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3ª Parada do Orgulho Gay

Matéria publicada originalmente no Jornal Tribuna da Bahia, 07/06/04

Parada Gay arrastou uma multidão
Nem a chuva tirou o brilho das quase 50 mil pessoas que foram às ruas na terceira Parada Gay da Bahia

Debaixo de chuva, cerca de 50 mil pessoas foram às ruas na 3ª Parada Gay da Bahia, a maior do Nordeste. A madrinha política, a reitora da Uneb, Ivete Sacramento, deu seu recado. "A Bahia é única. Estamos todos reunidos pela mesma causa, a igualdade social, racial e sexual". A diversidade foi também musical, os seis trios que fizeram parte da festa cantaram do som pop de Simone Sampaio, madrinha festiva, ao pagode baiano. Estiveram presentes figuras ilustres como o secretário do ministro da Cultura, Sérgio Mamberti e os atores globais Jackson Costa e Lázaro Ramos. Segundo Mamberti, o Ministério da Cultura apoia integralmente a luta contra o preconceito sexual.

"Movimentos como esse garantem que a diversidade faça parte da nossa vivência, para conseguirmos um mundo sem discriminação", disse. Para o presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, a parada fortalece a auto-estima e cidadania dos homossexuais. "A cada ano o número de participantes é maior. Isso faz parte do processo de aceitação da sociedade", ressaltou.

Cores, brilho, perucas, saltos altos, lentes de contato caracterizavam as diferentes fantasias. Outros preferiram exibir os seios siliconados ou mesmo fazer streep-tease. Vestida de vampira, Duda Weshley (Eduardo Luís), 24 anos, definiu a parada como um momento importante para todos os homossexuais mostrarem sua verdadeira identidade sexual. "Afinal nosso mundo é gay", deixou escapar Duda em um momento de total euforia. Não foram só os homossexuais que caíram na folia. Tinha gente de todo gosto sexual. Famílias, amigos, casais de namorados, idosos e até crianças. Foi o caso de Jacilene dos Santos, 34 anos, que estava acompanhada do filho e marido. "Não tenho preconceito. Vim para divertir e mostrar ao meu filho que as pessoas apesar das diferentes escolhas sexuais são todas iguais", falou.

Na frente do percurso uma enorme bandeira com as cores do arco- íris abria o caminho para os trios. Este ano, o cérebro cor de rosa, estampado nas camisas, foi o símbolo escolhido pelo movimento. O desenho, seguido da frase "Este é o órgão que o gay mais usa", buscava ressaltar a contribuição intelectual dos gays e lésbicas para a história da humanidade.


Matéria divulgada originalmente no Jornal Correio da Bahia, 07/06/04

Arco-íris sobre Salvador
III Parada do Orgulho Gay da capital leva milhares de pessoas às ruas para reforçar o direito à diversidade sexual

Paloma Jacobina

Duas madrinhas da festa: a cantora Simone Sampaio, e a reitora da Uneb, Ivete Sacramento.

As cores do arco-íris invadiram o centro da cidade para dar passagem à III Parada do Orgulho Gay de Salvador. Animada por seis trios elétricos e liderada por nomes conhecidos da arte e cultura baianas, a festa foi marcada pela diversidade e pela chuva, que mais uma vez colocou à prova a força do evento. A passeata começou no final da tarde de ontem com a tradicional concentração do Campo Grande, onde gays, lésbicas, transgêneros e simpatizantes se reuniram para exaltar o orgulho de ser gay e mostrar o quanto é importante reconhecer a diversidade sexual como uma escolha de amor.

Liderada pela cantora Simone Sampaio, que foi coroada "madrinha festiva" do Orgulho Gay, a passeata coroou, ainda, a reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Ivete Sacramento, como "madrinha política" do evento. Foram convidados ainda os atores Jackson Costa e José Mambert, a baiana de acarajé Negra Jho e o representante do Ministério da Saúde Sérgio Manet.
Entre o Campo Grande e a Praça da Sé, a organização do evento distribuiu 20 mil preservativos às milhares de pessoas que participaram da festa. No chão, homens e mulheres deram asas à imaginação e curtiram um carnaval colorido, cheio de personagens exóticos, divertidos e, em vários momentos, mais que irreverentes, animados por hits como I will survive, que fez todo mundo pular ao ser entoado por Simone Sampaio.

A ousadia chamou a atenção de gente como a dona de casa Lenilde Sá, 40 anos, que não se conteve ao ver uma drag queen fantasiada de Osama Bin Laden passar em uma das transversais da Avenida Sete de Setembro. "Ah se Bin Laden sabe disso. Ia se juntar com São Pedro para acabar com a festa dessas garotas", brincou. Em defesa própria, Luciano (que vestia o personagem) argumentou. "Que nada querida. Eu estou é dando a oportunidade dele se revelar. Tenho certeza que ele ia deixar de querer explodir o mundo se vestisse uma calcinha", ironizou.

