| Festa de respeito
Sexta Parada do Orgulho Gay colore o centro da capital com mensagem de luta por igualdade
Jony Torres - Correio da Bahia


Trio da Boate Tropical e Davi Aranha produções na VI Parada Gay da Bahia. |
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A festa foi uma algazarra e o recado direto: homofobia é igual a racismo. Com o dueto alegria e luta por igualdade, a Sexta Parada do Orgulho Gay da Bahia reuniu aproximadamente 500 mil pessoas, ontem à tarde, no trajeto Campo Grande/Castro Alves. Os gays, lésbicas, transsexuais, bissexuais, travestis e heterossexuais percorreram o tradicional circuito do Carnaval ao som de 11 trios elétricos, transformando o centro da capital baiana em um colorido arco-íris da diversidade.
O desfile começou às 15h, com a execução do Hino Nacional e breves discursos de políticos, artistas e lideranças do Grupo Gay da Bahia (GGB). Antes mesmo da primeira música ser ouvida pelos alto-falantes, o trecho entre o Teatro Castro Alves e a Casa D’Itália estava completamente tomado pela multidão que aplaudiu a entrega da faixa para a madrinha do evento, a cantora Mariene de Castro e da princesa fadinha, a dançarina Léokret.
Apesar do clima de euforia e das brincadeiras, o tema da festa este ano escancarou a semelhança entre o crime de racismo e a discriminação contra a orientação sexual, estranhamente não reconhecida como tal pela Constituição Federal de 1988. “Nós vivemos em Salvador estes crimes todos os dias e por isto, nada melhor do que unir a luta pela igualdade da maioria negra da cidade, com a minoria gay”, afirmou Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.
O discurso do respeito à opção sexual de cada um encontrou sua maior expressão no mar de diferenças de tipos que participaram da parada. Entre as tradicionais plumas, purpurinas e cílios postiços dos diversos travestidos, famílias inteiras se divertiam sem dar a menor bola para o preconceito. “Cada um tem seu corpo e pode usar ele da maneira como bem entender”, fez questão de dizer a aposentada Miranda Lopes, 66 anos, que estava acompanhada por duas filhas heterossexuais.
Se os idosos se divertiram, os mais jovens não deixaram por menos. Vestidos com roupas de motivos militares, os estudantes Samuel Moura de Jesus, Fernando Sack e Guilherme Vilas Boas estavam em êxtase e não paravam de dançar e pular, mesmo nos intervalos entre uma música e outra. “Hoje é nosso dia. Vamos beijar muito na boca e ninguém que nos olhe atravessado”, prometeu Samuel.
O movimento que lembrou um domingo de Carnaval, com direito a ambulantes tomando o espaço público para vender bebidas e tentativas de pequenos furtos atrás do trios elétricos, foi considerando tranqüilo pela Polícia Militar. Para o antropólogo e fundador do GGB, Luiz Mott, a própria maneira dos homossexuais se comportarem contribui para uma festa organizada, divertida e engajada. “Cada minoria tem a sua cultura. Nós somos assim, usamos a alegria e a irreverência contra a intolerância e a violência”, concluiu Mott.
Para quem preferiu não seguir o desfile, uma alternativa foi permanecer em frente ao Teatro Castro Alves(TCA), onde foi montado um palco fixo. O local foi um dos mais badalados, com a contínua execução de músicas dançantes, entre elas o hit gay, I Will survive, de Gloria Gaynor. “Não existe uma festa onde a gente vá que não toquem esta música. Ela é ótima para dançar e a letra nos faz lembrar da luta para sermos respeitadas”, explicou a médica Ana Lúcia.(reprodução matéria Correio da Bahia – 10/09/07)
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