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"Tem um jornalista
baiano que com justiça merece o título do homófobo
mais raivoso do Brasil José Augusto Berbert. Mais de uma vez ele
escreveu no jornal A Tarde, “bicha ou morre de Aids ou assassinada.”
Embora seja um exagero grotesco, próprio de quem odeia os homossexuais,
verdade seja dita, muitos gays terminam seus dias antes da hora, vítimas
de crimes homofóbicos: só em 2001 foram mortos 132 gays
e travestis, mais de dois mil entre 1980-2000, numa média de um
assassinato a cada dois ou três dias. Um verdadeiro e cruel “bichicídio”
que se inspira e cumpre terrível profecia sintetizada num ditado
corrente de norte a sul do país: “viado tem mais é
que morrer!” Não conheço outro país do mundo
possuidor de frase tão ostensivamente homofóbica e o pior,
que cumpre à risca tal sentença. Por que tantos homossexuais são assinados? O que explicaria a ocorrência de tantos crimes de ódio em nosso país? Comecemos analisando pelo lado dos assassinos. Em sua maior parte, o jovem ou homem adulto que mata gay ou travesti tem sérios problemas com a própria sexualidade. Muitas vezes, são rapazes ou homens possuidores de forte desejo homoerótico mas que não têm estrutura emocional nem culhões para enfrentar a barra que é ser bicha neste país onde só tem poder quem aparenta ser machão. No fundo, grande parte dos matadores de gays gostariam eles próprios de ser gays ou travestis, quem sabe, e matam, muitas vezes, depois de terem dado gostoso seu cuzinho para o homossexual, lavando com o sangue da vítima, a culpa e o pecado que não suportam carregar depois do orgasmo. Outros matam para roubar, crime classificado como latrocínio. Aí também o preconceito anti-homossexual tem a sua parte, pois é mais fácil roubar, extorquir, dominar um gay, sobretudo se efeminado, do que um machão. Mais ainda: a fragilidade social do homossexual, discriminado pelos vizinhos, vergonha da família, que esconde sua verdadeira natureza dos patrões e colegas de trabalho, todos estes ingredientes presentes no dia a dia dos “gays enrustidos”, os tornam presas extremamente fáceis e vulneráveis, temerosos de terem seu “segredo” revelado, isolados dos vizinhos que os desprezam e que fazem ouvidos mocos fingindo não escutar os gritos da bicha quando pede socorro ao ser ameaçada ou agredida pelo bofe dentro do próprio apartamento. Analisemos agora o outro lado da medalha: por que tantos gays se tornam vítima de homicidas? O que fizeram para acabar tão tristemente e com tanto sofrimento, uma vida de alegria e prazeres? Ou por que cargas d’água aquele gay ricaço, artista famoso, profissional liberal respeitado, foi se meter naquela sinuca de bico exatamente com um bofe marginal?! A verdade tem que ser dita: embora ninguém mereça ter sua vida encurtada por um cafajeste, nem ser agredida por um ladrão, o certo é que tem muito viado maluco que só está vivo até hoje por ter nascido com o cu virado prá lua e contar com a proteção de algum Orixá muito poderoso, do tipo Padilha ou Exu, pois pelos lugares perigosos que frequenta, trazendo prá dentro do apartamento caras da pesada, que se ilude imaginando-os inofensivos e fantasiando que são “homens de verdade… só mesmo acreditando em milagre de Santa Rita de Cássia para entender como estas bichas malucas continuam vivas e saltitantes até hoje. Amanhã, porém, ninguém sabe o que pode acontecer.
