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ORIENTAÇÕES

Orientação Sexual e Homossexualidade

A orientação homossexual é um dos quatro componentes da sexualidade humana. Caracteriza-se como uma duradoura atração emocional, romântica, sexual ou afetiva para com indivíduos do mesmo gênero. Os outros três componentes da sexualidade são o sexo biológico, a identidade de gênero (o sentido psicológico de ser macho ou fêmea) e o papel sexual-social (adesão às normas culturais de comportamento masculino ou feminino).

Três orientações sexuais são facilmente reconhecidas: homossexual, atração erótica e/ou afetiva por indivíduos do mesmo sexo; heterossexual, atração por indivíduos do sexo oposto; ou bissexual, atração por membros de ambos os sexos. Pessoas com orientação homossexual também são chamadas de gays (tanto homem quanto mulher) ou lésbica (apenas mulheres).

Orientação sexual é diferente de comportamento sexual, porque se refere a sentimentos e auto-identificação. Algumas pessoas, por medo ou repressão, não expressam a sua orientação sexual em seus comportamentos. A estas, a psicologia chama de egodistônicos (ao contrário, os egosintônicos são aqueles cujo comportamento está sintonizado com a sua identidade sexual).

A orientação sexual não é limitada a um tipo particular de pessoa. Os gays e as lésbicas pertencem a todas as idades, classes sociais, culturas, raças, religiões e nacionalidades. Eles trabalham em todas as profissões e moram em todos os lugares do país. Somos milhares e estamos em todas as partes.

O QUE DETERMINA A ORIENTAÇÃO SEXUAL DE UMA PESSOA?

Os cientistas ainda não têm resposta definitiva como uma orientação sexual em particular se desenvolve em qualquer indivíduo. Várias teorias têm sugerido diferentes fontes para a orientação sexual, inclusive fatores hormonais, genéticos ou congênitos, além de experiências vivenciais durante a infância. No entanto, muitos cientistas compartilham a visão de que a orientação sexual seja moldada, na maioria das pessoas, nos primeiros anos de vida, através de complexas interações de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

A HOMOSSEXUALIDADE É UMA DOENÇA MENTAL OU UM PROBLEMA EMOCIONAL?

Nada disso. Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde mental concordam que a homossexualidade não é enfermidade, doença mental ou problema emocional. Pesquisas científicas bastante objetivas realizadas nos últimos 35 anos mostram que a orientação sexual homossexual em si não está associada a problemas sociais ou emocionais. No passado, pensava-se que a homossexualidade fosse uma doença mental porque profissionais de saúde mental e a sociedade tinham informações preconceituosas a respeito da homossexualidade, já que a maioria dos estudos apenas envolviam lésbicas e homens gays neuróticos em tratamento psicoterápico. Quando os pesquisadores examinaram dados sobre pessoas gays que não se encontravam em terapia, constataram ser falsa a idéia de que a homossexualidade era uma doença.

Em 1973, a Associação Psiquiátrica Norte Americana (APA) confirmou a importância da nova pesquisa, retirando o termo homossexualismo do manual oficial que lista todas as doenças mentais e emocionais. Em 1975, a Associação de Psicologia Americana aprovou uma resolução apoiando esta decisão. As duas associações estimulam todos os profissionais de saúde mental a ajudarem a banir o estigma de doença mental que alguns profissionais e pessoas ainda associam à orientação sexual.

Desde a desclassificação da homossexualidade como doença mental, esta decisão foi subseqüentemente reafirmada por descobertas adicionais de outras áreas de pesquisa. Em 1984, a Associação Brasileira de Psiquiatria aprovou a seguinte resolução: "Considerando que a homossexualidade não implica prejuízo do raciocínio, estabilidade e confiabilidade ou aptidões sociais e vocacionais, opõem-se a toda discriminação e preconceito contra os homossexuais de ambos os sexos .

Em 1985, o Conselho Federal de Medicina e, em 1994, a Organização Mundial de Saúde excluíram definitivamente da classificação internacional de doenças o código 302. que até então rotulava a homossexualidade como "desvio e transtorno sexual".