O terceiro ano da festa na Bahia oficializou maio como mês do Orgulho Gay, período no qual acontecerão várias passeatas e manifestações em todo o país para reverenciar o direito à livre escolha sexual. Em Salvador, a parada tem um sabor tão especial, que já está seduzindo gente de todo o país. "A festa aqui é diferente porque, apesar de ter a cultura gay internacional, vem carregada pela rica cultura baiana, que tem um tempero interessante e diferente de tudo o que existe no restante do país", ressaltou o jornalista André Fisher, que é um dos idealizadores da maior parada gay do Brasil, realizada em São Paulo.
Mas a festa organizada na Bahia foi muito mais do que um carnaval fora de época. Foi um momento para reflexão e exaltação do direito de ser gay, ser feliz e poder viver em tranqüilidade com a sua escolha sexual. Um dos exemplos mais fortes desse discurso foi dado pelas mulheres que integram o Grupo Palavra de Mulher, identificado pela letra "P" unida ao símbolo feminino na genética. "Estamos na rua para fazer as pessoas reconhecerem a diversidade sexual como uma escolha de amor. É isso que as mulheres que estão aqui querem dizer. Nós defendemos que qualquer maneira de amor - seja hetero, homo ou bissexual - deve ser respeitada", argumentou a consultora do grupo, Andréa Domanico. O trio das meninas do Grupo Lésbico da Bahia (GLB) foi um dos mais divertidos da parada e foi animado pelo núcleo de djs da Know How.

Festa de fantasia e sensualidade
Entre um trio e outro, personagens conhecidos chamavam a atenção pela caracterização que receberam para integrar a passeata. Era só olhar para o lado para ver o presidente norte-americano George W. Bush passar de micro saia e meia arrastão, Lula vestido de enfermeira, militares siliconados, chacretes um tanto quanto peludas, e muitas cores.

Em cima dos trios, quem atraía os olhares eram os gogo-boys. Os garotos da noite deram um show de sensualidade, dançando as músicas eletrônicas e deixando meninos e meninas de pescoço duro. "Gostosos eles são. Pena que da fruta que eles gostam, eu como até o caroço", brincou a estudante de psicologia Bárbara Pimentel, 23 anos, que foi com o namorado acompanhar a festa.

Quem também não conhecia muito sobre o homossexualismo, mas estava aberto para conhecer, foi à Parada e saiu inundado com o clima de alegria do movimento. Foi com essas palavras que a dona de casa Guilhermina Fernandes, 69 anos, definiu a festa: "eles são muito alegres, muito tranqüilos e devem ser respeitados pela escolha que fizeram. Sou a favor dos gays", decretou.


Matéria divulgada originalmente no Jornal A Tarde, 07/06/04
pelas repórteres Carla Ferreira e Regina Bichicchio

Cidadania
Orgulho de ser o que é

Assumindo seu lado cor-de-rosa, gays e lésbicas invadiram o Centro de Salvador e fizeram um Carnaval fora época.

Embaixo de muita chuva, as cores do arco-íris invadiram a Avenida Sete de
Setembro. Era a bandeira de 40 metros produzida pelo Grupo Gay da Bahia
para sinalizar o início da III Parada do Orgulho de Gay da Bahia, que levou
milhares de pessoas, ontem, para o Centro de Salvador, percorrendo o mais tradicional circuito do Carnaval baiano. Gays, lésbicas, transgêneros,
simpatizantes e curiosos não se desanimaram diante do mau tempo e caíram na folia, num evento que incorporou à luta pela liberdade de expressão, o clima de campanha eleitoral.

"A Bahia é igual, única e luta pela mesma causa. Somos iguais na mesma
causa e queremos igualdade. Não queremos preconceito nem discriminação". As palavras da Reitora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Ivete Sacramento, madrinha política do evento, deram o tom do manifesto e anunciaram a festa que se estendeu pela noite em diversos ritmos e mostrou
que em Salvador há espaço para todos.

Eles
Carla Ferreira

Com fantasias extravagantes, acessórios coloridos ou gestos discretos, os gays se espalharam pelo Campo Grande e Avenida Sete de Setembro. Entre os que estiveram presentes na III Parada Gay da Bahia, eles eram maioria e mostravam sem qualquer inibição que conquistaram seu espaço.

A opinião foi unânime entre eles: o evento cresceu, ganhou amplitude e mais adeptos. Para o publicitário Jean Marcos, que foi para a festa com o namorado, Fábio Nascimento, e três amigas, é uma prova de que a sociedade baiana está, aos poucos, aprendendo a respeitar os homossexuais.