Disse ele que muitos de seus parceiros sexuais eram moto-taxis, personagens muito comuns pelas cidades interioranas do Brasil a fora, e que segundo ele, "dificilmente rejeitam uma cantada de uma maricona." Contou que sempre ao pegar um destes moto-taxistas, logo puxa conversa e oferece dez vezes o preço de uma corrida por volta de 15 a 20 reais, para irem para algum lugar mais afastado para “curtir”. Segundo ele, poucas foram as vezes que teve rejeitada oferta tão tentadora. Numa destas vezes, de noite, o moto-taxista em vez de seguir sua orientação, levou-o para a beira de uma lagoa, na saída da cidade. Lá, quando Jucelino mal começou a fazer um quibe na pica do rapaz, apalpando-a por cima da braguilha, o cara engrossou, transformando-se completamente: ficou brabo, estúpido, o cão! Agarrou-o pelo pescoço, quase sufoca o frágil gayzinho, forçando-o a ficar de joelhos em sua frente, metendo logo o caralho durão dentro da boca de Jucelino, obrigando-o a engolir a pica toda, empurrando violentamente sua cabeça para que seu cacetão penetrasse goela a baixo. Mesmo tossindo e
quase sufocado, prestes a vomitar, Jucelino não conseguia se libertar
do rapaz, que o segurava firme puxando pelos cabelos. Estava naquele sufoco
já soltando lágrimas incontroláveis quanto aconteceu
um verdadeiro milagre que Jucelino depois atribuiu a sua querida Santa
Rita, aquela mesma das “causas impossíveis”: eis que
chega exatamente naquele momento um carro com o farol aceso, obrigando
o moto-boy a disfarçadamente soltar sua presa. Nisto a bicha saiu
correndo e conseguiu uma carona naquele mesmo carro, alegando que tinha
sido assaltado. O que teria acontecido a este audacioso e vacilento gay
se não fosse a providencial chegada de estranhos, é melhor
nem pensar! O negão nota dez só esnobando, até o dia em que nosso gayzinho foi direto e perguntou: quanto é seu preço. 100 reais, respondeu o porteiro. Dou 50. Dá mesmo, retorquiu interessado o orfeu negro. Dou! E logo em seguida foram para o hotel. Mal Juju (como também é conhecida nossa amiga gulosa) sentou-se na cama, quase desmaiou ao ver o negão tirar uma peixeira de dois palmos que estava escondida debaixo da camisa e mais! Tirou um punhal que trazia disfarçado dentro do cano da bota - e na maior naturalidade, botou as duas armas em cima da cômoda, dizendo que andava sempre armado pois se encontrasse o Carlinhhos, aquela famosa bicha desgraça que lhe deu calote, ia furar ela todinha. Jucelino, coitado, sentadinho na cama, só pensava em como ia escapar de tanta faca e peixeira. Só queria mesmo era a espada negra do bofe! Aí o Wanderley ,este era o nome do negão, todo insinuante, sentou-se na cama e foi logo pedindo para ela lhe dar o dinheiro prometido, lascando uma mordida sensual e sádica no pescoço da sergipana, que toda assustada não soube distinguir se sentiu dor ou prazer com aquela dentada inesperada. Jucelino obediente tirou cinco notas de 10 reais e passou pro brutamontes. Deixa eu ver o que é isso aí no outro bolso, ordenou o segurança. Juju tirou um relógio de corrente, daqueles antigos de pendurar no colete, que tinha comprado de uma bicha velha sua amiga. Me liguei nesse relógio, disse o bofe, não quer me dar de recordação? Jucelino não tinha outra escolha: rapaz, nós combinamos um preço e você agora quer meu relógio?! O prostituto olhou dentro dos olhos da bichinha, dizendo maquinalmente: levo só emprestado, outro dia que a gente se topar pela rua, eu te devolvo.
Em menos de cinco
minutos o negão encheu metade da camisinha com sua gala grossa,
igualzinha a mingau de tapioca. Terminada a transa, vaidoso, Wanderley
demorou bem uma meia hora para se vestir, gastou mais uns dez minutos
passando a pata-pata em sua carapinha, guardou o punhal e a peixeira em
seus respectivos lugares, botou o relógio de corrente no passador
da calça e todo faceiro, saiu do quarto sentindo-se um lorde, sem
dar sequer uma palavra e sem olhar prá traz.
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