A ORIENTAÇÃO SEXUAL É UMA ESCOLHA ?

Não. Para a maioria das pessoas, a orientação sexual emerge no início da adolescência, antes mesmo de qualquer experiência sexual. Algumas pessoas relatam terem tentado, durante muitos anos, mudar a sua orientação sexual de homossexual para heterossexual, sem sucesso. Por estas razões, os psicólogos não consideram que, para a maioria das pessoas, a orientação sexual seja uma escolha consciente, que possa ser voluntariamente mudada. Por isso, não se deve falar em "opção ou escolha sexual" mas em "orientação sexual".

HOMOSSEXUAIS PODEM SER BONS PAIS?

Claro que sim! Diversos estudos comparativos entre grupos de crianças criadas por heterossexuais e homossexuais (gays, lésbicas, transexuais e travestis) não encontraram nenhuma diferença no desenvolvimento dos dois grupos de crianças, seja na inteligência quanto no equilíbrio psicológico, social, popularidade entre os amigos, desenvolvimento da identidade do papel sexual e social. Também não foi detectada diferença no desenvolvimento da orientação sexual.

Um outro estereótipo em relação à homossexualidade é a crença errônea de que homens gays têm uma tendência maior que homens heterossexuais para molestar crianças. Não existe nenhuma evidência indicando que homossexuais molestam crianças mais que heterossexuais. Pelo contrário: 90% dos abusos sexuais praticados contra menores são cometidos por homens heterossexuais.

A moderna orientação psicológica estimula a todos os profissionais da área de saúde mental para que trabalhem a fim de ajudar pessoas de todas as orientações sexuais a aceitarem e integrarem seus sentimentos íntimos, superando seus preconceitos e falsas crenças em relação aos outros.

POR QUE ALGUNS HOMOSSEXUAIS FALAM PARA ALGUMAS PESSOAS A RESPEITO DE SUA ORIENTAÇÃO SEXUAL?

Compartilhar nossa vida íntima com quem se ama é algo importante para nossa saúde mental, sobretudo quando se é vítima da discriminação. De fato, o processo de desenvolvimento da identidade para homens gays e mulheres lésbicas, geralmente chamado de "assumir", tem sido considerado como importante fator de equilíbrio psicológico. Quanto mais positiva for a identidade gay ou lésbica, melhor é a sua saúde mental e mais alta a sua auto-estima.

POR QUE ASSUMIR É UM PROCESSO DIFÍCIL PARA ALGUMAS PESSOAS?

Em razão de falsos estereótipos e preconceitos injustos, o processo de assumir para homens gays e mulheres lésbicas pode ser um grande desafio e até provocar problemas emocionais. Lésbicas e gays freqüentemente sentem-se "diferentes ", "solitários", quando descobrem a sua atração pelo mesmo gênero. Eles também podem sentir medo de ser rejeitados pela família, amigos, colegas de trabalho e instituições religiosas, se realmente assumirem.

Além disso, os homossexuais são freqüentemente alvo de discriminações e violência. Esta ameaça de violência e discriminação é um grande obstáculo ao desenvolvimento pessoal de gays e lésbicas. Inúmeros jovens homossexuais sofrem agressões físicas e verbais de seus familiares, alguns são expulsos de suas próprias casas, outros são sumariamente rejeitados quando buscam trabalho. Uma grande parte vive sob forte tensão psicológica. É por isso que você que está se assumindo, ou está tomando conhecimento de sua verdadeira orientação sexual, deve ser esperto e não deixar que a doença dos outros (preconceito – homofobia) estrague a sua vida. Você tem a obrigação consigo próprio de ser muito, muito feliz.

O QUE PODE SER FEITO PARA AJUDAR GAYS E LÉSBICAS A SUPERAREM OS PRECONCEITOS E DISCRIMINAÇÕES?

Muitas coisas podem ser feitas. Tudo depende, em grande parte, de você e da seriedade com que você encara a vida. Contudo, as pessoas que demonstram atitudes mais positivas em relação aos homossexuais são aquelas que geralmente conhecem bem um ou mais homossexuais. Por esta razão, os psicólogos acreditam que atitudes negativas em relação aos gays enquanto grupo social são fruto do preconceito e não da experiência real com lésbicas e gays. Portanto, baseiam-se em estereótipos preconcebidos, na ignorância ou em fundamentações religiosas homofóbicas.

