![]() |
|
|
|
|
Carnaval
da diversidade Adriana
Jacob Para algumas
pessoas, o formato da parada, cada vez mais semelhante ao das festas baianas,
não incita à reflexão sobre o preconceito. Mas, na
opinião de representantes do GGB, o evento vem cumprindo com seu
papel de pregar o respeito às diferenças sexuais. A gente
conseguiu dialogar com a sociedade e fazer um evento pacífico”,
afirma o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira. Mas, para homossexuais
como o estudante de turismo Tiago*, 20 anos, o clima carnavalesco dificulta
um debate mais aprofundado sobre a discriminação. “Todas
as armas para quebrar o preconceito são válidas, mas acho
meio impossível pensar numa coisa mais engrandecedora nessa barulheira.
Dá para se divertir, mas discutir de verdade é difícil.
Vai chegar um momento em que a gente vai ter que rediscutir a parada,
porque já virou um carnaval”, diz. Até o começo da noite de ontem, a PM – que disponibilizou um contigente de mil policiais para a ocasião – não havia registrado ocorrências na parada. “Essa parada foi a melhor de todas as cinco. Foi positivo o fato de ter começado mais cedo, o número de policiais foi adequado. Uma aglomeração tão democrática, sem cordas, poderia provocar situações violentas. Por isso, o GGB não tem interesse em aumentar o número de participantes nos próximos anos”, disse o antropólogo e fundador do GGB, Luiz Mott. A nota destoante foi a agressão sofrida por um integrante do Projeto Se Ligue, do GGB, em frente à Casa d’Itália. “Pedi para entrar, mostrando minha credencial, e recebi um murro de um segurança, além de xingamentos preconceituosos”, denuncia Ronaldo Assis, 19. Inibição - Apesar de a presença de heterossexuais na parada estreitar os laços com os chamados simpatizantes, há quem se sinta inibido com a participação cada vez maior dos não homossexuais na parada. “Agora há pouco, quando a gente estava se beijando, um casal hetero parou do nosso lado. Eles ficaram olhando e rindo. Só foram embora quando os encaramos”, critica a estudante Diana Azevedo, ao lado da namorada. “A quantidade de heteros e famílias querendo conhecer o mundo gay está bem maior, e isso é bom. Por outro lado, muitos homossexuais ficam retraídos com os heteros que só vêm aqui se divertir”, explica Tiago*. Foi em busca de diversão que o produtor Jocafi Santos, 30, saiu de Aracaju com destino à capital baiana. “Hoje, essa parada gay é melhor do que o Carnaval, tem menos violência. Vim para me divertir, tem muita gente bonita. Eu não sou gay, mas também não discrimino quem é”, garante. Já a psicomotricista Magali Gentil levou a filha de 7 anos para a parada, ao lado do marido e de uma amiga. “Trouxe porque acho importante as crianças interagirem com as questões sociais. São coisas que ela vê na televisão, então tento explicar da maneira mais natural possível”, diz Gentil.
* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados
Preconceito é maior no interior “Anote aí no seu bloco de anotações o sabor deste beijo”. A atitude do estudante Alef*, 23 anos, que fazia questão de explicitar a paixão pelo noivo Adriano*, 25, é a tradução do sentimento de liberdade que domina a Parada do Orgulho Gay. Pena que, em situações como a dele, o desprendimento termine ao cruzar os limites da cidade de Santo Antônio de Jesus, onde mora com a família. Para quem vive nas cidades do interior baiano, o preconceito contra os homossexuais é ainda maior. O peso dos valores e das tradições enraizadas parece tornar-se maior quanto mais se afasta da capital. “Tive que me mudar da cidade onde vivia, no sul do estado, por causa disso. O preconceito é triplicado. Lá, eu não andava no meio e nem assumia. Acho que, se minha mãe soubesse, me mataria”, diz a estudante Diana Azevedo, 26, uma das poucas entrevistadas que aceitaram ter seu nome divulgado. Loira e bonita, ela precisou mudar de cidade para assumir a opção sexual. Sua namorada, uma estudante soteropolitana de 23 anos, preferiu não se identificar. Um sinal de que a discriminação por aqui também mete medo. Acostumados às posturas mais discretas em cidades como Pojuca, Camaçari e Santo Antonio de Jesus, os amigos de Alef e Adriano aproveitaram a parada para demonstrações de carinho que normalmente ficam entre quatro paredes. “Moro com minha família e eles me respeitam, mas nunca conversamos sobre o assunto”, diz Alef. O companheiro – eles usam alianças – vai visitá-lo e fica hospedado em seu quarto, mas os parentes preferem “acreditar” que se trata de um amigo. Na opinião
do presidente do Grupo Gay de Lauro de Freitas, Franklin Silva, a abertura
de filiais do GGB em cidades da região metropolitana de Salvador
e do interior do estado vem contribuindo para a redução
do preconceito. “A discriminação existe, mas, com
esses grupos, fica mais fácil trabalharmos o problema. Hoje, são
42 ONGs afiliadas no interior. A mais nova fica em Itaparica. Muitas delas
já têm sua própria para gay. A de Itaparica, inclusive,
será no começo de outubro”.
|
| __________________________________________________________________________________________________________ | ||
| Grupo
Gay da Bahia - GGB Rua Frei Vicente, 24 - Pelourinho - Caixa Postal 2552 CEP 40.022-260. Salvador / Bahia / Brasil |
Tel.:
(71) 321-1848 / 322-2552 / 322-2176 Fax: 322-3782 |
|
| __________________________________________________________________________________________________________ | ||
© 2003, Todos os direitos reservados, Grupo Gay da Bahia |
||