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O Complexo B do Racismo

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB)

Na Bahia tem um ditado popular que é repetido cotidianamente que diz o seguinte: mate o homem mais não troque o nome.  O nome do homem é um patrimônio sólido representa o pouco que muitos têm a cuidar e proteger nos tempos atuais que a pessoa humana não vale muita coisa e quando essa pessoa é negra ela vale ainda muito menos. Eu tenho um nome, eu sou Marcelo Cerqueira, eu tenho uma cor eu sou é negro e não posso me curvar diante da cordialidade  do racismo velado contra negros e pardos na sociedade brasileira.

Eu fui vitima de uma atitude racista na loja Complexo B em Copacabana no Rio de Janeiro. Eu entrei discretamente na loja que funciona dentro de um Shopping no mesmo bairro, quando um funcionário se despedia de outro e sai do estabelecimento. A moça branca que ficou na loja, quando adentrei ao invés de ela se aproximar de mim solicita, ao contrário, recolheu-se assombrada andando de costas para trás do caixa de dinheiro numa atitude que me pareceu de se proteger e proteger os valores que ali estavam supostamente guardados. Nesse tempo o funcionário que saia, voltou e ambos se comunicaram por mímicas as quais percebi pelo olhar espantado da vendedora-caixa da loja. Finalmente o homem se retirou e eu fiquei as sós com a mesma e acabei pagando cerca de 300 por duas camisas, uma de maga curta e outra longa, pagando com cartão visa. Eu não posso entender de outra forma senão como uma atitude racista por parte de ambos. Porque alegar que poderia ser um assalto, não sei até onde é sustentável porque o Shopping tem um forte esquema de homens que fazem a segurança. Esses homens ficam posicionados estrategicamente nas entradas e nos corredores munidos de serviço de rádio e outros meios de comunicação.  Se a loja fosse na rua poderia relativizar, mas no Shopping não, foi racismo. Foi uma atitude racista que avaliou o meu poder de compra a partir da cor de minha pele, do meu nariz grande, do meu cabelo duro.

Certamente vão dizer que eu estou equivocado. Podem até mesmo me acusarem de radical negro, isso eu não sou mesmo.  Minha história de vida me credencia a denunciar as atrocidades e sempre farei até quanto tiver forças para gritar. Um fato curioso é que ninguém assume que é racista. É uma dissimulação escancarada.  Muitos racistas dizem gostar de negros e negras inclusive muitos e muitas galhardeiam que gosta de se relacionar sexualmente com negros porque são mais quentes, só por isso e nada mais. Os negros e negras que fazem isso cobram por esses serviços e estão corretos. Voltando a vaca fria. Se a Complexo B não tem uma postura racista, porque os vendedores da loja de Copacabana são todos brancos, padrão europeu? Porque não existem negros no atendimento ao público?  Na loja eu não vi negro, mas possivelmente como de costume na fabricação das peças de roupas os trabalhadores negros devem ser maioria. Não somente na Complexo mais em muitas outras lojas similares existem batalhões de trabalhadores e trabalhadoras negras e negros que vendem o suor de seu trabalho como costureiras, bordadeiras, passadeiras, arrematadeiras, caseadeiras, cortadeiras, chuliadeiras e outros.    

Caetano já dizia, “Esse Rio que não é Rio, essa cidade me atravessa”, não diria a cidade mano Caê, mas as pessoas. O racismo cordial que acontece fere a ferro e fogo a pele do povo negro, porque enxerga que todo negro é marginal, delinqüente social, um criminoso pelo fato de nascer com a pele preta. Ah! Eu não posso me calar diante das atrocidades do racismo, xenofobia, machismo e homofobia. Não posso me calar diante do Complexo B do racismo.  Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 2006.

 

 

 


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