Outra forma de diminuir a violência contra os homossexuais e demais minorias, é proporcionar-lhes proteção legal contra a discriminação. No Brasil, a Constituição Federal proíbe qualquer tipo de preconceito. Leis orgânicas de mais de 100 cidades, e as constituições de três Estados e do Distrito Federal também expressam a proibição de discriminar com base na orientação sexual. Em Salvador, Maceió, Florianópolis, Rio de Janeiro e Porto Alegre, leis estabelecem penas de multa para os praticantes de discriminação. Em São Paulo e Belém do Pará, as Câmaras Municipais aprovaram o Dia 28 de Junho como o Dia do Orgulho Gay. Neste dia, em Curitiba, São Paulo e no Rio de Janeiro e demais capitais onde existe Movimento Gay organizado, acontece uma grande passeata.

Como você vê, a situação está mudando gradativamente. Entre nessa luta! Organize-se para lutar por seus direitos. Vamos!!!

A TERAPIA PODE MUDAR A ORIENTAÇÃO SEXUAL DE UMA PESSOA?

Não pode. Mesmo não sendo a homossexualidade uma doença mental e não havendo razões científicas para que se tente a conversão de lésbicas ou gays em heterossexuais, alguns indivíduos tentam mudar a sua própria orientação ou a de uma outra pessoa (por exemplo, pais que procuram terapia para filhos).

Alguns terapeutas que utilizam este tipo de terapia relatam ter mudado a orientação de seus clientes (de homo para hetero). Um exame minucioso de seus relatórios indica, porém, diversos fatores que lançam dúvidas sobre tais "curas": muitas dessas conclusões provêm de organizações com uma ideologia anti-homossexual e não de pesquisadores respeitados na área de saúde mental — charlatanismo; muitos desses tratamentos e seus resultados são documentados de forma insuficiente; e o período de acompanhamento do paciente após o tratamento é curto demais para confirmar a suposta "cura".

Em 1990, a Associação de Psicologia Americana afirmou que as evidências científicas não demonstram que a terapia de conversão funcione e que ela pode causar mais danos do que benefícios. A mudança da orientação sexual de uma pessoa não é apenas uma simples questão de mudança do comportamento sexual. Requer, também, a alteração dos sentimentos sexuais, românticos e emocionais, a reestruturação do conceito de si próprio e de sua identidade social e de gênero. Mesmo que alguns profissionais de saúde mental tentem a conversão da orientação sexual, outros questionam a ética da terapia de se tentar alterar um traço que não é doença e é extremamente importante na identidade individual.

Nem todos os homossexuais que procuram terapia desejam mudar sua orientação sexual. Eles podem procurar aconselhamento por qualquer uma das razões que as outras pessoas. Além disso, podem procurar ajuda psicológica para assumirem ou para lidar com o preconceito, a discriminação e a violência. Há, também, casos de bissexuais que estão infelizes com suas experiências homoeróticas: num e noutro caso, o terapeuta deve sempre investir na fixação da orientação sexual que cause maior realização e felicidade ao indivíduo.

POR QUE É IMPORTANTE PARA A SOCIEDADE ESTAR MELHOR EDUCADA A RESPEITO DA HOMOSSEXUALIDADE?

A educação de todas as pessoas em relação à orientação sexual e à homossexualidade tende a diminuir o preconceito antigay e lésbico. Informações precisas a respeito da homossexualidade são importantes especialmente para os jovens que lutam com a sua própria identidade sexual. Medos e tabus que obstaculizam a divulgação destas informações podem prejudicar a definição saudável da orientação sexual de uma pessoa. A livre orientação sexual é um direito humano fundamental!!

Orientação Sexual e Homossexualidade
Texto original em inglês: S.J. Blommer, PFLAG/Denever
American Psychological Association
Adaptação: Marcelo Cerqueira

 


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