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O Presidente Lula e os gays
Luiz Mott, diretamente de Paris.

Se de fato, alguém chamasse o presidente da República de homossexual, o que poderia acontecer? Nada! Pois outros presidentes já foram assim referidos e nada aconteceu contra os "caluniadores". Certa vez, nos anos 80, o senador Nelson Carneiro disse que o parlamentar deveria responder com um tiro de revólver a quem porventura o chamasse de homossexual. Que radicalismo, não?! Se até o príncipe Charles da Inglaterra foi apontado na mídia como praticante do "amor que não ousava dizer o nome..." e até agora ninguém foi baleado! O irmão de Fernando Collor divulgou matéria onde comentava sobre práticas homossexuais do presidente: também a ele nada aconteceu. O presidente Itamar Franco foi chamado de "Shirley" em matéria divulgada na imprensa nacional: seu "ofensor" foi processado? Não! Fernando Henrique recebeu um beijo no rosto de uma drag queen no meio da multidão: simplesmente sorriu e limpou a marca do batom! Por que Lula - e, recentemente, também seu ministro da Justiça - teme tanto a "pecha" de gay? Freud explica!

As opiniões de Lula sobre a questão homossexual são controversas e contraditórias. No final dos anos 70, ao ser entrevistado pelo jornal gay O Lampião, declarou: "Não existe homossexualismo dentro da classe operária". Depois, voltou atrás, dizendo que se lembrava, sim, de alguns companheiros homossexuais. Na ocasião, referiu-se aos travestis como as prostitutas do homossexualismo. Mais tarde, em seu Programa Oficial, o PT tornou-se nossa primeira agremiação política a defender abertamente os direitos humanos dos gays e lésbicas: "No Partido dos Trabalhadores os homossexuais não serão tratados nem como doentes nem como caso de polícia, devendo tomar parte ativa na construção de uma nova sociedade".

Por ocasião de sua última candidatura, novamente Lula assumiu postura contraditória: num momento, declarou-se francamente favorável aos direitos dos gays e lésbicas, inclusive defendendo o projeto de parceria civil da companheira Marta Suplicy; num outro momento, Lula mais uma vez deixou escapar seu pensamento espontâneo de operário nordestino, machista e homofóbico, ao fazer gracinha dizendo que Pelotas (RS) era um pólo exportador de veados. Arrependeu-se tanto desse comentário infeliz, que conseguiu que sua frase fosse censurada pela Justiça Eleitoral, para não ser usada pelos opositores.

Agora Lula volta à carga, com este malfadado comentário: "Se eu deixar que me chamem de bêbado sem fazer nada, daqui a pouco alguém vai dizer que eu sou gay e vocês não vão me deixar fazer nada". O que Lula faria nesse ultimo caso? Expulsaria outro jornalista? Ou processaria o agressor?

Que pena, presidente Lula, que o senhor vai ficar na história como o segundo presidente da República do Brasil a dizer em público a palavra gay, só que de forma politicamente incorreta. A primeira vez foi seu predecessor, FHC, que, no Palácio do Planalto, ao lançar o II Programa Nacional de Direitos Humanos, teve a coragem de declarar-se a favor da
união civil homossexual. Na ocasião, aceitou carregar a bandeira do arco-íris, símbolo da luta homossexual. Na segunda vez que um presidente fala em público sobre esta minoria social, em maio de 2004, o faz de forma depreciativa e discriminatória. Lamentável!

Há uma solução honrada e simples para compensar mais essa gafe tão feia da parte do presidente: que Lula e seu ministro da Justiça marquem presença no próximo dia 25 de maio, na cerimônia de lançamento do programa governamental "Brasil sem Homofobia". Será uma excelente oportunidade de se redimirem de tais equívocos. Caso contrário, se não estiverem presentes, os mais de 17 milhões de brasileiros homossexuais que acreditaram e batalharam por um governo da mudança perderão definitivamente a esperança num presidente que prometeu, mas não teve a hombridade de ser exemplo de respeito e solidariedade com todos os brasileiros, inclusive os homossexuais. Aceite o boné do arco-íris, presidente Lula!

Luiz Mott é professor titular de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e secretário de Direitos Humanos do Grupo Gay da Bahia (www.luizmott.cjb.net).

 


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