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Hepatite C
Pesquisa inédita revela que 549.382 moradores de 13 capitais têm o vírus da doença. Só no DF são 24.459 pessoas

Ana Beatriz Magno
Da equipe do Correio Brasiliense, 14/02/05

Mais de meio milhão de cidadãos lutam contra o vírus da hepatite C em 13 capitais brasileiras, segundo dados parciais do primeiro levantamento nacional sobre a doença, realizado pelo Ministério da Saúde e obtido com exclusividade pelo Correio.

O Distrito Federal tem quase 25 mil pessoas infectadas, sendo que o percentual de contaminados com idade entre 10 e 19 anos é maior do que a média das regiões Nordeste e Centro-Oeste. Especialistas estimam que 2% dos brasileiros sofram do mesmo mal e temem que esta misteriosa patologia se transforme na epidemia do século XXI.

O Ministério da Saúde ainda não concluiu o trabalho, mas já fechou os dados do DF e das regiões Nordeste e Centro-Oeste. São números preocupantes. Pelo menos 549.382 pessoas têm ou já tiveram algum contato com este insidioso vírus que pode ficar escondido no organismo durante 30 anos até se manifestar de forma implacável.

Só no DF, a pesquisa identificou 24.459 pessoas contaminadas, sendo 4.700 com idades entre 10 e 19 anos, o que significa 1.13% da população nessa faixa etária. É um percentual maior do que os 0,93% registrados entre crianças e adolescentes nordestinos, e os 1,05% contabilizados em Goiânia, Palmas, Campo Grande e Cuiabá.

“Ainda estamos investigando as razões deste desempenho”, reconhece Sonia Geraldes, médica infectologista do Núcleo de Hepatites Virais da Secretaria de Saúde do DF. “A hepatite C é uma doença muito complicada tanto para os doentes quanto para os médicos”.

A rotina do tratamento é doloroso. Entre o diagnóstico e o início da terapia, os doentes do serviço público passam por uma maratona de exames e esperam quase um ano para começar a tomar as primeiras doses da medicação.

“Minha mãe demorou mais de um ano até ser diagnotiscada a hepatite C. Foi um calvário”, lembra a advogada Brunella Maria de Saboia Lima, orfã de pai e mãe. Os dois morreram de hepatite, ela em 2004, e ele em 2003. “Minha mãe tinha 54 anos e meu pai, 57. Ela chegou a fazer um transplante de fígado. Ele não quis fazer nenhum tratamento. Desistiu ao ver o sofrimento de minha mãe”, conta a moça que, ainda hoje chora de saudades de dona Riza e seu Antonio, e guarda com carinho o diário onde a mãe, detalhou a rotina da doença (leia abaixo).

Dona Riza descreve o que a medicina não costuma admitir. Que os remédios são fortes e que os efeitos colaterais beiram o insuportável. Os doentes sentem náuseas, depressão e dores musculares. Muitos têm que entrar na Justiça para conseguir o fornecimento gratuito dos remédios. Alguns são caríssimos.

A técnica mais moderna inclui quatro injeções por mês, cada uma custando R$ 1.200, de interferon peguilado, único medicação capaz de duelar contra a forma mais grave da doença, chamada de genótipo 1 e que maltrata 70% dos contaminados. Para estes, a chance de cura é de 50%. De resto, só há uma saída: o arriscado transplante de fígado.

“Mas calma: 20% se livram do vírus sem qualquer tratamento”, tranqüiliza Gerusa Figueiredo, coordenadora do Programa de Hepatites Virais do Ministério da Saúde e responsável pela análise das informações do levantamento nacional.

Mais do que a Aids
A incidência do vírus entre os adultos é muito maior do que entre as crianças e adolescentes. Só no DF, são 20 mil pessoas entre 20 e 69 anos, o que corresponde a 1,59% dos moradores nessa faixa etária. Nas capitais nordestinas, o percentual é de 1,88%, o que significa 264.272 infectados. Já nas quatro capitais do Centro-Oeste, 130.750 pessoas, ou 1,89% da população, enfrentam a hepatite C.

Os números podem ser ainda maiores. A investigação do Ministério de Saúde se concentrou apenas nos integrantes do chamado grupo de risco – profissionais dos serviços de saúde, usuários de drogas e cidadãos que receberam transfusões antes de 1993, data em que o Brasil começou a testar a presença do vírus da hepatite e impedir doações de sangue infectado.

O trabalho do Ministério da Saúde começou no ano passado e ainda está na metade. Os dados das regiões Norte, Sul e Sudeste sequer foram coletados. “Mas pela primeira vez teremos um número real para orientar nossas ações. Até então só tínhamos estimativas”, explica Expedito Luna, diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde.

