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NOTÍCIAS ONGs e governo reagem à tentativa de censura
da arquidiocese do Rio Entidades de combate à aids da sociedade civil, o governo do Estado do Rio e o governo federal, este em Carta Aberta, decidiram não se calar diante da agressiva campanha da igreja católica contra o uso do preservativo. Na sexta-feira 5 de dezembro, no Rio, a promotora de Justiça de Defesa da Cidadania, Gláucia Costa Santana, surpreendeu-se com a presença de 10 pessoas na reunião convocada por ela apenas para a representante do grupo Davida, Gabriela Silva Leite. O motivo do encontro: um pedido de abertura de inquérito civil, feito pela arquidiocese do Rio, para impedir a exibição do vídeo Pecado é não usar, que denuncia a campanha da igreja contra a camisinha na prevenção da aids. O motivo do comparecimento de tantas pessoas: a luta conjunta da sociedade civil e do governo contra o preconceito, a intolerância, a irresponsabilidade e a aids. Os participantes da reunião disseram à promotora que não consideram que o vídeo compara a igreja ao nazismo ou à Inquisição, como supõe a arquidiocese. Mas reafirmaram que a condenação do preservativo por instituição que influencia milhões de pessoas prejudica a saúde da população. Campanhas Em épocas de campanhas de prevenção
de aids, como no Carnaval, a igreja sempre faz pronunciamentos e publica
artigos contra a camisinha. Portanto, as demais posições
devem ser manifestadas para mostrar o outro lado da questão,
disse Denise Pires, do Programa Estadual de DST/Aids. Além
disso, a igreja não pode negar estudos científicos sobre
a política de sexo seguro. Vacinas como a de sarampo têm
95% de proteção e nunca houve reivindicação
de que isso fosse amplamente divulgado. Afinal, que efeito teria?,
completou. Na representação, a igreja também pede
que seja apurado se as entidades públicas e privadas do Estado
do Rio informam a população quanto aos riscos de contaminação
e riscos de falhas de métodos utilizados. Prova concreta Cazu Barros, que foi à reunião em caráter particular, disse que ele mesmo é uma prova concreta da eficácia da camisinha, contestada pela igreja. Soropositivo, Cazu contou ter vivido por três anos com uma pessoa sem infectá-la. Condenar a camisinha é condenar todos os HIV positivos a abandonar a vida sexual, afirmou. A diretora-executiva de Davida, Gabriela Leite, lembrou à promotora que a maioria dos homens que fazem programas com prostitutas é casada. Só a igreja acredita na fidelidade e na monogamia. Na realidade, ela não existe. Por isso, devemos continuar a promover o uso da camisinha, ao invés de condená-la. Após mais de duas horas, a reunião foi encerrada pela promotora Gláucia. Ela considerou firmes as posições dos participantes e informou que enviará ofícios a todos para que reafirmem suas idéias por escrito. Pediu ainda uma cópia do vídeo. A coordenadora de DST/Aids do Estado do Rio, Fátima Rocha, avaliou positivamente o encontro. A promotora se mostrou muita atenta ao ouvir os argumentos para subsidiar a sua decisão. Também foram ao MPE, mas não puderam ficar para a reunião, que atrasou, representantes da Abia e da Regional Fluminense da UnidBrasil. Documentos Além de ouvir os representantes das ONGs e do governo estadual, a promotora recebeu documentos. Entre eles, estão: Carta Aberta do Programa Nacional de Doença Sexualmente Transmissível e Aids defendendo o direito de exibição do Pecado é não usar; nota oficial da Comissão Estadual de Aids repudiando as declarações da igreja contra o uso da camisinha; moção do Conselho Nacional de Saúde apoiando a política de promoção e distribuição gratuita de preservativos; o dossiê Mulheres com HIV/Aids, do Instituto Patrícia Galvão; pesquisa da UnB/PN com 3 mil prostitutas; exemplares do jornal Beijo da rua e de adesivos da campanha Maria Sem Vergonha, dirigida a profissionais do sexo; e um texto das Católicas pelo Direito de Decidir, que afirma: A igreja está usando a questão da aids para reafirmar seu empenho em controlar a sexualidade humana. A promotora Gláucia Costa Santana poderá agora pedir a abertura de inquérito civil, como quer a arquidiocese, ou arquivar o pedido. |
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