramento, sua condição
de apóstata.
Católicos condenam documento
A organização Católicas
pelo Direito de Decidir lançou, recentemente, carta contrária
à decisão do Vaticano de condenar a união entre homossexuais.
O grupo critica o posicionamento da Igreja Católica e seu conservadorismo,
além de defender que "não podemos nos furtar a denunciar
a perversidade que ele [o documento do Vaticano] contém, pois ao
negar aos homossexuais a expressão do seu afeto, nega também
aos mesmos seus direitos civis como cidadãos plenos (...). Preocupa-nos
que esse documento seja um marco de referência para o crescente
fundamentalismo religioso, que condena e discrimina pessoas que ousam
reger-se por valores diferentes dos estabelecidos".
O documento "Considerações sobre os projetos de reconhecimento
legal das uniões entre pessoas homossexuais" foi lançado
pelo Vaticano em 3 de junho e classifica o homossexualismo como "fenômeno
moral e social preocupante", além de condenar a união
civil entre pessoas do mesmo sexo.
Gays participam dos festejos de
7 de Setembro
Gays,
lésbicas e travestis baianos marcaram presença no
Grito dos Excluídos, no dia 7 de Setembro, em Salvador.
Munidos de faixas pedindo a igualdade de direitos, reforma agrária
e contra a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA),
os homossexuais saíram em cortejo do Campo Grande à Praça
Castro Alves, onde aconteceu o final do ato organizado pela Arquidiocese
de Salvador.
Mesmo sendo um movimento organizado pela Igreja Católica, os homossexuais
se associaram porque entendem a urgência de abrir um canal de comunicação
com a Igreja, que nos últimos meses, tem sido muito dura com a
condenação dos atos homossexuais.
O Vaticano, este ano, divulgou um documento que considera os homossexuais
como anormais e condena o “casamento” entre eles por entender
que fere os princípios morais da família cristã.
De acordo com Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, “não
se trata de casamento, porque casamento é uma doutrina da igreja.
Nós, os homossexuais, temos uma outra forma de nos aglutinar enquanto
família, com base na afetividade”. Para o líder gay,
a Igreja confunde a opinião pública de forma maldosa, para
promover a perseguição contra os gays.
O movimento não perdeu a oportunidade de denunciar publicamente
que a Bahia é o segundo Estado da Federação que mais
maltrata os homossexuais. Segundo dados da organização,
no ano passado, cerca de 19 homossexuais foram executados na Bahia, crimes
que são saldo de uma cultura homofóbica e da pena de morte
velada contra os gays, lésbicas e transgêneros no Estado.
O ato transcorreu com tranqüilidade e os gays não foram hostilizados.
Ao contrário, um grupo de jovens se associou aos homossexuais,
proferindo igualmente palavras de ordem contra o preconceito. "Ainda
não tivemos nossa independência. A sociedade não oferece
espaço para todos nós. Por isso estamos aqui", disse
Cerqueira.
GGB homenageia heroína baiana
Ao comemorar os 150 anos da morte da principal mulher
soldado da história do Brasil, a baiana Maria Quitéria,
o Grupo Gay da Bahia chama a atenção para o respeito aos
direitos a travestis e transexuais.
Herói
ou Heroína? Qual o título mais adequado para se referir
à baiana Maria Quitéria, grande destaque na guerra da independência?
O historiador Luiz Mott, autor do livro O Lesbianismo no Brasil, afirma:
“Se Maria Quitéria foi lésbica, dificilmente poderemos
comprovar, mas que foi mulher-macho, transgênero, não há
a menor dúvida! É a mais famosa travesti de nossa história”.
Segundo seus biógrafos, Maria Quitéria de Jesus, nascida
em 1797, na cidade de São José de Itapororocas, interior
da Bahia, sempre foi menina masculinizada, preferindo os modos e brinquedos
de menino, sem nenhuma vaidade feminina. Aos 25 anos, quando das lutas
da Independência, cortou o cabelo, vestiu calça e botina
de homem, fugiu para a cidade de Cachoeira, sentando praça com
o nome Soldado Medeiros, primeiro no Corpo de Artilharia e, posteriormente,
no Corpo de Caçadores.