Já Fábio acha que a mobilização é necessária e que os baianos precisam viver harmonicamente, aceitando todas as "tribos". "Por que os guetos existem hoje em Salvador?", questionou, enquanto aguardava o começo da festa, que atrasou quase uma hora por conta da forte chuva.

Enquanto aguardava Bagaggerrie Spielberg dar o grito de largada no trio oficial do evento, Marcos, que fazia parte da tribo dos mais discretos, destacou que a presença de heteros na festa é bastante positiva, pois, segundo ele, os baianos precisam se "misturar" mais, romper divisões e tratar a todos como iguais, sem necessidade de lugar ou tempo exatos para os que são homossexuais e os que não são.

O discurso da reitora Ivete Sacramento, reforçado por declarações do representante do Ministério da Cultura, Sérgio Mambert, ressaltando esse mesmo discurso, foram seguidos de aplausos e gritos de apoio. Na multidão, o colorido das fantasias e de peças decorativas dos trios se destacavam ao longo do percurso, que foi puxado por tambores e dançarinos do Cortejo Afro.

Quando o som "tecno-eletrizante" da cantora Simone Sampaio invadiu a Avenida Sete, Salvador entrou em clima de Carnaval. "Ser gay é saber amar ao próximo e a si mesmo. É uma demonstração de amor", falou empolgado André Meneguin, que dizia-se satisfeito com a própria vida, por ter assumido há mais de 15 anos que é homossexual, dizendo que boa parte da discriminação sofrida pelos gays "parte dos próprios gays". "Eu sou feliz e não me sinto discriminado", disse, enquanto dançava. Meneguin, que acompanha as paradas desde a primeira edição, também achou maior a presença de público no evento este ano. "O problema da maior quantidade de pessoas é que cresce também o número dos indesejados", disse, contando que um amigo seu tinha sido assaltado durante a concentração. "Aqui tá cheio de assaltante".

Seis trios elétricos saíram ontem do Campo Grande, passando pela Praça Castro Alves e Avenida Carlos Gomes, fazendo um percurso que é considerado o tradicional circuito GLS de Salvador durante o Carnaval. Entre as atrações, Márcia Short, Luis Caldas, Gerônimo, Carla Visi, entre outros.


Elas
Regina Bochicchio

A vendedora de cerveja em lata, Telma Araújo, 38 anos, vai logo explicando: "gay gasta muito, por isso vim para cá ganhar meu dinheiro". Moradora de uma comunidade simples ali na Garibaldi, Telma fica à vontade entre gays, homens e mulheres, durante a concentração da 3ª Parada do Orgulho Gay, que ano passado reuniu mais de 30 mil pessoas. "Preconceito é coisa de gente com dinheiro. Todo mundo tem um lado gay. Hoje eu não sei, mas quem garante que quando eu for mais velha não vou querer virar a bandeira?", cria a hipótese.

Mais velha ou mais nova, de bandeira virada ou não, as mulheres gays deram as caras na Parada. Mãos dadas, abraçadas, vez por outra um beijinho... em comparação com os homens gays, as mulheres estavam mais discretas. Nem por isso menos presentes. A produtora cultural Karina Rabinovitz, 27 anos, que o diga. Desacompanhada, trajada com um vestido colorido, ao sabor da ocasião, ela não teme o preconceito e diz que "o amor é que deveria ser a lei do mundo, e não a opção sexual". E emenda: "a lei é só essa, amai-vos uns aos outros". Verdade é que o senso comum entre heterossexuais, sobretudo homens, vê o homossexualismo feminino com muito menos rigor do que no caso do masculino. Mas para Karina, tudo não passa de uma grande hipocrisia: "Aceitam o homossexualismo feminino de mulheres bonitas, porque é um fetiche, e não zela liberdade sexual". Mas ali o clima não era tanto para papo "cabeção", antes para uma celebração entre gays, lésbicas, transgêneros e simpatizantes. Como numa fantasia (e talvez fosse isso mesmo), ali, hipocrisia e preconceito pareciam não existir.

Integrando a gigantesca trupe, o casal Kátia e Sidnéia, ambas com 24 anos, curtiam a liberdade de poderem se beijar nas ruas, sem os habituais olhares reprovadores. As meninas estão em plena fase cor-de-rosa no namoro. Kátia descobriu-se gay aos 12 anos; Sidnéia, há dois meses, quando apaixonou-se pela primeira: "Tudo é diferente, principalmente no sexo. A mulher sabe onde chegar, o homem não, o homem não sabe nada!". Para Kátia, movimento como a Parada Gay, num espaço público, ajudam as pessoas a se habituarem que isso existe sim, e muito.

 


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