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RECOMEÇOS

Livro traz depoimentos de pessoas famosas e anônimas
que se reinventaram para superar adversidades

Por Redação - Salvador, 3/06/09 -

 

Escritora Lina de Albuquerque

Luiz Mott - um dos depoimentos, veja. Luis Mott
 “Quando assumi minha homossexualidade e desfiz um casamento que me deu duas filhas, cerrei as cortinas de um teatro para recomeçar uma vida de verdade”.

 

Capa do livro.

A baiana Luislinda Valois tinha apenas nove anos quando ouviu de um professor a sentença de que deveria parar de estudar para cozinhar feijoada na casa de brancos. Hoje, comemorando 25 anos de magistrado, orgulha-se de ter superado humilhação e preconceito para conquistar o título de primeira juíza negra do Brasil.

A história da magistrada baiana é um dos 26 relatos selecionados pela jornalista paulista Lina de Albuquerque para compor o livro Recomeços. Lançado pelas Editoras Saraiva e Versar, Recomeços tem noite de autógrafos agendada para o próximo dia 9 de junho, às 19 horas, na Saraiva do Salvador Shopping.


Narradas em primeira pessoa, as histórias exploram momentos em que homens e mulheres, famosos e anônimos, ricos e humildes, empreendedores e funcionários, artistas e religiosos, músicos e jornalistas tiveram que se reinventar para superar situações adversas na vida. Depoimentos de mudanças, reviravoltas e superações. “A psicologia chama essa capacidade de resiliência, curiosamente um termo que saiu da Física antes de se deitar nos divãs. São os grandes “saltos vitais”, que alguns são capazes de fazer e outros não”, diz a autora.

Em depoimentos francos, personagens conhecidos, como Elza Soares, Barbara Paz, Lily Marinho, Dorina Nowill, Chico César, Paulo Borges, Adriana Bombom, DJ Zé Pedro e Lucinha Araújo, dão testemunho no livro que também conta com relatos de pessoas anônimas, como o pedreiro Evandro dos Santos, que se alfabetizou aos 18 anos e fundou 37 bibliotecas pelo Brasil, e a economista Giuliana Marsiglia, que deixou uma rotina estressante no mercado financeiro para administrar uma pousada no litoral e viver com um pescador.

Personalidades populares como Rita Cadillac, a ex-chacrete que durante anos subiu voluntariamente no palco do Carandiru, dividem experiências com personagens eruditos como o pianista João Carlos Martins, que se tornou regente após inúmeros acidentes com as mãos. Baianos e personagens da Bahia, ao todo seis, participam de Recomeços. A ialorixá Mãe Carmen revela como superou a resistência de substituir Mãe Menininha no comando do Terreiro do Gantois. Maria Rita Pontes relembra a difícil decisão de mudar de cidade, e especialmente o estilo de vida, para assumir o lugar da tia na direção das Obras Sociais Irmã Dulce, que hoje representa, segundo o Ministério da Saúde, a maior entidade filantrópica do país. O antropólogo Luis Mott revela o conflito vivenciado com mulher e duas filhas até assumir a homossexualidade.

A jornalista Aleksandra Pinheiro, sobrevivente de um câncer de rim que culminou em três anos de hemodiálise e um bem-sucedido transplante renal, e Geraldo Silva Júnior, pai do único baiano morto no acidente do vôo 3054 da TAM, partilham a experiência de desafiar tragédias e sentenças condenatórias.
“Recomeços não é um livro de autoajuda”, ressalta a autora. “O que eu queria era poder contar histórias que pudessem inspirar outras pessoas que também estivessem passando por momentos difíceis de mudanças ou rupturas. Cada um sabe o tamanho da sua dor e a disposição de superá-la. Nem sempre se supera. Em alguns casos, como o de Lucinha Araújo, mesmo a dor não saindo do peito, tem enorme poder mobilizador”.

Lina confessa que, inicialmente, relutou para aceitar o convite do editor e jornalista Luís Colombini. “A idéia não foi minha; a resistência, sim”, conta a autora que também teve de lidar com a perda da família em um acidente automobilístico. As entrevistas, coletadas ao longo de quase dois anos, tornaram-se relatos pungentes que mostram como situações de crise podem ser transformadas em oportunidade de crescimento, um exercício diário de reafirmação da vida.

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Sobre a autora

Jornalista, Lina de Albuquerque formou-se na PUC-SP e cursou, sem terminar, Filosofia e o mestrado em Antropologia, ambos na USP.  Trabalhou nas redações da revista Veja e dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Foi subeditora da revista Isto É e editora de reportagem da revista Marie Claire, onde ganhou o primeiro Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, com a reportagem “A Dança das Severinas”. Continua colaborando com Marie Claire, além das revistas Claudia e do jornal Valor Econômico. Lina ainda é letrista de músicos como Fernanda Porto, e criou, com o parceiro Gedley Braga, um projeto de composições na internet batizado de Lavadeiras (myspace.com/lavadeiras), que será lançado no final do ano na voz da cantora carioca Helena Cutter (myspace.com/lavadeirashelenacutter).
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Depoimentos:

“O apresentador de televisão me perguntou:
-- É difícil ser repórter de uma perna só?
Respondi:
-- É mais difícil do que com duas, mas é mais fácil do que com quatro.”
José Hamilton Ribeiro
"Hoje compreendo que a minha veemência em recusar o comando do terreiro do Gantois de Mãe Menininha estava ligada à grandiosidade de uma missão da qual eu não poderia escapar. Uma resistência tão poderosa pode, inversamente, significar uma confirmação".
Mãe Carmen
“Perdi um filho, enfrentei doenças. Tive dois casamentos felizes. E me casei pela segunda vez aos 67 anos. Eu travei um embate com a vida. Venci. Não gosto de perder nenhuma batalha”.
Lily Marinho
"Fui seduzida por Irmã Dulce para assumir um cargo que me parecia extremamente pesado. Acabei quintuplicando as suas obras sociais e atraindo para elas um número cada vez maior de pessoas".
Maria Rita Pontes
"Por ter me tornado juíza tarde, não queria perder tempo. Enfrentei ameaças no sertão, implantei juizados em comunidades distantes e causei espanto ao comparecer nas audiências com meu cabelo rastafári".
Luislinda Dias de Valois Santos
 “Quando assumi minha homossexualidade e desfiz um casamento que me deu duas filhas, cerrei as cortinas de um teatro para recomeçar uma vida de verdade”.
Luis Mott
"No dia seguinte ao transplante, até a maçã tinha um sabor melhor. Foi como se tivesse saído de uma retífica de motor. Hoje faço dois aniversários por ano. Um para celebrar quando nasci. O segundo para comemorar o nascimento, em mim, de um novo rim".
Aleksandra Pinheiro
"Não tenho mais a pretensão de entender o mistério por trás da maior perda que sofri. O que ganhei foi a capacidade de não fechar nenhuma conclusão."
Geraldo Silva Júnior

 

 

 

 


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