Devia ser tão masculinizada, que nem os oficiais nem seus colegas
soldados desconfiaram que debaixo da farda se escondia uma mulher. Travesti
perfeito! Somente quando seu pai revelou que o Soldado Medeiros era sua
filha Maria Quitéria é que se revelou sua verdadeira identidade,
passando a usar um saiote escocês sobre o uniforme militar, incorporando-se
ao Batalhão dos Voluntários de D. Pedro I. Tornou-se, a
partir de então, oficialmente, a primeira mulher a assentar praça
numa unidade militar, em terras brasileiras.
Como Joana Darc, Maria Quitéria trocou o vestido por roupas masculinas.
Assumiu função de homem ao se alistar na armada. Foi ainda
mais longe que a guerreira francesa, adotando nome masculino, Soldado
Medeiros. Outro detalhe que assumiu do sexo forte: fumava charuto...
Ao comemorar 150 de seu falecimento, completados em 21/08, o Grupo Gay
da Bahia (GGB) quer chamar a atenção para este lado ainda
tão discriminado em nossa sociedade, o travestismo e a transexualidade.
Segundo o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, existem mais de 20 mil
transgêneros no Brasil, seres humanos que se realizam vivendo socialmente
vestidos e se comportando como membros do sexo oposto. “São
pessoas que, desde jovens, devem ser respeitadas e receber aconselhamento
psicológico adequado, a fim de não sofrer a opressão
e discriminação tão fortes em nossa sociedade heterossexista.
Maria Quitéria é nosso melhor exemplo de que pessoa transgênero
pode ser alguém de respeito, tornar-se uma heroína ou herói
nacional!” , afirma.
Projeto Somos capacita militantes
na Bahia
Militantes
homossexuais da Bahia, Pernambuco e Sergipe participaram em Salvador na
segunda quinzena de setembro de mais um treinamento do Projeto Somos de
mobilização comunitária que tem a finalidade de formar
militantes para o embate cotidiano ao preconceito. Cerca de vinte lideres
dos gays, lésbicas e travestis foram capacitados em planejamento,
elaboração e monitoramentos de projetos sociais voltados
para a comunidade.
Todo
o treinamento foi realizado em parceria com a Coordenadoria Ecumênica
de Serviços (CESE) com sede em Salvador no bairro da Graça.
Os treinandos foram divididos em cinco grupos e com base no método
construtivista participativo, ao final do treinamento foram capazes de
coletivamente construir propostas interessantes de mobilização
comunitária ou de promoção à saúde.
O clima de descontração e colaboração entre
os participantes foi um motivo que chamou à atenção
do instrutor Sergio Leite, “foi surpreendente a adesão do
pessoal, nunca trabalhei com essa população, achava que
fosse difícil, mas foi tudo muito tranqüilo” declarou.
O Projeto Somos é uma iniciativa da Associação Brasileira
de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), desenvolvido nos estados
da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte pelo
GGB.
O próximo treinamento acontece na cidade de Natal, início
do mês de outubro, com a finalidade de formar militantes nessas
localidades, ação inovadora realizada
em parceria com o Grupo Hábeas Corpus Potiguar (GHP). O projeto
tem apoio da Coordenação Nacional de Aids do Ministério
da Saúde em espera nacional, na Bahia, conta com o apoio da Secretaria
de Saúde do Estado, município e CREAIDS. O evento aconteceu
nas dependências do Hotel Bahia do Sol, no Corredor da Vitória.
O nome do projeto é em homenagem ao primeiro Grupo Gay fundado
no Brasil, em São Paulo, no final da década de setenta.
(MC)
Cartilha orienta que sexo não
precisa ser “roleta russa”
Os homossexuais da Bahia agora contam com mais um instrumento
de informação contra a infecção do HIV e
aids.
Trata-se
da cartilha Eros. O livreto, de 14 páginas, foi
escrito com a finalidade de associar o preservativo e o gel lubrificante
à prática do sexo seguro. O sexo oral é a forma mais
comum e menos arriscada de interação sexual entre homens,
embora não seja 100% sem risco daí a importância de
praticar o sexo sem risco também na “felação”.
