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Como vivem os 'Bernardinhos' do Brasil
Personagem de 'Duas Caras' evitava revelar homossexualidade para os pais.
Para grupo gay, há famílias que têm dificuldade para entender a opção sexual dos filhos. ADRIANA CHAVES - Globo.com
Bernardo, o personagem interpretado pelo ator Nuno Leal Maia na novela "Duas Caras", vive um drama desde que flagrou o filho - Bernardinho (Thiago Mendonça) - com um homem na cama. De um lado, ele se depara com sua formação machista, que o impede de aceitar um filho gay; do outro, com seu amor de pai. Embora a questão esteja cada mais presente na mídia, ainda são raros os casos de pais que aceitam com facilidade a orientação sexual de filhos gays e lésbicas. Não existem estatísticas oficiais, mas o Grupo Gay da Bahia (GGB) estima que a maior parte dos homossexuais enfrente problemas com a família ou opte por esconder sua opção sexual dos pais. Segundo o fundador do GGB, o cientista social e professor Luiz Mott, 61 anos, gays, lésbicas e travestis somam 19 milhões de pessoas, cerca de 10% do total da população brasileira. "Trata-se da minoria social mais discriminada porque o preconceito começa dentro de casa, onde os pais não aceitam a orientação. Quando percebem que os filhos vão se tornar gays e lésbicas, insultam, espancam e chegam a expulsá-los de casa." Para ele, "a TV hoje mostra mais a realidade dos gays em algumas obras, como algumas novelas, mas ainda de forma tímida". Duas Caras vem abordando o processo de descoberta e aceitação de um gay em sua família.Para Thiago Mendonça, seu personagem, o Bernardinho, "é assumido e bem resolvido com ele, por mais que não pratique". "Quem tem problema com a sexualidade é o pai e a família. Ele não bota tudo para fora por respeito ao pai. A novela faz um convite nesse sentido, mostrando a questão para que se abra um canal para discussão." O autor da trama, Agnaldo Silva, acredita que a questão extrapole a opção sexual. Na novela, Bernardinho mantém forte amizade com Dália, uma garota viciada em drogas. "Gosto muito do romance entre Bernardinho e Dália. Ele é assumidamente gay, mas se apaixona por essa mulher. Não é um sentimento sensual e é ao mesmo tempo, porque eles gostam de se agarrar, de se tocar e ficam conversando até tarde. Acredito que, na verdade, a gente se apaixona pelas pessoas." Amor acima de tudo A cabeleireira e cantora gospel Vilma de Moura Ruiz Lupo, 59 anos, afirma nunca ter tido problemas para aceitar a homossexualidade do filho, o publicitário Luciano Lupo, 27 anos, eleito o gay mais bonito do Brasil. "Nunca fez diferença para mim. É o meu orgulho, um filho de ouro." A dona-de-casa B.C. (quis ter seu nome preservado), 57 anos, ficou sabendo que seu filho mais novo, o produtor de televisão E.C., 25 anos, era homossexual há 5 anos. “Soube por ele mesmo. Sempre tivemos uma boa interação e ele sabia que, para mim, isso nunca seria um problema.”
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