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Carnaval da diversidade
Oito trios elétricos animam as 200 mil pessoas que foram ao Centro acompanhar a Parada do Orgulho Gay

Adriana Jacob
Correio da Bahia 4/8 - Oito trios elétricos, bandeiras com as cores do arco-íris, cabelos coloridos, lantejoulas e purpurina foram as armas que o Grupo Gay da Bahia escolheu para lutar contra a homofobia na 5a edição da Parada do Orgulho Gay da Bahia. A manifestação de ares carnavalescos reuniu cerca de 200 mil pessoas – segundo avaliação da Polícia Militar – no Campo Grande, na Avenida Sete de Setembro e Rua Carlos Gomes. Este ano, a participação de heterossexuais no desfile foi elevada, inclusive a de idosos e crianças.

Para algumas pessoas, o formato da parada, cada vez mais semelhante ao das festas baianas, não incita à reflexão sobre o preconceito. Mas, na opinião de representantes do GGB, o evento vem cumprindo com seu papel de pregar o respeito às diferenças sexuais.
“A avaliação que faço é positiva. Fizemos uma parada muito boa, sem brigas ou prisões.

A gente conseguiu dialogar com a sociedade e fazer um evento pacífico”, afirma o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira. Mas, para homossexuais como o estudante de turismo Tiago*, 20 anos, o clima carnavalesco dificulta um debate mais aprofundado sobre a discriminação. “Todas as armas para quebrar o preconceito são válidas, mas acho meio impossível pensar numa coisa mais engrandecedora nessa barulheira. Dá para se divertir, mas discutir de verdade é difícil. Vai chegar um momento em que a gente vai ter que rediscutir a parada, porque já virou um carnaval”, diz.
Consenso mesmo, para grande parte do público, foi a redução da violência no evento.

Até o começo da noite de ontem, a PM – que disponibilizou um contigente de mil policiais para a ocasião – não havia registrado ocorrências na parada. “Essa parada foi a melhor de todas as cinco. Foi positivo o fato de ter começado mais cedo, o número de policiais foi adequado. Uma aglomeração tão democrática, sem cordas, poderia provocar situações violentas. Por isso, o GGB não tem interesse em aumentar o número de participantes nos próximos anos”, disse o antropólogo e fundador do GGB, Luiz Mott.

A nota destoante foi a agressão sofrida por um integrante do Projeto Se Ligue, do GGB, em frente à Casa d’Itália. “Pedi para entrar, mostrando minha credencial, e recebi um murro de um segurança, além de xingamentos preconceituosos”, denuncia Ronaldo Assis, 19.

Inibição - Apesar de a presença de heterossexuais na parada estreitar os laços com os chamados simpatizantes, há quem se sinta inibido com a participação cada vez maior dos não homossexuais na parada. “Agora há pouco, quando a gente estava se beijando, um casal hetero parou do nosso lado. Eles ficaram olhando e rindo. Só foram embora quando os encaramos”, critica a estudante Diana Azevedo, ao lado da namorada. “A quantidade de heteros e famílias querendo conhecer o mundo gay está bem maior, e isso é bom. Por outro lado, muitos homossexuais ficam retraídos com os heteros que só vêm aqui se divertir”, explica Tiago*.

Foi em busca de diversão que o produtor Jocafi Santos, 30, saiu de Aracaju com destino à capital baiana. “Hoje, essa parada gay é melhor do que o Carnaval, tem menos violência.

Vim para me divertir, tem muita gente bonita. Eu não sou gay, mas também não discrimino quem é”, garante. Já a psicomotricista Magali Gentil levou a filha de 7 anos para a parada, ao lado do marido e de uma amiga. “Trouxe porque acho importante as crianças interagirem com as questões sociais. São coisas que ela vê na televisão, então tento explicar da maneira mais natural possível”, diz Gentil.


Enquanto uns refletiam sobre o preconceito, muitos se divertiam com atrações como a cantora Marienne de Castro, que cantou em cima de um dos trios elétricos, a madrinha da parada, Preta Gil, e dançarinos de corpo atlético e sungas minúsculas. Alguns dos go go boys, mais atirados, anotavam os telefones num pedacinho de papel e jogavam para o público masculino em polvorosa. Outras, como a drag queen Brenda Versace, faziam poses para as lentes fotográficas dos meios de comunicação ou de simples curiosos. Com um salto capaz de meter medo em qualquer mulher, em meio ao asfalto da avenida Sete, ela revelou ter levado dois meses para confeccionar o modelito, e mostrou-se desenvolta diante das investidas mais indiscretas. “O meu objetivo é esse mesmo: chamar a atenção, mostrar que no mundo gay tem muita coisa bonita”.

* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados


***

Preconceito é maior no interior

“Anote aí no seu bloco de anotações o sabor deste beijo”. A atitude do estudante Alef*, 23 anos, que fazia questão de explicitar a paixão pelo noivo Adriano*, 25, é a tradução do sentimento de liberdade que domina a Parada do Orgulho Gay. Pena que, em situações como a dele, o desprendimento termine ao cruzar os limites da cidade de Santo Antônio de Jesus, onde mora com a família. Para quem vive nas cidades do interior baiano, o preconceito contra os homossexuais é ainda maior. O peso dos valores e das tradições enraizadas parece tornar-se maior quanto mais se afasta da capital.

“Tive que me mudar da cidade onde vivia, no sul do estado, por causa disso. O preconceito é triplicado. Lá, eu não andava no meio e nem assumia. Acho que, se minha mãe soubesse, me mataria”, diz a estudante Diana Azevedo, 26, uma das poucas entrevistadas que aceitaram ter seu nome divulgado. Loira e bonita, ela precisou mudar de cidade para assumir a opção sexual. Sua namorada, uma estudante soteropolitana de 23 anos, preferiu não se identificar. Um sinal de que a discriminação por aqui também mete medo.

Acostumados às posturas mais discretas em cidades como Pojuca, Camaçari e Santo Antonio de Jesus, os amigos de Alef e Adriano aproveitaram a parada para demonstrações de carinho que normalmente ficam entre quatro paredes. “Moro com minha família e eles me respeitam, mas nunca conversamos sobre o assunto”, diz Alef. O companheiro – eles usam alianças – vai visitá-lo e fica hospedado em seu quarto, mas os parentes preferem “acreditar” que se trata de um amigo.

Na opinião do presidente do Grupo Gay de Lauro de Freitas, Franklin Silva, a abertura de filiais do GGB em cidades da região metropolitana de Salvador e do interior do estado vem contribuindo para a redução do preconceito. “A discriminação existe, mas, com esses grupos, fica mais fácil trabalharmos o problema. Hoje, são 42 ONGs afiliadas no interior. A mais nova fica em Itaparica. Muitas delas já têm sua própria para gay. A de Itaparica, inclusive, será no começo de outubro”.

 


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