Para os homens que resistem a usar o preservativo nessa prática,
a cartilha descreve como “vestir” a camisinha com a boca.
“O preservativo é a barreira física mais eficaz contra
a transmissão do HIV e a nossa meta é fazer que a camisinha
faça parte integrante do sexo, o segundo passo depois de tirar
a roupa”, resume Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.
Pesquisas epidemiológicas mostram que os gays ainda estão
se infectando com o vírus da aids. Por isso, a cartilha Eros se
preocupa, particularmente, com os jovens homossexuais, que têm de
lutar contra a homofobia interna, aliada à falta de espaços
de aceitação social e a irresponsabilidade inerente a sua
idade. Alguns rapazes gays pensam que o sexo com preservativo não
tem graça, que leva tempo demais para atingir o orgasmo, que dá
muito trabalho e faz perder a concentração na hora H. A
cartilha Eros desconstrói todos estes preconceitos, ao afirmar
que proteção não tira tesão, ao contrário.
Todos os nichos - De acordo com o IBGE, os gays representam
cerca de 14% da população brasileira 24 milhões e
a homossexualidade continua sendo muito camuflada, já que, na prática,
muitos homens oficialmente heterossexuais se relacionam com outros homens.
Desses dados, extrai-se a importância de ampliar a prevenção
para todas as áreas e nichos sexológicos, conscientizando
todos de que o sexo entre homens não deve ser um jogo de roleta
russa.
No Brasil, já foram notificados 258 mil casos de aids. A Bahia
é o sétimo Estado, com 5.423 registros. Os homossexuais
e bissexuais somam 34% das notificações, segundo o último
Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.
A cartilha Eros pode ser adquirida na sede do GGB no Pelourinho, sendo
acompanhada de três preservativos e um sache de gel lubrificante
à base de água.
Beijaço mobiliza noite no
Quixabeira
Tudo estava tranqüilo como de costume na noite de
sábado, 14/09, no Bar e Restaurante Quixabeira, no Barris, quando
um grupo de garotas chegou com a notícia de que, às 12hs,
iria acontecer um beijaço: diversos casais se beijando ao mesmo
tempo em forma de protesto. O ato foi organizado pelas garotas, em solidariedade
a um casal de amigas que teriam sido abordadas por uma funcionária
do bar, sob alegação de que o ambiente não permite
beijo e nem outra demonstração de carinho dessa natureza
entre pessoas do mesmo sexo.
Os casais de gays e lésbicas se posicionaram no pátio e
no primeiro andar do bar. Às 12hs, um apito dava o sinal de que
era o momento do beijaço. Cerca de 10 casais homossexuais começaram
a se beijar por alguns segundos, sob aplausos dos demais clientes que
estavam no recinto e assistiam a tudo com muita atenção
e curiosidade. “Este é um ato contra a opressão e
em favor do beijo livre entre todos as pessoas, gays, lésbicas
e heterossexuais. O beijo não pode ser limitado, é um direito”,
exclamou aos gritos a médica baiana Jamile Castro, uma das organizadoras
do manifesto.
“A sociedade ainda não está preparada para isso”,
declarou Ana Jaleco, gerente do estabelecimento. “Por que é
que se necessita de um espaço para beijar, porque não nos
pontos de ônibus, em casa, no shopping, por que tem de ser só
no bar?”, argumentava indignada aos participantes. A situação
criou um clima de estresse entre os funcionários e os organizadores
do movimento, que logo foi sanado. Mas a proibição, ao que
parece, deve continuar.
O beijo livre entre homossexuais está relacionado com as manifestações
cotidianas da atualidade, mas a permissão da demonstração
pública de carinho e afeto entre pessoas do mesmo sexo é
motivo de controversa gerando muita polêmica entre os empresários
da noite, que, na maioria, não vê com bons olhos a reivindicação.
O medo reside na possibilidade de que cenas de afeto possam causar constrangimento
aos clientes mais tradicionais. A indicação do Grupo Gay
da Bahia (GGB) aos empresários é que eles não se
sintam aviltados com essa política reivindicatória, ao contrário,
reconheçam o público majoritário que freqüenta.
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