As estimativas mais respeitadas são as da Organização Mundial de Saúde. A OMS calcula que algo entre 2 e 3 milhões de brasileiros tenham o vírus da Hepatite C – ou seja quase quatro vezes do que os 600 mil portadores do HIV.

“Só que a AIDS teve muito mais apelo social. A hepatite C será a epidemia do século XXI. Precisamos ter consciência disso”, avisa Carlos Varaldo, diretor de uma das mais atuantes ONGs em defesa das vítimas da hepatite C, o grupo Otimismo.


Misteriosa enfermidade

A medicina ainda sabe muito pouco sobre a hepatite C. E o pouco que sabe é desconcertante,tanto para leigos quanto para infectologistas. A descoberta da doença data de 1989 nos Estados Unidos, quando um pesquisador coreano conseguiu isolar o vírus. A principal fonte de transmissão é o sangue contaminado. Drogas injetáveis, relações sexuais sem camisinha nos períodos menstruais e contato com instrumentos contaminados, como ferramentas de dentistas e de manicures, aumentam as chances de contaminação.

“O pior é que a gente ainda ignora a forma de contaminação de 30% dos infectados. Ou seja, só sabemos como 70% das pessoas contraíram o vírus. Os outros 30% não passaram por transfusões, manicures, dentistas, não são usuários de drogas, nada disso”, lamenta Gerusa Figueiredo, coordenadora do Programa Nacional de Hepatites Virais do Ministério da Saúde. “Isso significa que as pessoas têm que fazer os exames”


SERVIÇO
Faça o exame gratuito para saber se você tem hepatite
Local: Centro de Testagem e Aconselhamento, na Rodoviária do Plano Piloto a partir de 8h30. Não é necessário jejum.

Trechos do diário de Riza Maria, uma corajosa vítima da hepatite


• Está ensolarado ainda neste final de tarde do dia 6 de março de 2001 e eu me encontro internada. Como a doença é uma das coisas mais solitárias que já vivenciei, resolvi escrever as experiências que venho passando…

• Na verdade, eu não sei precisar quando tudo começou ou mesmo se teve uma data, um dia, que eu possa afirmar, “neste dia”…

• Eu tinha voltado a trabalhar havia poucos meses, e minha vida, antes pacata e sem graça, adquiriu um novo brilho, com novos conhecimentos, novos amigos e, principalmente novas atividades.

• Mas aos poucos a vitalidade começou a esmorecer e comecei a ter vários sintomas desagradáveis como tonturas, enjôos, falta de apetite e conseqüentemente emagrecimento …

• Internei-me e comecei a fazer uma série de exames. A cada exame, uma nova especulação.

• Enfim, fui submetida a uma laparoscopia do fígado e verificaram que ele estava cirrótico, o que foi comprovado pelo exame de sangue que acusou hepatite pelo vírus. E foi nesse momento que fui apresentada a este terrível vírus que é fatal, mas age insidiosamente no organismo e muito lentamente, durante anos e anos vai atacando o fígado até,que quando detectado, geralmente é muito tarde para um tratamento clínico.

• Pelo estado que se encontrava o meu fígado, o vírus estaria em meu organismo há mais de 20 anos e não havia também mais possibilidade para um tratamento clínico.

• Diante deste diagnóstico, fui praticamente abandonada pelo meu médico que apenas sugeriu que eu procurasse algum grande centro de transplante como São Paulo e Belo Horizonte

• Foi a partir daí que eu soube verdadeiramente o que é uma família e como as pessoas podem ser solidárias e amigas.

Riza Maria Pires de Saboia Lima era advogada, morava no Lago Sul, tinha quatro filhos.


Artigo
Vírus ardiloso

A hepatite C é uma doença caracterizada pela inflamação no fígado causada por um tipo específico de vírus. No Brasil há cerca de 2 a 3 milhões de pessoas infectadas pelo vírus C da hepatite. Não há uma vacina eficaz.

Entre cinco e doze semanas após o contágio, parte dos infectados desenvolve a hepatite aguda, com náuseas, vômitos, icterícia – coloração amarelada na pele e olhos – e geralmente melhora em algumas semanas. A maioria, entretanto, desenvolve um quadro inespecífico, semelhante a um quadro gripal, que passa despercebido. Este é um dos motivos pelo qual muitos podem ser portadores do vírus e não apresentam sintomas por anos ou décadas, até que a função hepática decline e as opções terapêuticas se estreitem.

Dentre as pessoas que entraram em contato com o vírus, pelo menos 75% vão desenvolver hepatite crônica, ou seja, o vírus continuará se reproduzindo e causando inflamação no fígado. Destes, pelo menos 30% vão evoluir para cirrose, que é um processo de substituição das células normais por cicatrizes, e deixam , assim, de funcionar. Quando não houver mais tecido hepático para desempenhar as funções necessárias, a alternativa ao óbito é o transplante de fígado.

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