![]() |
|
|
O
Presidente Lula e os gays
As opiniões de Lula sobre a questão homossexual são controversas e contraditórias. No final dos anos 70, ao ser entrevistado pelo jornal gay O Lampião, declarou: "Não existe homossexualismo dentro da classe operária". Depois, voltou atrás, dizendo que se lembrava, sim, de alguns companheiros homossexuais. Na ocasião, referiu-se aos travestis como as prostitutas do homossexualismo. Mais tarde, em seu Programa Oficial, o PT tornou-se nossa primeira agremiação política a defender abertamente os direitos humanos dos gays e lésbicas: "No Partido dos Trabalhadores os homossexuais não serão tratados nem como doentes nem como caso de polícia, devendo tomar parte ativa na construção de uma nova sociedade". Por ocasião de sua última candidatura, novamente Lula assumiu postura contraditória: num momento, declarou-se francamente favorável aos direitos dos gays e lésbicas, inclusive defendendo o projeto de parceria civil da companheira Marta Suplicy; num outro momento, Lula mais uma vez deixou escapar seu pensamento espontâneo de operário nordestino, machista e homofóbico, ao fazer gracinha dizendo que Pelotas (RS) era um pólo exportador de veados. Arrependeu-se tanto desse comentário infeliz, que conseguiu que sua frase fosse censurada pela Justiça Eleitoral, para não ser usada pelos opositores. Agora Lula volta à carga, com este malfadado comentário: "Se eu deixar que me chamem de bêbado sem fazer nada, daqui a pouco alguém vai dizer que eu sou gay e vocês não vão me deixar fazer nada". O que Lula faria nesse ultimo caso? Expulsaria outro jornalista? Ou processaria o agressor? Que pena, presidente Lula, que o senhor vai ficar na história
como o segundo presidente da República do Brasil a dizer em público
a palavra gay, só que de forma politicamente incorreta. A primeira
vez foi seu predecessor, FHC, que, no Palácio do Planalto, ao lançar
o II Programa Nacional de Direitos Humanos, teve a coragem de declarar-se
a favor da Há uma solução honrada e simples para compensar mais essa gafe tão feia da parte do presidente: que Lula e seu ministro da Justiça marquem presença no próximo dia 25 de maio, na cerimônia de lançamento do programa governamental "Brasil sem Homofobia". Será uma excelente oportunidade de se redimirem de tais equívocos. Caso contrário, se não estiverem presentes, os mais de 17 milhões de brasileiros homossexuais que acreditaram e batalharam por um governo da mudança perderão definitivamente a esperança num presidente que prometeu, mas não teve a hombridade de ser exemplo de respeito e solidariedade com todos os brasileiros, inclusive os homossexuais. Aceite o boné do arco-íris, presidente Lula! Luiz Mott é professor titular de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e secretário de Direitos Humanos do Grupo Gay da Bahia (www.luizmott.cjb.net). |
|
| __________________________________________________________________________________________________________ | ||
| Grupo
Gay da Bahia - GGB Rua Frei Vicente, 24 - Pelourinho - Caixa Postal 2552 CEP 40.022-260. Salvador / Bahia / Brasil |
Tel.:
(71) 321-1848 / 322-2552 / 322-2176 Fax: 322-3782 |
|
| __________________________________________________________________________________________________________ | ||
© 2003, Todos os direitos reservados, Grupo Gay da Bahia |
||